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segunda-feira, agosto 07, 2017

ABC do Fausto Wolff (Parte 38)


JUDAS (?-cerca de 30 d.C) – Talvez uma das personalidades mais injustamente sacaneadas da humanidade. Segundo o Novo Testamento, Judas teria indicado Jesus Cristo aos guardas romanos, beijando-o na face. Por esta traição teria recebido trinta denários de Caifás, o líder religioso judeu.

Arrependido, depois de ver Cristo condenado a morrer na cruz, na versão de João, ele se enforcou, e na de Mateus, se jogou de um precipício.

Seu nome, há quase 2 mil anos, é símbolo de traição e as crianças católicas e protestantes aprendem a odiá-lo desde cedo. Uma história muito mal contada.
Se realmente aconteceu o que diz a versão oficial, então teria que acontecer de qualquer modo, independentemente da vontade de Judas, pois dizia a profecia que um dos apóstolos trairia Jesus.
Segundo Danillo Nunes em seu excelente livro (pouca gente faz pesquisa com tanto zelo em nosso país) Judas, Traidor ou Traído?, ele era membro do partido nacionalista zelota e acompanhava Jesus pois vira nele todas as qualidades de um líder revolucionário capaz de levar o povo a rebelar-se contra o império romano.
A expulsão dos vendilhões do templo não teria sido apenas um ato isolado, mas um verdadeiro quebra-quebra popular.
Os mercadores vendiam suas mercadorias em cima de bancos em frente às sinagogas. Estes bancos Jesus quebrou.
Daí a palavra bancarrota, que resistiu até os nossos dias e continuará resistindo enquanto tivermos ministros da Fazenda como Simonsen, Delfim, Bulhões, Dornelles, Funaro, Bresser Pereira e Maílson da Nóbrega.
Enfim, o que houve na cidade foi um princípio de revolução.
Judas teria instigado Jesus a liderá-la e ele teria dito: “A César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Talvez, neste momento, Judas, que era o único alfabetizado do bando, tivesse dito: “Vais ver o que é bom para a tosse”.
Eu, porém, duvido. Acho que pegaram o Judas pra Cristo.

JÚLIA LA MAYOR (39 a.C-14 d.C.) – Antigona, mas quem a viu deixou registrado: “Extremamente bonita e extremamente galinha”. A antigona aí de cima não é para ser confundida com a Antígona, personagem da tragédia grega que foi devidamente esquilada, soflocada e euripidiada e era, por sinal, bem mais antigona que a Júlia.
Disse que era antigona porque nasceu antes de Cristo e quando morreu JC devia ter uns dez anos.
Digo isso porque, como sabem os mais chegados à História, Cristo nasceu, realmente, no ano 4 d.C. ou seja, quatro anos depois dele mesmo. Milagre puro!
Vêem como eu estou confuso, hoje? Fico pensando na moça que estuda letras na Santa Úrsula e me perco.
Daqui a pouco tenho que tomar um avião para Vitória onde darei uma conferência para uma plateia da qual já sinto pena.
Mas voltemos à Júlia. Parágrafo para ver se o estilo melhora.
Júlia era filha do imperador Augusto, que fez com que ela se casasse aos quatorze anos com seu primo Marcelo. Dizem que ele morreu um ano depois de tanto trepar.
Augusto então a forçou a casar com o chefe do seu ministério, um tal de Agripa, que já estava beirando os cinquenta anos. Ele, porém, como se viu logo, não dava para o excessivo gasto de sua jovem mulher.
Ela não se apertou. Arranjou logo uma porrada de amantes.
Agripa, por sua vez, não tinha coragem de se queixar ao imperador, pois ele afinal tinha direito de vida e morte sobre todo mundo.
Já imaginaram o bom Agripa dizendo: “Divino Augusto, tua única filhinha é uma putona”? Seria muito chato pra saúde dele.
Engraçado é que Júlia teve cinco filhos. Todos com a mesma carinha de bunda enrugada do Agripa.
Quando alguém, surpreso, comentava a semelhança, Júlia, rindo, dizia: “Mamãe aqui só apanha passageiros quando o barco já está cheio”. Era chegada a mastruços e metáforas.
Agripa morreu corno depois de dez anos de casamento, no ano 12 d.C.
Augusto imediatamente casou-a com o seu enteado Tibério, filho de sua mulher, Lívia Drusilla.
Tibério já era casado, mas foi forçado a se divorciar para casar com Júlia.
Diz a História (logo, duvidem) que Tibério ficou tão puto dentro dos saiotes (as calças ainda não haviam sido inventadas) que se recusou a dormir na mesma cama que Júlia.
Mas a coisa não foi bem assim. O negócio de Tibério era outro, conforme ele se encarregou de propagar depois da morte do padrasto. Gostava mesmo era de ser comido por vegetais, minerais e, principalmente, animais, o baitolão.
Vocês já viram que ao perceber que o marido era mágico, aí mesmo que Júlia se largou e passou a ser comida por atacado.
Segundo Sêneca, tremenda bichona, deixou de ser adúltera para se transformar em prostituta. Apanhava homens em frente do fórum onde seu pai havia promulgado uma lei contra o adultério. Mas apanhava aos lotes.
Finalmente Augusto descobriu e informou-a: “Nunca mais voltarás a introduzir qualquer sésamo na tua caverna” ou um troço parecido com este.
Foi banida para a ilha de Pandataria, onde só havia pedras e mulheres.
Morreu dezesseis anos depois saudada por suas damas de companhia como campeã suprema da luta aranhal.
Júlia trabalhava no ramo. Mais puta mesmo, só Messalina.

JUNG, Carl Gustav (1875-1961) – Gênio especializado em tudo. Uma das três glórias Suíça. As outras duas são o queijo e o relógio-cuco. Psiquiatra, estudou medicina na Basileia e praticou psiquiatria em Zurique.

Provavelmente, se houvesse topado com o Joyce por lá, acabaria por analisá-lo e inutilizá-lo para a literatura pelo resto da sua miserável vida.

De 1907 a 1913, foi grande amigo e discípulo de Sigmund Freud. Vaidosíssimos, acabaram brigando. 
Os dois, como se sabe, são acusados de serem os responsáveis por esta praga que assola os países subdesenvolvidos. Estou falando dos psicanalistas que durante vinte anos no Brasil e em outros países, enquanto anestesiavam a consciência dos tubarões (fardados ou não), ainda faziam hora extra dando psicoterapia de apoio aos torturadores do DOI, do CODI e da puta que os pariu.
Jung era o peixinho preferido de Freud e com ele se correspondeu durante anos na base do “Lieber herr professor doktor” pra cá e pra lá, terminando com recomendações às fraus Freud e Jung.
Entre as saudações e as despedidas comentavam as sacanagens que se passavam nas mentes doentias lá deles.
Estranhamente, Freud, que – dizem – não comia ninguém além da frau Freud, dava ênfase ao sexo como mola propulsora do comportamento subconsciente, enquanto Jung que, tirando padres, escoceses e a Maria da Conceição Tavares, não perdoava ninguém que usasse saias, achava que havia algo mais.
Tremendo gozador e boa-pinta, o suíço teria dito depois de romper com o mestre: “Afinal, o pau não passa de um símbolo fálico”.
De qualquer modo, a briga com Freud deixou Jung meio maluco.
Mas ele reagiu e se analisou entre 1914 e 1918 enquanto a Europa fazia a guerra para acabar com todas as guerras, enriquecer definitivamente a indústria bélica e matar alguns milhões de soldados.
Depois que se deu alta, Jung desenvolveu a sua teoria da psicologia analítica, da psicoterapia e passou o resto da vida clinicando, escrevendo (e como!) e dando palestras a preços módicos.
Foi ele o criador dos conceitos de extroversão e introversão e o postulador do inconsciente coletivo.
Um dos cérebros mais prodigiosos do século XX, interessava-se por tudo que fosse humano e até desumano: dos discos voadores ao I Ching, passando por grafologia, fantasmas, alquimia e outros modos de trocar de tédio.
Estranhamente, além de Freud, seu outro guru foi Ridder Haggard, um escritor prolífico de romances de aventuras sobre quem Robert Louis Stevenson, autor de Dr. Jeckill and Mr. Hide, teria dito: “Grande romancista, mas como escreve mal”. Estava certo.
Se pelo menos os psicanalistas que infestam Ipanema e arredores se dessem ao trabalho de ler Jung talvez ficassem mais humildes e, envergonhados, acabassem mudando de profissão.

ABC do Fausto Wolff (Parte 39)


KADHAFI, Muammar Al (1942- ) – Desde 1970 que é o primeiro-ministro (um dos muitos eufemismos para ditador: na América do Sul, Brasil inclusive, prefere-se a forma “presidente”) da Líbia, país quente e chato que se tornou mais quente e chato depois que ele tomou o poder.

É isso mesmo: Kadhafi deu o golpe no rei Idris I. Creio que se eu tivesse dado o azar de nascer na Líbia também daria um pé na bunda do primeiro rei que folgasse comigo.
Kadhafí conseguiu fazer coisas positivas: expulsou as bases britânicas e americanas do país e expropriou os bens dos italianos e judeus.
Além disso, em 1973, nacionalizou todas as companhias estrangeiras que exploravam petróleo.
De boca defende a OLP, mas quando chega a hora de provar alguma coisa manda um telegrama para Yasser Arafat aconselhando-o a se matar antes de entregar-se às tropas do sionista Sharon.
Arafat preferiu não se suicidar, mas também não arrepiou e até conquistou uma vitória política para a sua organização.
Internacionalmente tenta divulgar a língua árabe e financia garotos e garotas que ficam enchendo o meu, o seu, o nosso, o vosso saco nas principais ruas das principais cidades da Europa pedindo dinheiro para a casa de Kadhafi.
São the children of the universe. Quando você pede a eles para irem chupar uma meia Lobo ou entrarem para o PC eles tentam imitar Deus entediado diante dos teus olhos mortais.
Kadhafi propôs a união islâmica a Sadat, mas ele foi mandado para junto de Maomé antes de poder dar uma resposta ao ex-coronel líbio.
Cerca de dois anos atrás passou a figurar alto na cotação política internacional graças à mancada de Reagan (o canastrão do Apocalipse), que bombardeou a Líbia e quase começou a festa nuclear.
Figura no meu ABC porque a letra K é muito pobre e porque, além de proibir o fumo e o álcool em seu país, dizem que entuba. Eu não digo nada.

Há quem diga que ele entuba, ou seja, toca tuba. Entenderam? Entenderam? Compreenderam? Perceberam, seus chinchorros cloráticos? Eu não tenho nada com isso. Parece que por lá tocar tuba não é pecado.

KAMA-SUTRA – Vatsyayana (Vatsy para os íntimos) Mallanaga era um jovem poeta rico e talentoso que morria de tédio. Seus amigos – playboys como ele – viviam se queixando: “Já experimentamos todas as posições em matéria de sexo. Ninguém aguenta mais esse mesmo rame-rame”.

Vatsy foi pesquisar o que havia sobre o assunto na literatura sânscrita e por volta do ano 100 d.C. começou a escrever o Kama-sutra (Versos de Kama, o Deus do Amor). 
O manual, que trata, além de sexo, principalmente do comportamento que se espera das castas superiores, foi sendo aperfeiçoado durante uns quatrocentos anos.
Apesar do seu caráter erótico, faz parte da literatura religiosa da Índia, o que se deve à importância dada pelos hindus à perpetuidade da família.
O Kama-sutra é como o Finnegans Wake, de Joyce, e O Coração, do A.C. Magalhães. O primeiro todo mundo fala dele, mas ninguém leu; o segundo, dizem que existe, mas ainda não deu nenhuma prova.
Eu, porém, posso dizer que o Kama é chato, pois li a tradução do Richard Burton.
É composto de onze capítulos que tratam das sessenta e quatro artes que o homem sofisticado deve conhecer e dos sessenta e quatro talentos da voluptuosidade; os princípios que devem ser observados para uma vida em sociedade; as uniões permitidas e as proibidas; os deveres conjugais do rei, do homem, da mulher, prendas domésticas, etc.
Dá dicas de tudo: desde como fazer um papagaio subir a como fazer um pau falar ou vice-versa, que já não lembro.
Vatsy informa no capítulo referente às posições sexuais, que é muito excitante lamber a axila da mulher enquanto se faz cócegas na planta dos pés dela com o dedão do nosso pé direito.
No capítulo referente ao que é e não é bom-tom, ele pisa na bola: “Embora as mulheres de Abhirra gostem de chupar pau e as mulheres de Benara apreciem um coito anal, essas gratificações são consideradas inferiores e não devem ser praticadas”.
O Kama não é contra bater na mulher desde que a violência da paixão não cause nem morte nem ferimentos graves.
Quanto aos afrodisíacos, há mais de duzentas receitas.
Eu, porém, hesitaria antes de acreditar que qualquer mulher se manterá fiel a mim para sempre se eu passar merda de burro com pó de noz-moscada nos pentelhos dela. Quem é que vai querer comer alguém todo sujo de cocô?
Finalmente o livro aconselha as mulheres-pomba a casar com os homens-lebre, as mulheres-mula a casar com os homens-búfalo e as mulheres-elefante a casar com os homens-cavalo.
É isso mesmo que vocês estão pensando: o homem-cavalo, ao ejacular, poderia explodir a mulher-pomba. Já o homem-lebre se perderia dentro da xota da mulher-elefante.
Vatsy informa ainda aos seus leitores que não é aconselhável trepar com leprosas.

KEELER, Christine (1942- ) – Boa pacas! Michê de 100 libras... no princípio da carreira. Chegou a balançar o ministério britânico por volta de 1963. Aos dezesseis anos, acometida de uma terrível vontade de dar (coceira também conhecida como tesão galopante), deixou a província e se mandou para Londres, onde, entre uma escada e outra, tirava a roupa numa boate.

Neste inferninho, cujo nome a História não registra e não interessa mesmo, ela foi introduzida ao Dr. Stephen Ward. Na mesma noite ele se introduziu nela.
Acontece que o bom doutor ganhava uma grana extra como proxeneta e imediatamente passou a introduzir Christine aos industriais, políticos, aristocratas and other rascalls. Gente, enfim, que tivesse dinheiro para introduzir o aquilo no naquilo da moça.
Eu não sei se é a grana que atrai as mulheres peladas ou se são as mulheres peladas que atraem a grana. A verdade é que o Ward e a Cristininha estavam as the devil likes.
Ele dava festinhas em seu apê incrementadíssimo e convidava os javalis do society. A Christine convidava suas amiguinhas. A sacanagem corria solta com sexo grupal, flagelação, uma sodomiazinha de sobremesa e tudo aquilo que a nossa vã filosofia não alcança, como, por exemplo, o garçom da suruba.
Diz Christine: “Ele era uma figura conhecidíssima da sociedade e as únicas peças que vestia eram uma rosa no rabo e um laçarote no piu-piu. Era ele que servia pó, erva e pico pros convidados numa bandeja. Usava uma máscara, evidentemente, para não ser identificado”.
Enquanto isso, na neve, do lado de fora da janela, o proletariado inglês sifu do modo pouco original que os pobres têm de sifuder.
Foi numa dessas festinhas, enquanto Christine molhava o monte de vênus e, de consequência, o resto do corpo nu, na piscina, que lorde John Profumo, então o ministro da Guerra de Sua Majestade Elisabeth II, fez a sua entrada.
Botou os olhos no popô da Keeler, então com vinte e um anos, e chamou o Stephen Ward para um canto: “Também vou querer”.
Acertaram o preço e o lorde Profumo passou a molhar o fumo nos orifícios cristinais.
Acontece que outro sujeito já estava molhando o seu esturjão por ali sem que o ministro da Guerra soubesse: nada menos que Eugene Ivanov, adido naval e espião da embaixada russa.
Como os mais perspicazes já devem ter percebido, os ingredientes para a monumental cagada estavam todos à mão. Faltava apenas misturá-los.
Informado a tempo, o lorde retirou o fumo.
Alguns meses depois, porém, um sujeito chamado Edgecombe, que Christine havia chutado depois de ter dado umas voltinhas, alui o apartamento de Ward numa tentativa de vê-la. (Eu sempre disse: os Edgecombes são muito fominhas.)
A polícia foi chamada e durante o julgamento do invasor de domicílio, ela informou: “Ora, que bobagem, até mesmo o ministro da Guerra é habituée da minha cama”.
Mas Christine era uma putinha e Profumo era troço pacas.
De modo que algumas semanas depois ela fugiu pra Espanha, provavelmente a mando dele, que no dia 22 de março de 1963 fez o seu célebre discurso perante os membros da Câmara dos Comuns.
Se resumia numa frase: “Senhores, juro por minha honra que nunca molhei o brioche naquela chávena”.
O pessoal não acreditou e acreditou menos ainda quando um jornal de Londres publicou uma carta dirigida a Christine (o babaca escrevia, gente!) dizendo como gostara de fazer o que fizera com ela. Acabou confessando e resignando do cargo. Nem sei se está vivo.
Vendo que o rio não estava para piranhas, Christine mandou Ward passear e se mandou com um crioulo jamaicano que não se chamava Profumo, mas era pró-fumo, tremendo puxador.
Ward foi preso por conduta imoral e se suicidou antes do julgamento.
Christine vendeu suas memórias por 50 mil dólares para o jornal News of the World, que aumentou consideravelmente a tiragem, pois não há nada que o povão goste mais do que sacanagem.
Há alguns anos vi um filme muito ruim sobre a vida da moça num cinema em Copenhague.
Hoje (1988) com quarenta e seis anos, deve ter baixado a tabela.
O Evaristo Paraná diz que a comeu na Alemanha, mas o Paraná é o cara mais mentiroso que eu conheço.

ABC do Fausto Wolff (Parte 40)


KENNEDY, John Fitzgerald (1917-1963) – Bonito, inteligente, rico, poderoso e, creio eu, um humanista, logicamente, morreu assassinado pouco depois de completar quarenta e seis anos. Deus, a máfia ou a extrema-direita não gostam de pessoas muito exibidas. Personalidade complexa a de Kennedy e, pessoalmente , estou propenso a acreditar que amadureceria com o tempo. Por isso, talvez, o tenham furado com tantos tiros. Já era o suficientemente perigoso.
O grande rival de John Kennedy até a sua morte foi seu irmão maior, Joseph Kennedy Jr.
Entre os dois filhos mais velhos (Joseph e John) e os dois mais jovens (Robert e Theodore), havia cinco mulheres.
Joe e Jack (dois anos mais moço), portanto, competiam em tudo: esportes, estudos, mulheres e, principalmente, para ver quem conquistava maior admiração do velho patriarca para quem o segundo lugar era inaceitável.
Quando Joe morreu na guerra, Jack passou a ter que lutar contra o seu fantasma.
Para seus pais, talvez, ser presidente dos Estados Unidos não fora o bastante. Para empatar com o irmão mais velho ele teria que morrer.
Além de política, o que gostava mesmo era de fuder.
O ex-senador George Smathers, que dividiu um abatedouro com ele quando solteiro, disse jamais ter visto uma libido mais ativa. “Gostava de duas, mas preferia três ou quatro mulheres peladas na cama”.
Certa vez disse a alguns jornalistas durante a campanha presidencial: “Só considero acabado um caso com uma mulher depois de ter tido relações com ela de três maneiras diferentes”.
O casamento com Jacqueline Bouvier não fez com que perdesse o apetite e deixasse de comer fora de casa.
Teve casos com a jornalista dinamarquesa Inga Arvard, injustamente acusada de espia nazista; a dançarina Blaze Starr, que ele teria comido na suíte de um hotel enquanto o noivo dela, o governador Earl Long – devia chamar-se Horn Long – dava uma festa no quarto ao lado; a pintora Mary Pinchot Meyer, que fumou maconha com ele na Casa Branca e mantinha um diário que desapareceu depois que ela foi assassinada; Judith Exner, que foi comida antes e durante a Presidência; as atrizes Gene Tierney (que pirou), Jane Mansfield, que teve a cabeça decepada num acidente, Angie Dickinson, já velhinha, mas que continua na ativa e, last but not least, Marilyn Monroe, que depois da morte dele passou a dar para Robert, o irmão mais moço.
A verdade é que, durante a sua campanha para a Presidência, o velho Joe Kennedy teve que dar um milhão de dólares a Jacqueline para que ela não pedisse o divórcio. Já seria difícil eleger o primeiro presidente americano católico da história do país, imaginem um católico divorciado.
Aparentemente, o negócio de Jackie nunca foi sexo, embora trepassem eventualmente, de tarde, na Casa Branca. Seu negócio era e é grana. Gozava à vista de jóias, dinheiro e poder.
Tanto que acabou com os sonhos de cinderela de milhões de secretárias do mundo inteiro ao se casar “por amor” com Aristóteles Onassis.
Todo mundo imaginava que, depois de Kennedy, ela só poderia se casar com um grande artista ou um prêmio Nobel de física, um troço desses. Ela foi diretamente na grana.
Aliás, ela e Ari se mereciam: ele fez grandes negócios graças aos conhecimentos dela e ela tirou dele todo o dinheiro que pôde. Provavelmmu nunca treparam.
Já Kennedy, segundo as centenas de mulheres que comeu, era rapidinho. Preocupava-se mais com quantidade que com qualidade.
Na folha de pagamento do Palácio havia duas secretárias – Fiddle e Faddle – que não sabiam datilografia, taquigrafia, estenografia, não eram boas em inglês ou matemática, não sabiam tomar recado, mas eram exímias felatrizes.
Numa reunião, se ele ajeitasse o zíper das calças, as duas sabiam que teriam que ficar depois que todos fossem embora.
Meio garotão, mas um intelectual da melhor qualidade, se não houvesse sido assassinado talvez tivesse feito pelos Estados Unidos o que Gorbachev está fazendo pela Rússia, país pronto para o comunismo passados setenta anos da revolução.
Impossível duvidar dos bons propósitos de alguém que diz: “Aqueles que lutam contra a revolução pacífica terão que enfrentar a revolução violenta”.
A não ser, é claro, que a frase fosse apenas de efeito, autoria de um ghost-writer da sua equipe.
Os fatalistas preferem acreditar que Kennedy foi vítima do Fator Zero.
É que, desde 1840, ano da eleição de William Henry Harrison, todos os presidentes eleitos num ano terminado em zero (1840, 1860, 1880, 1900, 1920, 1940, 1960) não saíram vivos da Casa Branca.
Foram eles, respectivamente, Harrison, Lincoln, GJarfield, MacKinley, Harding, Roosewelt e Kennedy.
Até o momento em que escrevo esta nota (19-12-1987), Reagan, que se elegeu pela primeira vez em 1980, continuava vivo.
PS: Kennedy uma vez comeu rapidamente, em menos de dez minutos, no banheiro do hotel Pierre, em New York, uma brasileira famosa nell mondo del cinema e dellá societá.
Não publico seu nome, pois não fui autorizado. Como ela sabe que falo dela, caso queira ser mencionada, é só entrar em contato comigo que preencho a lacuna na próxima edição.

KICHIZO, Ishida (1904-1936) – Este, coitado, entrou realmente numa geladíssima. Era gangster. Membro respeitado da máfia japonesa. Casado, pai de quatro filhos. Mais digno, portanto, que qualquer ministro brasileiro do período que vai de 1964 a 1988.

Ainda assim sofreu. Apaixonou-se pela jovem e bela Abe Sada uma gueixa que lhe deu uma chave de buceta, das quais é impossível se livrar. Os dois gostavam dum joguinho sadomasoquista.

Enquanto ele a comia na posição do sacerdote (quem está pensando que é a mulher por baixo, o homem por cima e o sacerdote no meio, enganou-se; trata-se do popular papai-mamãe, ou seja, ela por baixo e ele por cima sem ninguém no meio), ela fingia que o estrangulava com o cinto do pijama. Ele chegava a gozar, mas ela não o matava.
Acontece que ele não largava da mulher. Ela chateava e ele nada. Um dia ele propôs: “Que tal te botar numa casa de chá e te ver de vez em quando?”
Ela contraproprôs: “Que tal a gente fugir ou, melhor ainda, que tal a gente se matar?”
Venceu a proposta dele o que fez com que ela pensasse que o amor dele estava diminuindo, já que na casa de chá ela teria que trepar também com outros clientes.
Ele, porém, conforme havia prometido, aparecia duas ou três vezes por semana.
Uma noite, entretanto, enquanto ele a comia e ela fingia que o estrangulava, ela parou de fingir. Ele morreu.
Antes de fugir, ela decidiu que deveria levar consigo uma lembrança do seu amado Ishida Kichizo e cortou-lhe o pau.
Meteu-o numa bolsa e foi brincando com ele, alguns dias depois, que a polícia a prendeu num quarto de hotel.
A piroca do gangster japonês foi confiscada e ela pegou prisão perpétua.
Por engano, foi confundida com uma presa política e libertada pelas forças de ocupação americanas em 1947.
Hoje é dona de um boteco, perto do rio Sumida, que banha Tóquio.
Vocês, talvez, tenham visto o filme sobre eles – Império dos Sentidos – , que fez muito sucesso até mesmo no Brasil, principalmente aquela parte em que ele tira um ovo de galinha da buceta dela.
Outros paus que se tomaram famosos por terem sido separados dos corpos dos seus donos: o de Napoleão Bonaparte. O padre que assistia a autópsia, em 1821, tanto encheu o médico que ele acabou dando o pauzinho mole (3 centímetros) do imperador para ele. O dono do pau, hoje, é um urologista americano que o comprou em leilão por 3.800 dólares.
O pau de John Dillinger (24 centímetros mole), que foi cortado por um patologista entusiasmado.
O pau do general Kang Ping. Aliás, a história do pau do general merecia um verbete só para ele, mas estou sem saco (no sentido de estar sem vontade e sem paciência), de modo que falo dele aqui mesmo. Está certo, faço um parágrafo: pau novo, linha nova.
Yung Lo era imperador da China em 1420 — dinastia Ming quando um dia chamou seu melhor amigo e o principal líder militar do país e informou: “Meu caro general Kang Ping, vou ter que me ausentar durante alguns meses e vou deixar você tomando conta do meu palácio e das 1.400 mulheres do meu harém. Só confio em você”.
Se o Kang Ping não fosse muito macho teria se cagado todo, pois o imperador era conhecido pela sua desconfiança e pelas suas mudanças de humor. Podia voltar da viagem e acusar Kang Ping de ter tentado usurpar o poder ou comei uma das suas amantes. Poderia sobrar para ele.
Kang Ping, porém, se antecipou e pôs em prática um plano genial e burro. Quando Yung Lo voltou de sua viagem, mais paranóico do que nunca, depois de uma rápida inspeção no harém, foi logo berrando: “Kang Ping, seu filho da puta, você andou comendo as minhas mulheres!” “Não comi ninguém, não, meu imperador e posso provar!” “Então prova!” “Dê uma olhada na bolsa da sua cela!”
O imperador meteu a mão na bolsa e lá dentro encontrou o pau e os bagos de Kang Ping.
Ele havia se castrado e colocado os documentos na bolsa da cela do imperador antes dele viajar.
O monarca ficou tão comovido que promoveu o general a eunuco-chefe do seu harém e depois da sua morte mandou construir um templo só para ele e exigiu que fosse adorado como patrono dos capados.
Duvido que algum general brasileiro fosse capaz de um gesto de lealdade desses para com seu líder, fosse ele Costa e Silva ou Sarney.

KINSEY, Alfred Charles (1894-1956) – Na minha opinião era um tarado, um maluco, um xereta, mas passou para a História como biólogo, sexólogo e pioneiro em estatística no que se refere a comportamento sexual.

Este senhor, que nasceu em New Jersey, além de caretão e classe média, era meio instável.
Primeiro se formou em psicologia na Universidade de Bowdoin e depois tirou um PhD em entomologia em Harvard.
Está certo que psique quer dizer borboleta em grego, mas aí param todas as analogias entre insetos que são, se não me engano, o que os entomologistas estudam (ou éntomon não quer mais dizer inseto em grego e nem lógos quer dizer estudo?), e a psicologia, que, por sua vez, não é o estudo das borboletas, mas o da mente, principalmente humana.
Pois bem: Kinsey casou e ficou estudando um determinado tipo de vespa durante dezessete anos.
Foi nessa época – 1937 – que a Universidade de Indiana (o Estado mais sem imaginação do mundo, pois chama-se Indiana porque alguns índios teriam vivido lá) decidiu começar um curso de educação sexual e chamou Kinsey para ministrá-lo.
Agora eu pergunto: por que chamar um cara que entendia de anatomia de abelha para ensinar sexo pra gente? Numa dessas, foi ele o cara a dizer primeiro: “Meus filhos, vocês sabem como as abelhinhas fazem? Pois com gente é a mesma coisa!”
Brincadeira à parte, Kinsey descobriu que não existia em todos os Estados Unidos da Santa Hipocrisia Wasp (aqui não mais vespa, mas white, anglo, saxon, protestant) nenhuma pesquisa sobre sexo.
Em 1938 começou entrevistando 62 homens e 62 mulheres sobre suas vidas sexuais.
Em 1939 fez mais 671 entrevistas e nos próximos dez anos encheu o saco de mais de 12 mil pessoas sobre 521 itens.
Trabalhou entre quatorze e dezesseis horas por dia e percorreu todo o país.
Em 1948 escreveu O Comportamento Sexual do Homem e em 1953 O Comportamento Sexual da Mulher, depoimentos de mais de 5 mil homens e 5 mil mulheres brancos.
Deixou o criouléu de fora porque não havia entrevistado um número suficientemente grande para estabelecer padrões.
Quando morreu, em 1956, havia escutado mais de 20 mil confissões. Nem padre sacana e punheteiro tem saco pra isso.
Eis algumas das suas descobertas:
8% dos homens e 0,4% das mulheres haviam tido relações com animais;
92% dos homens se masturbavam e, destes, 0,3% eram contorcionistas, ou seja, chupavam os próprios paus;
0,3% das mulheres lembravam-se de terem se masturbado antes dos três anos;
4% dos homens eram exclusivamente homossexuais, mas 37% haviam entubado pelo menos uma vez, a ponto de ejacularem;
28% das mulheres tiveram ao menos uma experiência lésbica até os quarenta anos;
80% dos homens levantavam o palhaço aos sessenta e apenas 25% aos oitenta anos, o que não significa que eles chegavam a gozar – provavelmente a chamada meia-bomba-chapliniana-rápida.
Descobriu ainda que 2% das entrevistadas eram frígidas e a estas aconselhou a prática da masturbação.
Posteriormente, com as pesquisas de Master & Johnson, Comfort e Shere Hite, descobriu-se que após a invenção da pílula anticoncepcional no menu do Ocidente todo mundo passou a fazer de tudo muito mais.
Querem saber porque eu esculhambei com o Kinsey logo de cara? Porque, segundo seus auxiliares, ele ouviu mais de 20 mil histórias de sacanagens e não comeu uma só entrevistada. Pode?

Amazonino já está com a mão na taça


Os candidatos Amazonino “Negão” Mendes e Eduardo “Cadeirudo” Braga disputam o segundo turno das eleições suplementares para escolha do novo governador do Amazonas no próximo dia 27.

Na totalidade das urnas, Amazonino fechou o primeiro turno com 39,07% (460.166 votos), quase o dobro do segundo colocado.

Já Braga obteve apenas 22,85 % (269.088 votos). Isso quer dizer que o “Negão” já entra no segundo turno com 200 mil votos de vantagens.

Ninguém nunca reverteu uma vantagem dessas na história política do Amazonas.

“O amor vence tudo. Acho que não custa nada a gente ser educado, gentil e saber que ninguém é perfeito. E quando a gente cobra perfeição tem que olhar primeiro pra gente. Jamais devemos tentar criar confusão na cabeça do povo por conta de desavenças. O candidato deveria se sentir enobrecido de disputar e jamais usar artifícios contra o povo. Se vier (Braga) novamente as três mil e quinhentas inserções contra mim, sempre repugnantes, vou usar um velho ditado: Os cães ladram e a caravana passa”, declarou o “Negão”.

“Eu devo confessar a vocês que estou com uma alegria incontida, porque esse reconhecimento do povo, nessa altura da minha vida, são coisas espirituais, são coisas do coração. Nossa campanha foi de paz, de respeito todos, até mesmo respeitei aqueles que fizeram mais de três mil inserções contra a gente. Mas a universidade da vida ensina a tolerância e foi o que pautou a nossa caminhada”, avisou o pedetista.

“Exatamente nesse momento todo eleitor era um rei, uma rainha. Essa é a beleza da democracia. Quero agradecer todos os companheiros, desde os mais simples, que estiveram um lampejo de esperança. Saberei ser grato sem complicar ou deixar de dar solução aos problemas da administração, em primeiro lugar vem o povo, depois eles. Vou pedir a Deus muita competência e confiança. Se eu não tivesse competência estaria na minha casa. Eu já era um homem conquistado, mas hoje sou um homem apaixonado pelo povo amazonense”, acrescentou.

Negão fez barba, cabelo e bigode

Amazonino (PDT) conseguiu mais votos em 28 cidades do interior, incluindo os quatro principais munícipios em número de eleitores: Manacapuru, Parintins, Itacoatiara e Tefé.

Braga (PMDB) foi o mais votado em 27 e Rebecca Garcia (PP), em seis municípios.

Na capital Manaus, Amazonino também foi o primeiro colocado.

Amazonino venceu em todas as zonas eleitorais de Manaus no 1º turno.

No interior, ele teve mais votos em Apuí, Alvarães, Amaturá, Autazes, Barcelos, Beruri, Boa Vista do Ramos, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Codajás, Eirunepé, Envira, Iranduba, Itacoatiara, Itamarati, Manacapuru, Manicoré, Maués, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tefé, Tonantins e Fonte Boa.

Braga ganhou em Anamã, Atalaia do Norte, Barreirinha, Benjamim Constant, Boca do Acre, Borba, Caapiranga, Carauari, Guajará, Ipixuna, Itapiranga, Japurá, Jutaí, Lábrea, Manaquiri, Manicoré, Maraã, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Presidente Figueiredo, Santa Isabel do Rio Negro, Santo Antônio do Iça, São Paulo de Olivença, Silves, Tabatinga, Tapauá, Urucará e Urucurituba.

A terceira colocada no primeiro turno, Rebecca Garcia (PP) recebeu mais votos em: Anori, Canutama, Humaitá, Juruá, Rio Preto da Eva e Uarini.

sexta-feira, agosto 04, 2017

ABC do Fausto Wolff (Parte 31)


HARÉM – Ainda existem haréns, sim senhores. Não são os mesmos, pois há cinquenta anos emires, sultões e califas apanhavam as moças na marra em qualquer lugar do mundo, até mesmo na Barra da Tijuca. Hoje não. Hoje a coisa é toda legal: contrato com salário, direitos, obrigações, tempo de serviço, etc.
Três mil anos antes de Cristo já havia haréns na Caldeia e ainda agora eles proliferam no mundo afro-asiático.
Sultões tem olheiros mulherais assim como os técnicos de futebol têm olheiros cracais, sério!
Certos sultões da Turquia possuíam haréns com mais de trezentas mulheres guardadas por eunucos incapazes de procriar, mas ainda sexualmente potentes.
Se um deles, porém, fosse descoberto levantando a asa para uma concubina o seu pau ia fazer companhia aos culhões no estômago do gato do califa.
Ainda hoje em dia, como antigamente, as recém-chegadas ao harém são treinadas pelas amantes mais velhas, que já sabem as sacanagens que mais agradam ao patrão.
Aquelas escolhidas por ele desfilam peladas para serem aplaudidas pelas colegas antes de se dirigirem à imensa cama do chefe.
Começa então o show de mão naquilo, aquilo na mão, a boca naquilo, aquilo naquilo e daquilo praquilo e depois pro rabo, voltando pra xota e vice-versa até a hora da satisfação mais completa.
Antigamente as concubinas usavam os véus que Salomé tirou um a um enquanto dançava para Herodes a fim de conseguir a cabeça superior (não estou dizendo que o profeta era inteligente, se me entendem) de João Batista.
Hoje em dia, porém, os Ibrahins, o Muhameds e os Faissais do deserto preferem mesmo é minissaia e meias pretas com cinta liga.
Certas meninas, mais ambiciosas, chegam a exercer uma incrível influência política sobre o patrão. Foi, por exemplo, o caso da francesinha Aimée Dubock de Rivery, que foi raptada na França, quase no fim do século XVIII, e chegou a ser a nº 1 do harém de Abdul Hamid I, da Turquia.
Seu poder sobre o sultão era tamanho que as autoridades francesas não tomavam nenhuma atitude em relação à Turquia sem consultá-la.
Eminência-parda por eminência-parda eu preferiria a Aimée ao falecido Golbery, por exemplo.
Só tem um troço: se mijasse fora do penico (ou seja, se sentasse em outro mastro que não o do sultão) corria o risco de ter a cabeça separada do pescoço bruscamente.
Um sultão chamado Ibrahim (ninguém nasce com este nome impunemente, conforme já provaram as gracinhas de um colunista social e de um ex-ministro da Justiça) chegou a afogar trezentas concubinas numa só noite.
Se o homem foi corneado por todas as trezentas, tinha mesmo que tomar uma atitude pois certamente não havia um só lugarzinho vago na sua testa.
Ainda hoje em dia intriguinhas de salão e fazer doce na hora de dar o doce são punidos com castigos mais leves, como cem varadas na bunda.
O Topkapi – lembram do filme com o Peter Ustinov? –, hoje um museu em Constantinopla, foi o mais famoso de todos os haréns. Construído em 1439, linda é lembrado pelas grandes sacanagens lá cometidas pelos sucessivos sultões e seus mulherios.
E hoje? Bem, hoje em dia, volta e meia os jornais publicam a descoberta de tráfico de escravas brancas. Os sheiks mais moderninhos, porém, preferem mandar seus olheiros para cidades como Copenhague, Estocolmo, Oslo, Helsinki, Reikjavik, onde publicam anúncios nos jornais solicitando “acompanhante para riquíssimo homem de negócios”.
As jovens fazem contratos de seis meses, e até dois anos. Algumas retornam ricas para suas cidades, como uma moça chamada Karen Olsen, que conheci na cidade dinamarquesa de Aarhus. Outras se habituam com a vida do harém.
Nada que possa interessar às nossas feministas, embora as lutas aranhais sejam muito comuns e até mesmo incentivadas no Norte da Europa.
Por quê? Ora, se um cara tem trinta mulheres e elas só podem fuder com ele, é natural que mais cedo ou mais tarde acabem por se divertir entre si.
Perguntei um dia a Jaguar, enquanto derrubávamos algumas dúzias de cerveja no Degrau de Ipanema, se ele gostaria de ter um harém. Respondeu: “Claro que não. Se um dia eu quisesse dar uma trepadinha fora de casa, teria que arranjar trezentas desculpas”.

HARI, Mata (1876-1917) – Gertrude Margareta Zelle, recém-saída de uni convento em Amsterdã, não deveria ter lido o jornal naquela manhã. Mas Ieu e deu de cara com um anúncio mandado publicar, de sacanagem, pelos amigos do capitão Rudolph MacLeod. O anúncio dizia que ele procurava uma esposa.
Ela se apresentou e o que deveria ser uma brincadeira se transformou em casamento mesmo, embora ele tivesse vinte e um anos a mais que ela.
Viveram dois anos na Holanda e tiveram um filho, Normam.
Os passatempos do capitão eram encher a cara, comer a mulher e depois bater nela (na mulher, não na cara).
Em 1896 o oficial foi transferido com a família para a índia, onde Gertrude (que tinha realmente um corpo, uma voz, uma inteligência e olhos dando forma a uma magnética personalidade), quando não estava sendo comida nem apanhando do marido, aproveitava para aprender tudo sobre a Índia: a língua, a religião, a arte, mas, principalmente, as danças exóticas.
Uma babá a quem MacLeod também comera, enciumada, envenenou o filho do casal e foi em seguida estrangulada por Gertrude Margareta.
Ela teve mais um filho do militar – a menina Banda – e em 1900 a família voltou para a Holanda.
Lá, em 1904, ela informou ao marido que havia enchido e uma noite fugiu para Paris.
Saía Gertrude Margareta e entrava em cena Mata Hari, filha de uma dançarina de um templo indiano, criada por monges budistas.
Tomou conta de Paris, literalmente, depois de alguns meses e sem auxílio da TV Globo.
Ela dançava, mas dançava nua. Era puta, sim, mas não uma puta comum: conhecia várias línguas, lera muito, tinha uma voz extremamente agradável e devia chupar uma rola como ninguém, pois cobrava 7.500 dólares por uma trepada.
Entre 1904 e 1917, quem gostasse de mulher e tivesse dinheiro certamente passou pela sua cama. Seu negócio era grana, mas, às vezes, fazia exceções para jovens oficiais, como um russo pelo qual, dizem, teria se apaixonado.
Mata Hari, que em hindu quer dizer “olho do sol”, gostava de fuder, mas não gostava de homens. MacLeod fez com que os odiasse para sempre.
Talvez isso, talvez o fato de já estar perto dos quarenta fez com que em 1913 fosse contatada pelos alemães e topasse ser espiã.
Segundo os franceses, as informações que a bailarina Mata Hari conseguiu na cama e depois repassou para os alemães durante quase toda a guerra custaram a vida de quase 100 mil soldados.
Acabou sendo presa graças aos alemães para os quais, além de custar muito caro, não dava mais informações importantes, pois que os serviços secretos aliados já suspeitavam dela.
Foi condenada à morte. Seus amantes, entretanto, bolavam planos audaciosos para salvá-la do pelotão de fuzilamento.
Um idiota sugeriu que, antes do pelotão disparar, ela deveria abrir o roupão e deixar se ver nua. “Nenhum francês ousará mutilar tão belo corpo.”
Outro, um aviador, prometeu dar voos rasantes e disparar contra o pelotão.
Clunet, o mais famoso advogado de Paris, já com setenta anos, diria que Mata Hari tinha no ventre um filho seu e, como havia uma lei dizendo que mulheres grávidas não podiam ser executadas, ela seria salva.
Um último subornaria os atiradores para usarem em seus rifles apenas pólvora seca.
Nada disso aconteceu. Ela morreu com classe, sorrindo para seus matadores.
Um dia perguntaram a ela, na prisão, por que aceitara ser espia dos alemães. E ela: “Eles me convidaram primeiro”.
Sua filha Banda teve a mesma sorte. Era espiã americana na Coreia do Norte em 1948 e foi fuzilada pelos comunistas.
Pessoalmente, eu não acredito numa só linha deste verbete, mas se 50% for verdade, então ela foi a maior espiã da história da humanidade, desde que a palestina Dalila visitou a cama do judeu Sansão para descobrir de onde vinha a sua força.
Mata Hari merece ser melhor estudada.

HAVELOCK ELLIS, Henrick (1859-1939) – Embora os discípulos de Freud desconversem, a verdade é que ele chupou muito no bom Havelock, apesar de ser mais velho do que ele. Aliás, morreram no mesmo ano. Mas conversaremos depois sobre isso. Médico e psicólogo, ele foi avançado demais para o seu tempo, E pensar que tudo começou com uma inocente mijada da mãe dele.
Foi assim: um dia, aproveitando o fato de que seu marido, um capitão da Marinha estava viajando, a mãe do pequeno Henrique levou-o a passear no jardim zoológico de Londres.
Como o banheiro devia estar longe (pessoalmente, acredito que não houvesse nenhum), ela simplesmente parou de repente, abriu as pernas e fechou os olhos. Quando voltou a caminhar, no lugar onde estivera parada ficara um pequeno lago de mijo.
Ao ver que estava sendo observada pelo garoto de doze anos, disse: “Não era para você ver”. Ainda assim deu mais umas mijadas na frente dele durante o passeio. Devia ser moda na época.
A verdade é que, ao ver a mãe mijar, aconteceram duas coisas com o pequeno Ellis: seu pequeno pau ficou duro e seu interesse sexual cresceu.
Para um cara tão interessado no comportamento sexual em geral, ele teve uma vida sexual de merda, pelo menos até os trinta anos.
Senão vejamos:
1) aos sete anos aprendeu com um garoto da mesma idade como bater punheta mas não gostou;
2) mais ou menos com a mesma idade um garoto adolescente pediu que ele segurasse no pau dele, o que fez, ficando impressionado com o tamanho;
3) quando o pai viajava, vivia com a mãe e mais cinco irmãs maiores em casa. Volta e meia as surpreendia peladas, mas gostava mesmo era de vê-las mijar;
4) esporrava na cama pelo menos umas duas vezes por semana e anotava os sonhos com mulheres mijando;
5) aos dezoito anos conseguiu ejacular acordado lendo um livro, mas jamais bateu uma punheta;
6) com vinte anos, depois de passar alguns anos ensinando na Austrália, voltou à Inglaterra, onde ficou amigo de uma jovem escritora, Olive Schreiner, que passava os fins de semana com ele. Pelados, os dois examinavam esperma através de um microscópio mas, segundo ele, nunca tiveram uma relação sexual;
7) aos trinta e dois anos se casou com Edith Lees, que era virgem como ele. Tiveram uma vida sexual de bosta, pois ela se achava maníaca depressiva e por isso não queria ter filhos; além disso, se negava a mijar para ele ver. Fora da cama se davam bem, de modo que resolveram encerrar as atividades fodais depois de cinco anos de casamento. A verdade é que a nossa Edith era sapato e arranjava mulheres para ela e para ele;
8) quando Edith morreu em 1919 ele foi viver com a tradutora dos seus livros para o francês, Françoise Delisle, que fudeu com ele durante vinte anos e não se incomodava de mijar para ele ver.
Seu trabalho mais importante foi Studies in the Psychology of Sex, que – podem crer – nunca foi publicado no Brasil. Foi neste livro que Freud chupou muito.
O livro foi proibido na Inglaterra da rainha Vitória, nos Estados Unidos só podia ser adquirido por médicos mas teve larga aceitação na França e na Alemanha.
Eis algumas das suas conclusões: a periodicidade, baseada nas fases da lua e nas estações do ano, é característica do comportamento sexual humano; antes da adolescência, as crianças têm consciência de sua sexualidade; o homem atinge o auge da sua atividade sexual antes da mulher; as mulheres têm desejos sexuais mais fortes do que se supõe e podem ter múltiplos orgasmos; a impotência e a frigidez têm mais causas psicológicas que físicas; as mulheres só são frias porque são mais reprimidas e porque muitos homens não sabem fazer amor propriamente; todos os sentidos são importantes nos atos sexuais.
Finalmente, as feministas deveriam lê-lo um pouco mais, pois já no século XIX ele dizia que qualquer prostituta é mais livre que uma mulher que casa para ser sustentada.
Grande amigo dos três homens mais esclarecidos da Inglaterra do seu tempo – Bernard Shaw, Chesterton e H.G. Wells –, Havelock Ellis cunhou os termos narcisista e auto- erotismo, posteriormente usados por Freud e sua tchurma. Além disso se dava ao luxo de escrever bem.

ABC do Fausto Wolff (Parte 32)


HERMAFRODITA-HERMAFRODITISMO – O hermafrodita sofre, naturalmente, de hermafroditismo, uma anomalia sexual raríssima. O hermafrodita tem características sexuais de ambos os sexos e mais os cromossomos macho-fêmea XX e XY.

A escolha do sexo deve ser feita logo após o nascimento, geralmente baseada nas condições externas da genitália, ou seja, qual o sexo predominante. Depois disso segue-se uma cirurgia para remover os resquícios do sexo intrometido. A genitália que permanece é, então, reconstruída de modo a se assemelhar com o sexo escolhido.
Quando isso acontece em centros urbanos e o hermafrodita tem pais esclarecidos, a coisa é mais simples. No interior do Brasil, porém, é muito comum a notícia de homens que dão à luz. “Rapaiz, tu sabe o Chicão, aquele mulato grande?”. “Manjo”. “Pois tá prenho.”
A palavra vem do grego, da junção de Hermes e Afrodite. Há, ainda, uma versão de que os dois teriam tido um filho, Hermafrodito, que seria meio-homem, meio-mulher.
Hipócrates, o primeiro médico da antiguidade grega a fazer anotações, registra um caso de hermafroditismo.
Em 1955, os Drs. Money e Hamson estudaram 76 casos e chegaram à conclusão de que, quando os pais não tratam de operar o filho-filha, ele-ela adotará o sexo que os pais decidiram que é o dele.
Se for criado como filho, gostará de esportes, preferirá roupas de homem e acabará se apaixonando por uma mulher e vice-versa.
Não acredito, pois nem sempre as características são fifty-fifty e aí o que predominará será a genitália mais desenvolvida.
Rogéria, a famosa travesti, sempre jurou que nunca quis ser mulher. Disse ela uma vez: “Sou hedonista e a melhor coisa da vida para mim é o prazer. Ser hermafrodita seria o maior barato. Assim, quando alguém dissesse ‘Vai te fuder’, eu ia.”

HETERA – Personagem do meu romance Matem o Cantor e Chamem o Garçom, mas em grego (hetaíra) significa “companhia” e “prostituta”. Mas não qualquer uma. Eram prostitutas de primeira classe. As de segunda e terceira eram as peripatéticas, ou seja, as que caminhavam pela rua rodando as bolsinhas e as dançarinas que, como as do Brasil Danças e do Escandinávia, estavam lá para dançar e trepavam – preço a combinar – se quisessem.
O que havia de tão especial com as heteras, minha senhora? Primeiro, como as gueixas japonesas, eram extremamente inteligentes, versadas em todas as formas de arte.
Segundo: eram extremamente boas e com isso não quero dizer que viviam dando esmolas para mendigos.
Além disso, eram especialistas em coito anal. Escolhiam seus clientes e, às vezes, eram capazes de serem fiéis aos seus amantes por anos, coisa que não se pode dizer de muita esposinha de papel passado e tudo.
Seu status era superior ao da esposa que vivia confinada ao lar e não participava da vida pública.
Dizem que foi por culpa de Aspásia, a amante de Péricles, que estourou a guerra contra Esparta.
Thais, outra hetera, acompanhou Alexandre, que, eventualmente, praticava o feio vício de enturmar marmotas quase tão grandes como ele, que era conhecido como “Alexandre, o Grande”.
Depois de ver as guerras de Alexandre de sua tenda, Thais acabou casando com o rei Ptolomeu, do Egito, outro entubador.
Frinéia foi a hetera mais famosa de todas e posou para o escultor Praxíteles, que cobrou os tubos para fazer sua estátua. Apesar disso, ela achou o trabalho tão bom que escreveu ao artista: “Agora só falta você me comer”. Ele comeu e ela não cobrou, troço raríssimo.
Que Demóstenes era gago qualquer vereador do interior do Nordeste sabe. E que curou a gagueira falando com a boca cheia de pedrinhas, também.
O que poucos sabem é que o bicho era mais feio que o Adolfo Bloch e o César Calls juntos. Está certo, eu exagerei. De qualquer modo o bicho era quase tão feito quanto os dois.
Um dia, através de um amigo, ele marcou um encontro com outra hetera famosa, Laís, que pediu mil dracmas, que hoje pode não ser nada, mas 2.100 anos atrás era dracma pacas. Mas quando ela viu Demóstenes em pêlo aumentou o preço para 10 mil dracmas.
Eram as heteras que posavam para a maioria das estátuas gregas ainda hoje existentes. Repararam no popô das moças? Aphrodite Callipygos quer dizer, literalmente, “Vênus boa de bunda” e o número enorme de estátuas dela parece confirmar a preferência sexual dos gregos.

HITE, Shere (1943- ) – Difícil vê-la sem pensar em performar-lhe um cunnilingus. Dá a impressão de ter acabado de sair do banho, não importa a hora que você a encontre. Tem a beleza clássica de Deborah Kerr, por exemplo, mas dá pra se notar que a menina dos seus olhos está sempre informando: “Por trás dessa classe toda, eu sou bem sacana”.
A conheci em Roma, através de T. Grace Atkinsons, cuja irmã era minha vizinha. Não comi.
Se você acha que batalhadora feminista tem necessariamente que dar a impressão de que gostaria de estar coçando os culhões, caso os tivesse, devia conhecer a Shere.
Depois de receber o seu diploma de Master of Arts em história das ideias, da Universidade da Flórida, ela foi para New York e se matriculou na Universidade de Columbia, onde pretendia ganhar seu PhD em sociologia. Mas, boa pacas, acabou aceitando um convite para ser modelo, não só em New York como em Paris, Roma e Milão.
Nesta época – no meio dos anos 60 – deve ter sido muito mal comida, o que, talvez, tenha feito com que decidisse descobrir a quantas andava a sexualidade feminina.
Shere não gosta de falar sobre seu tempo de modelo. Diz ela: “Quando digo que fui modelo, todo mundo pensa que sou frívola”.
E não é para pensar? Conhecem alguma profissão mais idiota do que desfilar para ricaças e ser cantada por ricaços? O que não impede que uma modelo, dessas que só tem cocô na cabeça mesmo, um dia chegue à Presidência dos Estados Unidos.
Reagan, caso ainda não tenha sido assassinado, é a prova viva de que tudo é possível.
Para descobrir a quantas andava a sexualidade feminina, mandou questionários a 3.019 mulheres perguntando literalmente TUDO sobre a vida sexual delas.
O livro – Relatório Hite, como acabou sendo chamado e foi publicado até em português – saiu em 1976 e, na minha opinião, é o documento mais honesto e sem reservas que já li sobre o assunto.
Eis alguns resultados da pesquisa realizada apenas entre as mulheres americanas:
1) somente 30% das mulheres obtêm orgasmo através da relação sexual normal, ou seja, através da entrada e saída do pênis da vagina;
2) 29% nunca tiveram um orgasmo durante o ato sexual, mas gostam de pratica-lo por causa da intimidade que ele provoca;
3) 82% das entrevistadas se masturbam e 95% declaram que chegam ao orgasmo deste modo com facilidade;
4) a maioria também aprecia o cunnilingus e 45% das apreciadoras gozam deste jeito;
5) mais da metade acha que os homens não estão interessados em levar a mulher ao orgasmo e que depois de alguns minutos de bolinação, ocorre a penetração, a relação, a ejaculação e fim de papo. (Tem muito idiota aí que diz: “Mas eu comia ela todo o dia. Por que foi me cornear?” Resposta: “Porque você a comia mal, seu muar”.);
6) um grande número de mulheres admitiu fingi que gozava e uma, gozadora, comentou: “A coisa toda acaba quando o homem goza, a não ser que a mulher tenha a sorte de ter dois deles na cama”.
Não sei não, mas, pessoalmente, acho que o cara que convida um amigo para juntos comeram uma mulher, está mesmo a fim de dar o rabo pro amigo. Pois se ele já tem a mulher, pra que dividi-la?
Finalmente, o relatório demonstrou que as mulheres, com raras exceções, mais que orgasmos querem afeto espontâneo e comunicação com menos ênfase na genitália que nas emoções.
E a nossa Hite, o que achou? Bem, ela acha que o pênis é uma espécie de dissolvedor do orgasmo feminino e que a relação sexual não existe para levar a mulher ao orgasmo.
Shere Hite não é casada, não se sabe se trepou e, em caso positivo, com quem e com quais resultados.
Minha opinião: acho que o dedo médio da mão direita dela está apaixonado pelo clitóris. Vivem se esfregando e não dão bola pra mais ninguém.
Além de muito instrutivo, seu relatório é bem escrito. Certos trechos valem uma punheta.

ABC do Fausto Wolff (Parte 33)


HITLER, Adolf (1889-1945) – Este não brincou. Sacaneou logo miIhões de pessoas, dezenas de países e todos os continentes. Já se especulou muito sobre a vida sexual do ditador alemão, mas parece que ele não era muito chegado a exacerbações, pelo menos nesta área. Há quem diga que sua megalomania belicista teria sido provocada por uma grave lesão no cérebro, por sua vez, causada por uma sífilis terciária.
Os defensores desta teoria alegam que ela explica os comentários sobre doenças venéreas que o maior imitador de Charles Chapim faz em seu livro Mein Kampf, copidescado pelo recentemente falecido Rudolf Hess.
Diz ele num trecho lá: “O problema de dar fim às doenças venéreas não deve ser colocado diante da nação como um dever mas sim como o dever.”
Se pensarmos nos estragos que a AIDS vem fazendo e aparentemente ainda pretenda fazer, até que ele não estava tão errado.
Outra teoria afirma que ele era caovo (Quem é caolho não tem um olho? Logo, quem não tem um ovo...).
Sua confidente Putzi Hafstangel teria dito: “Sua energia não tem limites. Acho que só relaxará depois que subjugar seu staff, o país, a Europa e, finalmente, o mundo”.
Enfim, o bigodinho que tinha dificuldade de comer uma só mulher queria mesmo era enrabar a nós todos. O que pode provocar a ausência de um ovo!!!
Além das revistinhas de sacanagens que eram fornecidas por seu chofer Maurice, somente duas mulheres conseguiram despertar o seu interesse.
A primeira, Geni Rabal, era filha da sua meia-irmã. Tinha só dezessete anos e, enquanto a mãe arrumava a casa de Hitler, ela se encarregava de desarrumar sua cama.
Hitler seria ciumentíssimo e ao descobrir que Geni estava dando para o Maurice, a mandou embora. Ninguém entendeu por que ele não mandou o Maurice embora também.
Em 1931, ela deu um tiro na cabeça e a de Hitler aproveitou para entortar um pouco mais. Isso não o impediu de se tornar presidente da República e o resto todo mundo sabe.
Só voltou a se interessar por mulheres em 1933.
Desta vez foi Eva Braun, burguesinha, rechonchuda, de olhos azuis que ameaçou se suicidar para demonstrar sua devoção. Presume-se que ele tenha acabado por levá-la para a cama.
Certo é que a matou em 1944, dois dias depois do casamento, e em seguida deu um tiro nos cornos. Falo cornos por causa do Maurice, este sim, um homem corajoso.
Qualquer corcundinha de Pilares tem uma vida sexual bem mais excitante do que a que Hitler teve sem ter que sacanear ninguém.
E olhem que se só comeu duas mulheres na vida (e, aparentemente, mal) foi porque quis, pois o mulherio vinha de todos os cantos do mundo – ricas, pobres, burguesas, bonitas, feias, agnósticas e religiosas – para dar pra ele.
Para mim, o verdadeiro sacana foi o diretor da Escola de Belas-Artes de Viena, que reprovou Hitler no exame de admissão.
Depois de ouvi-lo dizer que seus quadros não prestavam, saiu ameaçando: “Vocês vão ver o que eu vou aprontar”.
E aprontou.

HOMOSSEXUALISMO – Existem homossexuais masculinos e femininos. Os últimos são muito mais bonitinhos, principalmente porque não têm pau. Deles trataremos no verbete dedicado ao lesbianismo.

Homossexual quer dizer “atração pelo mesmo sexo” e não, como muitos ignorabus podem pensar, “homem sexual” ou “sabão em pó usado por viados”.

O termo foi cunhado por Benckert, um médico húngaro, em 1869. O homossexual, enfim, é o cara que gosta de dar (ou comer) o rabo de um outro homem.
Há alguns anos fui convidado por uma estação de TV para fazer uma entrevista com o famoso general Newton Cruz, ex-chefe do SNI. Quando perguntei sua opinião sobre César, Alexandre da Macedônia, Ricardo Coração de Leão e Frederico o Grande, da Prússia, ele respondeu que os admirava muito.
Me causou estranheza porque minutos antes criticara Polila (que continua acusando-o de sequestro do Baumgarten), tão homossexual quanto os chefes militares objeto da admiração do general. Alexandre, além de homossexual, era epilético, tal qual Polila.
Eis uma lista de renomados e celebrados homossexuais: Zenão (filósofo grego, 500 a.C.) Sófocles (autor de tragédias, 490-406 a.C), Sócrates (filósofo grego 470-399 a.C), Aristóteles (filósofo grego, 384-332 a.C), todos os césares de Roma (talvez, segundo Robert Graves, com a exceção de Cláudio), Leonardo da Vinci (pintor e cientista italiano, 1452-1519), Ricardo II (rei da Inglaterra, 1367-1400), Cristopher Marlowe (dramaturgo inglês, 1564-1593), James I (rei da Inglaterra, 1566-1625), John Milton (poeta inglês, 1632-1674), Jean-Baptiste Lully (compositor francês ,1632-1674), Gustavo III (rei da Suécia, 1746-1792), Alexander von Humboldt (barão e naturalista alemão que andou pelo Brasil, 1769-1859), Walt Whitman (poeta americano, 1819-1892), Samuel Butler (autor britânico, 1835-1902), Pietr Ilich Tchaikovsky (compositor russo, 1840-1893), Algemon Swinburne (poeta inglês, 1837-1909), Paul Verlaine (poeta francês, 1844-1896), André Gide (romancista francês, 1869-1951), Marcel Proust (romancista francês, 1871-1922), John Maynard Keynes (economista inglês, 1883-1946), Erns Roehm (líder nazista, 1887-1934), T.E. Lawrence (escritor e militar inglês que o cinema transformou em Lawrence da Arábia, 1888-1935), Jean Cocteau (diretor de teatro, cinema, poeta francês, 1889-1963), Dag Hamarskjolk (secretário-geral das Nações Unidas, sueco, 1905-1961), Tennessee Williams (autor teatral americano, 1911-1986), Brendan Behan (dramaturgo irlandês, 1923-1964).
Eu não estou aqui pra informar quem é ou não bicha pra ninguém. Estou publicando esta lista porque ela foi divulgada pelo People’s Almanac, de Irwing Wallace, e, é claro, porque estão todos mortos.
Entre os vivos assumidos que fazem questão de espalhar seu homossexualismo estão Rudolf Nureyev, Gore Vidal, Roger Peyrefitte, Allen Ginsberg, entre milhares de outros.
Pessoalmente, só vou começar a me preocupar quando começarem a espalhar que quem faz amor com mulher é bicha.
Na Inglaterra, alguns anos atrás, um senhor procurou o Ministério do Exterior para saber como poderia mudar de nacionalidade: “Mas o senhor não é cidadão britânico?”. “Sou, mas quero ser cidadão de qualquer outro país”. “Mas geralmente são cidadãos de outro país que querem se tornar súditos de Sua Majestade Elizabeth II. Agora vem o senhor e diz que não quer mais ser inglês. Por quê?”, perguntou o funcionário, ligeiramente ofendido.

“Porque dos tempos de Henrique VIII aos da rainha Vitória, o homossexualismo era punido com a pena de morte. Em 1861 começaram a liberalizar e os homossexuais passaram a ser condenados apenas à prisão perpétua. Mais tarde, em 1885, Oscar Wilde foi condenado somente a dois anos de trabalhos forçados. Nos últimos anos, o homossexualismo passou a não ser considerado contravenção e hoje em dia eles estão casando entre si. Quero mudar de nacionalidade antes que passe uma lei tornando o homossexualismo obrigatório.”
PS: Para não fazer um verbete especial: heterossexualismo vem do grego e quer dizer “atração pelo sexo oposto”.

HORMÔNIOS – Secreções glandulares que regulam as transformações do corpo humano. Os hormônios – no homem, o testosterona, na mulher, o estrógeno – são os responsáveis pelo desenvolvimento sexual.

Homens e mulheres têm hormônios de ambos os tipos no sangue, mas é claro que nos primeiros predomina o masculino. Quando acontece o contrário, a mulher começa a cultivar um belo bigode e o homem a aplicar nervosamente muita base, rímel, ruge e batom no rostinho.
Apesar disso está cientificamente provado que não adianta dar hormônios masculinos a um rapaz adulto cultor de ferros, gansos e quiabos, pois ele continuará rodando à baiana.
É na puberdade que os hormônios ajudam os homens a terem barba e as mulheres a desenvolverem os belos seios, as saudáveis bundas e as coloridas menstruações.
Se neste período os hormônios se demonstrarem deficientes, o desenvolvimento se tornará irregular.
No interior de Minas Gerais, por exemplo, um menino, Juquinha, já aos três anos era dono de uma jeba de 12 centímetros, tinha o corpo peludo e demonstrava um interesse fora do comum pelas coxas das tias.
O que também não quer dizer nada, poiso que há de baitolo cabeludo não está no Guinness Book of Records: King-Kongs com alma de Margot Fontayn.
Em países ricos tais disfunções, quando detectadas a tempo, podem ser corrigidas. Nos Estados Unidos, injeções de estrógeno são aplicadas em mulheres na menopausa para que a elasticidade da vagina se mantenha.
O travesti que se prepara para fazer a “operação” toma continuamente injeções de estrógeno para que os seios cresçam e a barba pare de crescer.
Se uma mulher tomar hormônios masculinos, seu apetite sexual aumentará muito, mas às custas de um vistoso cavanhaque.
O broxão, por sua vez, poderá tomar um caminhão de hormônios masculinos, mas a sua cabeça inferior continuará naquela posição humilde de quem está confessando um pecado. É que o problema está na cabeça de cima.
Esses tempos descobriram uma droga chamada cyproterene que é o anti-hormônio e vem sendo aplicado em viados e valentes que querem dar pra todo mundo ou comer todo mundo na marra, na base do muque, da faca, do revólver, da ameaça e da porrada.
Os caras que tomaram a droga ficaram calmões, calmões. As bichas deixaram de dar e os bocas de fogo deixaram de comer. Perderam o interesse, compreendem?