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sexta-feira, dezembro 11, 2015

A vida secreta de Lord Byron (22/JAN/1788 - 19/ABR/1824)


George Gordon Noel Byron certa vez escreveu “A verdade é sempre estranha”. “Mais estranha do que a ficção.” Em uma linha de verso ele nos forneceu tanto um truísmo que ouvimos até hoje como também o resumo do que foi a sua breve, escandalosa e hedonística vida.

Quando você é o filho de um homem conhecido como “Jack Louco”, as chances são de que esteja preparado para uma jornada desregrada. O pequeno George não pôde conhecer muito bem o pai, pois o velho e bom papai morreu de tanto beber quando o garoto tinha apenas três anos. Porém, o legado de excessos de Jack Louco penetrou no inconsciente do seu rebento, se não em seus genes.

De qualquer modo, Byron tinha poucas opções além de ser o filho do seu pai, uma vez que a mãe o odiava. Ela o chamava de “pirralho manco” por conta de uma deformidade que ele tinha de pé, e certa vez tentou surrá-lo até a morte com um par de tenazes de lareira. Ainda pior, existem relatos de que a governanta de Byron, May Gray, o molestou quando ele tinha a idade de nove anos.

Talvez a única coisa boa que tenha acontecido na infância de George foi ter herdado a fortuna de seu tio, juntamente com o título: Barão Byron de Rochedale. Dali em diante, George Gordon passou a ser conhecido como Lord Byron.

Quando cresceu ele se tornou um homem extremamente atraente. Exceto pelo defeito no pé, a única imperfeição de Byron era uma tendência a engordar. Num padrão típico do século XIX, ele superou essa predisposição passando fome e ingerido copiosas quantidades de laxante. O sexo provou ser o seu verdadeiro alimento, de qualquer maneira.


Byron era o dom-juan da sua época, e diz-se que chegou a levar 250 mulheres para a cama em Veneza, em apenas um ano. Sua longa lista de amantes incluía Lady Caroline Lamb (que admiravelmente o descreveu como “louco, maldoso e perigoso de se conhecer”), sua prima Anne Isabella Milbanke (que se tornou Lady Byron em 1815) e, segundo relatos, a própria meio-irmã, Augusta Leigh.

Tampouco ele se restringia ao sexo feminino. Byron teve numerosos casos homossexuais, frequentemente com garotos menores de idade. A não ser pelos exóticos animais que ele mantinha como companhia, parecia não haver muitas criaturas com as quais ele não se interessasse em fazer sexo.

Como consequência, Byron se tornou o libertino mais festejado da Europa. Suas realizações poéticas jamais acumularam tanta atenção quanto os rumores desenfreados que se espalhavam a seu respeito. Por estranho que seja, boa parte dos boatos envolvia Byron bebendo vinho no crânio de uma antiga amante... As lendas tendiam a superar a realidade.

Farta das traições, Lady Byron entregou ao marido os papéis do divórcio em 1816 – apenas um ano depois do casamento. Ele então trocou a Inglaterra pelo continente e nunca mais retornou. Foi a única maneira de evitar a censura pública da sociedade britânica.

Byron passou o verão na Suíça com seu médico particular, Jonh Polidori. Ele fizeram uma amizade com o poeta Percy Bysshe Shelley e sua noiva, Mary Godwin. Quando chovia, eles se divertiam escrevendo histórias de terror. Mary produziu uma versão inicial do que se tornaria o seu romance Frankenstein, enquanto Polidori usou Byron como inspiração para O Vampiro. A história de um gentil nobre inglês que sugava o sangue de vítimas inocentes e confiantes provaria ser a principal influência no romance Drácula, de Bram Stoker.


Da Suíça, Byron viajou para a Itália, onde teve um caso com a muito bem casada Condessa Teresa Guicciolli. Lá ele permaneceu até 1823, quando então partiu para a Grécia e para um encontro com o destino, auxiliando o movimento de independência grego a expulsar os turcos otomanos. Apesar de uma absoluta falta de experiência militar, Byron ajudou no treinamento de tropas e forneceu o dinheiro necessário para as forças rebeldes. Até hoje ele é considerado um herói nacional da Grécia.

Porém, antes de poder participar de qualquer ação, Byron foi atingido por um ataque de malária e morreu no domingo de Páscoa de 1824. Logo após a sua morte, que foi lamentada por toda a Inglaterra, um grupo de amigos dele reuniu-se em Londres para uma leitura das suas memórias. O manuscrito estava repleto de descrições vívidas das aventuras sexuais de Byron, algo que, na opinião do grupo, poderia destruir a sua reputação “heroica”, obtida a tanto custo. Determinados a não permitir que as memórias viessem à luz, eles atiraram as páginas no fogo.

As 50 bizarrices de Byron


Nos tempos anteriores à fotografia, Byron tinha uma maneira incomum de guardar lembranças das suas ex-amantes. Guardava fragmentos de pelos púbicos das antigas amantes em envelopes, anotando em cada um deles o nome da mulher imortalizada no interior.

Até a década de 1980, os envelopes e seus encaracolados conteúdos permaneciam em um arquivo na editora de Byron, em Londres. Depois disso, não se tem mais notícias do seu paradeiro.

Entre as muitas amantes de Byron é provável que estivesse incluída a sua própria meio-irmã, Augusta Leigh. Ela era casada na época, mas, e daí?, já que se está disposto a cometer adultério por que não ir até o fim e cometer incesto também?

Muitos acadêmicos atualmente sustentam que a filha de Augusta, Mendora, era na verdade o fruto do seu caso com Byron, tornando-o, por assim dizer, uma figura muito mais complicada do que pensávamos...

Além das mulheres casadas e dos jovens rapazes, Byron adorava animais. Em certa ocasião a sua exótica coleção incluía cavalos, gansos, um texugo, uma raposa, um papagaio, uma águia, um corvo, uma garça, um falcão, um crocodilo, cinco pavões, duas galinhas-de-angola e uma garça-azul egípcia.

Quando estudante em Cambridge, Byron manteve um filhote de urso em seu alojamento, como um atrevido protesto contra as regras da Universidade que proibiam cães nos dormitórios. Em uma de suas cartas, ele chegou ao ponto de sugerir que o seu companheiro urso se “candidatasse a uma bolsa de estudos”.

Byron também tinha animais mais convencionais. Costumava viajar levando cinco gatos, sendo que um deles se chamava Beppo (que foi também o título de um dos seus poemas). Talvez o mais conhecido dos animais de Byron tenha sido o seu cão da raça newfoundland, Boastwain, que morreu de hidrofobia em 1808, com cinco anos.

Em seu Memorial para Boatswain, Byron imortalizou seu cão em verso e erigiu um monumento a ele no túmulo da família, que é maior do que o próprio monumento a Byron.


Lady Byron não compartilhava o amor do seu marido pela fauna. Depois que se separaram, ela escreveu afirmando que “o motivo que leva algumas personalidade tirânicas a gostarem tanto de animais e os considerarem humanos é porque eles vão possuem o exercício da razão e não poderiam condenar a perversidade se seus donos”.

A morte de Byron aos trinta e seis anos foi desnecessária – o resultado de uma das mais mal-orientadas técnicas médicas do século XIX. Ele contraiu uma febre durante uma viagem a cavalo debaixo de chuva, no interior da Grécia, e foi literalmente sangrando até a morte pelos médicos.

Eles fixaram doze sanguessugas nas têmporas de Byron numa tentativa de “extrair” a causa da temperatura elevada. Também o fizeram ingerir óleo de rícino pra induzir a diarréia, outra prática comum na época e que hoje é considerada insana pelas autoridades médicas.

Ao todo, a brigada de sanguessugas extraiu quase meio litro de sangue de um homem já debilitado pela febre. Não é de admirar que Byron tenha passado a delirar, gritando em inglês e italiano. Provavelmente estava chamando o advogado. Menos de vinte e quatro horas depois, estava morto.

Byron havia esperado ser enterrado no Poet’s Corner da Abadia de Westminster, mas o diácono achou que sua má-fama não permitiria que fosse incluído ao lado de modelos de virtudes como Geoffrey Chaucer e Edmund Spenser. Em vez disso, Byron encontrou seu último descanso no túmulo da família em Hucknall Tockard.

Esse descanso foi perturbado em junho de 1938, quando numa mórbida experiência conduzida por motivos que ainda permanecem obscuros, quarenta pessoas se juntarem em volta da sua tumba recém-aberta, querendo dar “uma espiada” no corpo do poeta. Quando a tampa do caixão finalmente foi erguida, somente três almas corajosas ali permaneceram. Um desses palermas descreveu o cadáver de Byron como “em excelente estado de preservação”.

Exceto pela ausência do coração e do cérebro (que foram removidos durante a necropsia) e de um pé direito separado, Byron parecia muito bem para um sujeito que estivera se decompondo havia mais de 114 anos.

Uma testemunha salientou que o “órgão sexual demostrava um desenvolvimento bastante anormal”, em termos de comprimento e diâmetro. Bem-dotado até mesmo na morte, aparentemente Byron riu por último de seus exumadores. No dia seguinte o túmulo foi lacrado e o deixaram descansar em paz.

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