71. Fevereiro de 1978. Durante o tríduo
momesco, o quarto-zagueiro Lúcio Preto, só de sacanagem, tinha o hábito de
parar seu fusquinha do outro lado da rua, diante do Bar do Caxuxa, na Rua J.
Carlos Antony, e gritava a plenos pulmões:
– Caxuxa, cadê
as bolinhas?! Hoje é dia de desfile dos Ciganos e eu preciso ficar ligado.
Separa umas dez bolinhas de preludim, pervetim e desbutal, que daqui a pouco eu
venho pegar...
Aí, engatava
uma marcha no carro e ia embora.
Servindo uma
multidão de gente com suas batidas, Selmo Nogueira, evidentemente, não sabia
onde se esconder, com medo de os clientes começarem a suspeitar que ele vendia
anfetaminas no mercado negro. As insinuações do jogador iam acabar atraindo a
Polícia Federal para o boteco.
Um dia, Selmo
resolveu se vingar. Ele transformou em pó quatro pílulas de lacto-purga,
colocou numa “vidreta” e foi se encontrar com o Lúcio Preto no Top Bar, onde
funcionava o QG informal do bloco Andanças de Ciganos.
– Estou com uma
mercadoria nova pra você, mas ela precisa ser diluída. Me consegue uma Fanta
laranja! – avisou Selmo para o quarto-zagueiro.
Sem suspeitar
de nada, Lúcio Preto lhe passou uma garrafa de refrigerante. Selmo preparou a
poção mágica e devolveu ao jogador. Antes de engatar o carro, avisou:
– Se precisar
de mais, me dá um toque, mas não faz muita propaganda para não encher o meu bar
de malucos, tá legal?...
Lucio Preto
tomou a mistureba de uma golada só.
Meia hora
depois, Afonso Libório, irmão de Selmo Nogueira, chegou ao Bar do Caxuxa
desesperado:
– Êi, bicho,
que porra foi que você deu pro Lúcio Preto?... Com cinco minutos, ele saiu
correndo para o banheiro do Aristides e ainda não saiu de lá até agora... Faz
duas horas que ele está sentado no vaso sanitário, só resmungando e gritando um
monte de palavrões...
Naquele ano,
Lúcio Preto não desfilou pelo bloco Andanças de Ciganos. Em compensação, também
nunca mais confiou nas “bolinhas” do Bar do Caxuxa.

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