quarta-feira, junho 22, 2011

Um merduncho chamado Salazar


Franco e Salazar: cruz credo!

Em Portugal, o golpe militar nacionalista de 1926, além de terminar com a República parlamentar liberal, abriu caminho para o estabelecimento da longa ditadura de extrema direita, comanda por Antônio de Oliveira Salazar, de 1932 a 1974.

Ministro da Fazenda entre 1928 e 1932, durante o governo do general Carmona, Salazar orientou a política segundo o modelo fascista de Mussolini, atendendo às expectativas da burguesia lusitana e fortalecendo seu poder.

Tornou-se ditador assim que passou a chefe de governo.

O Estado Novo – como ficou conhecida a ditadura salazarista – foi organizado pela Constituição outorgada de 1933 e possuía muitas características dos Estados fascistas: polícia política, corporativismo, unipartidarismo, propaganda de massa, forte censura, nacionalismo exagerado.

O salazarismo sobreviveu mesmo após a morte de seu líder, em 1970, findando apenas em 25 de abril de 1974, com a Revolução dos Cravos.


Pois aqui em Manaus, um novo Salazar está querendo reeditar a presepada.

No Carnaboi desse ano, ele impediu a cantora Márcia Siqueira de exercer seu ofício.

Depois, andou melando os shows de Lucilene Castro e Cileno.

O deputado e músico Toni Medeiros já ocupou a tribuna da ALE para reduzir esse fascista de meia tigela (vai ver, não é nem daqui...) a extrato de pó de traque.

No último domingo, entretanto, o merduncho passou dos limites. Explico.


Interessado em colocar Manaus no mapa musical do Brasil, o pessoal da Denthrash Produções Amazonas agendou um show das meninas do Iron Maidens para o Planeta Talismã, no último domingo.

Depois de incendiar as plateias de Jundiaí, Salvador e São Paulo, a galera da vocalista Kirsten Rosenberg queria conhecer um pouco da Amazônia, em geral, e do rio Negro, em particular.

A chegada das roqueiras, em Manaus, estava prevista para as 13h40.

A Denthrash agendou uma mini-tour para as meninas apreciarem o rio: uma passadinha na praia da Ponta Negra, outra passadinha na praia do Amarelinho, almoço no Picanha Mania (da Ferreira Pena) e depois hotel Ibis Manaus, ali perto do Studio 5, pra elas darem uma descansada até a hora do show, marcado para as 18h.

A guitarrista Satomi Suzuki, que vinha em um primeiro vôo, chegou a Manaus às 12h e foi recebida pelos empresários no aeroporto.

Eles ficaram conversando e esperando pelas outras quatro integrantes da banda.

O avião em que, supostamente, estavam as meninas desceu no aeroporto no horário confirmado, os passageiros deixaram o aeroporto, mas nem sombra das garotas.

Bom, provavelmente elas perderam o vôo e devem estar vindo no próximo, raciocinaram os empresários.

Ainda assim, Satomi Suzuki e a pedagoga Kádia Eneida vasculharam o aeroporto de ponta a ponta em busca das meninas. Nada.

Um segundo avião vindo de São Paulo aterrissou no aeroporto, os passageiros desceram, e, de novo, nem sombra das meninas.

Por volta das 15h, bateu o nervosismo e os empresários começaram a disparar uma série de telefonemas.

Um empresário de São Paulo garantiu que elas haviam embarcado pra Manaus no vôo confirmado (o primeiro).

Inexplicavelmente, as meninas haviam tomado chá de sumiço.

Ninguém havia visto elas no aeroporto Eduardo Gomes.


Por volta das 16h15, o pessoal da Denthrash soube casualmente, por meio de um funcionário da Infraero, que Kirsten, Courtney, Wanda e Linda estavam detidas na Polícia Federal do aeroporto por causa de uma denúncia do merduncho Sergio Salazar, presidente da famigerada OMB-AM, de que as meninas estavam trabalhando ilegalmente no país.

Como assim trabalhando ilegal, se elas estavam em plena turnê pelo país e sendo divulgadas em todos os meios de comunicação?

Só um perfeito merduncho poderia levantar essa hipótese e ainda fazer os diligentes agentes da Polícia Federal perderem tempo com uma roubada dessas.

O certo é que o pessoal da Denthrash conseguiu liberar as meninas por volta das 16h30, mas a mini-tour programada foi pro vinagre.

Elas mal tiveram tempo de almoçar no Picanha Mania que, elegantemente, aguardou a chegada das Iron Maidens mesmo depois de o último cliente já ter ido embora há muito tempo.

As garotas perderam a oportunidade de apreciar as águas escuras do rio Negro por causa da prepotência de um merduncho.


Apesar da correria e do stress emocional (elas mal tiveram tempo de fazer a passagem de som), as garotas deram a volta por cima e fizeram um show espetacular, apesar da plateia diminuta.

É que a boataria twittada por algum merduncho de que as meninas haviam cancelado o show afugentou milhares de headbangers e fez centenas deles devolverem os ingressos.

Apesar de ter provocado todo esse salseiro, o merduncho Salazar ainda teve a cara de pau de aparecer no Planeta Talismã para cobrar R$ 350,00 pelos “direitos trabalhistas de a banda tocar no país”.

Infelizmente, na Denthrash Produções Amazonas só tem cabra do sangue bom e eles pagaram a grana exigida.

Eu, no lugar de qualquer um deles, teria dado um soco na cara do merduncho e exclamado: “Vai trabalhar, vagabundo!”.

Bicho ruim a gente ensina a ser gente é assim. Volto ao assunto outro dia.

3 comentários:

Everaldo Barbosa disse...

Tem conexão com o Salazar - Ditador portugues tambem. Alem da Marcia Siqueira e Cileno, persegue varios outros musicos do Amazonas. Temos varias denuncias contra ele, mas a justiça não se pronuncia contra. Não sei o que esta acontecendo com a justiça no Amazonas.

Everaldo Barbosa disse...

Muito pertinente sua comparação com o ministro da fazenda no periodo da ditatura no Brasil com o atual presidente da OMB-AM. Alias, este, trata os musicos como se tivesse rasgado a constituição brasileira, com o aval da justiça federa aqui no Amazonas. A justiça aqui esta indo na contra-mão das sentenças proferidas pelo resto do país em relação a essas Ordens de Músicos.

Anônimo disse...

Ei Simão, vai lá e dá um soco no cara, mas, não demora ou vamos pensar que tu é frouxo!KKKKKK !!!!