23. Numa modorrenta tarde de sábado, alguns
amigos estão aboletados no Bar do Cardeal, na Rua Ipixuna, esperando para
assistir um jogo de futebol pela tevê. Depois de quase uma grade de cerveja,
eles começam a discutir sobre qual seria o maior pássaro da Amazônia.
Acostumado a
passar mais tempo no mato do que na cidade, o grande passarinheiro Décio
Mechinha é taxativo:
– De todas as
aves que conheço, a cigana é o maio pássaro da região!
– Cigana? Você
está maluco! – avisa Zé Bolota, renomado pescador da região de Autazes. – O
maguari é bem maior do que qualquer cigana...
– E o
gavião-real? O gavião-real é bem maior do que qualquer maguari! – diz Paulo
Sérgio, funcionário do Inpa.
O partideiro
Beto Mão-de-vaca entra na conversa:
– Vocês estão
mesmo por fora! O maior pássaro da Amazônia é o periquito roxo...
– Periquito roxo?! – reage Décio Mechinha.
– Exato! –
confirma Beto, peremptório. – Eu tô comendo um há quase 40 anos e ainda não
acabei...
Marido da
negona Greicimar Meireles, ex-passista do GRES Unidos da Selva, Beto
Mão-de-vaca quase foi expulso da mesa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário