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terça-feira, agosto 11, 2026

Telecoteco do Balacobaco - Canto 12

 


12. O jogador Dirran era a grande sensação do campeonato potiguar. Vestia a camisa do Alecrim e colecionava elogios dos cronistas esportivos. Não era exatamente o que a ciência classificaria como um protótipo de atleta olímpico: era baixinho, entroncadinho, meio “agalegado” e tinha pernas tão curtas que parecia correr sempre dentro de um raio de três metros. Mas o danado fazia gol. E, no futebol, quem faz gol ganha até licença para desafiar as leis da anatomia.

Num clássico pegando fogo contra o ABC, em 1971, o narrador Tertuliano Pinheiro, da Rádio Poti, parecia ter sido contratado pelo fã-clube oficial do atacante.

– Dirran é um craque da bola!

Cinco minutos depois:

– Dirran é a maior revelação do futebol norte-rio-grandense!

Mais alguns minutos:

– Que jogador extraordinário é Dirran!

Era Dirran pra cá, Dirran pra lá, Dirran pra cima, Dirran pra baixo. Se alguém ligasse o rádio no meio da transmissão, pensaria que o Alecrim tinha escalado onze Dirrans.

E o pior é que o narrador tinha razão. O baixinho infernizou a defesa adversária e marcou os cinco gols da vitória por 5 a 2. Cinco! E, para humilhar ainda mais os zagueiros do ABC, dois foram de cabeça. Até hoje ninguém sabe se os defensores perderam o tempo da bola ou se a gravidade resolveu tirar folga naquele domingo.

Ao final da partida, com o estádio ainda tentando entender o que havia acontecido, o repórter Djalma Correia foi atrás do herói do jogo para esclarecer uma dúvida que já atormentava os ouvintes.

– Então, Dirran, seu nome é de origem francesa? Você tem algum parente francês?

O atacante olhou para o repórter com a mesma expressão de quem descobre que alguém confundiu farinha d’água com caviar.

– Não, sinhô!

– Não?

– Não, sinhô! É que eu sou baixim. Meu apelido é Cu de Rã. Como não podia falar palavrão na rádio, eles abreviaram!

Naquele instante, caiu por terra toda a teoria da ascendência europeia, da sofisticação francesa e da genealogia aristocrática. O grande craque potiguar não era fruto de nenhuma linhagem de nobres da Provence. Era apenas um apelido de arquibancada promovido à categoria de nome artístico pelo departamento de censura da rádio.

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