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quarta-feira, janeiro 05, 2011

Relembrando o Studio 54


Se você não está lembrado, dá licença, vou contar: o símbolo da onda disco foi um night-club nova-iorquino localizado na 54th West Street, de Manhattan, que ficou conhecido mundialmente como Studio 54.

O clube funcionou de 1977 a 1980 e o negócio era chegar no pedaço, invariavelmente, vestido (ou despido) para matar, porque lá dentro sexo, drogas e disco music eram de lei .

“Até quando vou ter que pedir desculpas por ter ido ao Studio 54?”, desabafou certa vez, para a revista Billboard, uma muito invocada Bianca Jagger tentando, definitivamente, colocar um ponto final na sua fama de doidivana e “arroz-de-festa”.


Ok, dona Bianca pode hoje ser uma muito comportada senhora, politicamente correta e articulada, com um olho – para não dizer os dois – na presidência da república de seu país natal, a Nicarágua.

Mas, voltando no tempo 33 anos, a eterna ex-sra. Mick Jagger era, por assim dizer, a alma dos embalos do Studio 54.

Até hoje, o Studio 54 e seu tempo respondem por nossas memórias mais remotas de cultura noturna, uma era de hedonismo, de uma sociedade sem culpas, sem perigos.

Na década de 70 vivia-se pós-pílula e pré-aids, quando libertinagem não trazia problemas para ninguém – muito pelo contrário.

A moda completava o vale-tudo e a comunidade gay começava a sair de seu closet (armário).

As “celebridades de um nome só”, como se convencionou chamar a geração de Calvin (Klein), Andy (Warhol), Liza (Minelli), Jerry (Hall) e Halston (Halston mesmo), eram os protagonistas de esbórnias e loucuras que deixariam o mais desvairado clubber de hoje morto de inveja.

Essas imagens chegavam às revistas e se inscreveram em nosso imaginário: o que dizer de Bianca Jagger montada num cavalo branco em sua festa de aniversário?


Foi um garoto suburbano de Queens, Nova York, chamado Steve Rubell que, junto com um amigo, Ian Schrager, e uma promoter ultraconectada, a peruana Carmem D’Alessio, criou o Studio 54. A casa foi um sucesso desde o início.

Nas mãos dos dois ambiciosos empresários, o chão de madeira de um antigo estúdio da emissora de TV CBS virou o palco para a celebração dos novos valores.

Steve Rubell era a parte visível do clube, o proprietário que concebia a baderna e ficava na porta, em pé sobre o hidrante na calçada, selecionando as pessoas que entravam para trás da corda de veludo, num procedimento cuja fama ganhou o mundo.

Muita gente apenas ficava ali, olhando as celebridades chegarem de limousine.

Ian Schrader era o produtor de tudo, o executivo que fazia as coisas acontecerem.


Carmem D’Alessio era responsável pela contratação dos go-go boys e bartenders, que atendiam a clientela de sexo, entre homens e mulheres.

Cocaína, maconha, comprimidos de quaalude, os inalantes “poppers” e gás hilariante, junto com muita bebida, eram as drogas “oficiais” do clube, que tinha como verdadeira sala VIP o seu despojado porão, tão grande quanto a parte aberta ao público. A loucurama pesada rolava ali.

E se as músicas que se tornaram marcos da era disco tocavam no clube, não era graças a ela que as pessoas iam, mas pelo clima de Sodoma & Gomorra high tech que rolava no pedaço.

A curtição para dançar ouvindo boa música acontecia mesmo era em outro clube, o Paradise Garage, onde Larry Levan instalava os fundamentos do culto ao DJ para uma pista literalmente em transe.

Mesmo assim, Sylvester, Evelyn Champagne King, Donna Summer e Was Not Was reinavam sob a luz estrobo do Studio 54, junto à decoração em néon da lua cheirando uma colher de cocaína, que subia e descia na pista. Diversão hardcore para adultos.

A festa parecia não ter data para acabar até que o fisco norte-americano colocou um ponto final na brincadeira.

Em 14 de dezembro de 78, trinta agentes entraram no clube e encontraram no porão sacos de lixo cheios de dinheiro, cocaína e notas fiscais escondidas.

Estimava-se que o Studio 54 dava US$ 70 mil por noite e que seus donos já haviam sonegado US$ 2,5 milhões.

Rubell e Schrager foram presos, pagaram fiança de US$ 50 mil cada e saíram no dia seguinte. Em janeiro de 80 foram finalmente condenados a três anos e meio de prisão.

A 2 de fevereiro, o clube fechou. Liza Minelli cantou “New York, New York” na festa de despedida. Foi o canto do cisne da era disco.

Rubell, que andava mal da cabeça, sob efeito de excesso de drogas, foi uma das muitas vítimas da aids, e acabou morrendo em 1989, em Nova York (dizem que a cidade nunca mais foi a mesma depois da epidemia).

Schrager é hoje um bem-sucedido empresário hoteleiro (Paramount e Delano, entre outros).

A peruana Carmem D’Alessio continua trabalhando nesse ambiente de discoteca e hoje promove a Life, um dos melhores clubes noturnos de Nova York, que tem um momento dedicado à música disco todas as noites.


Além de Bianca Jagger, um outro quarteto da pesada contribuiu para colocar o Studio 54 em todas as mídias da época, do underground chique (Elle, Vogue) ao mainstream mais conservador (Time, Newsweek).

O capitão de equipe era o artista plástico Andy Wharol, verdadeira lenda viva e superestimado como o papa do pop. Andy transformou trash, frivolidade, tédio e autopromoção em arte conceitual. Ele morreu de complicações pós-operatórias em 1987.


Na cabeça-de-área atuava Halston, considerado “o” estilista da América nos dias em que Calvin Klein gastava mais tempo nos folguedos gays de Fire Island do que atrás do balcão da lojinha. Um fiel séquito acompanhava Mr. H. por toda a parte. Eram os Halstonettes. Ele morreu de aids em 1986.


Como beque de apoio, atuava Truman Capote, escritor maldito e homossexual assumido, com uma obra-prima (“A Sangue Frio”) no currículo. Suas noitadas no Studio 54 foram o canto do cisne. Morreu em 1984.

Na zaga, plantada e travada como sempre, Liza Minelli, cantora, atriz, estrela, diva e perua em tempo integral. Não, ela ainda não morreu.

No dia da inauguração do Studio 54, em 1977, o título da reportagem publicada pelo jornal USA Today perguntava: “Studio 54, onde fica isso?”.

Naquela manhã, a casa ainda era mais uma entre as dezenas de clubes que abriam em Nova York com a expectativa de fechar meses depois.

Por volta de 23h, quando todos os repórteres chegaram para a inauguração, a certeza do fracasso era tão grande que eles esperaram apenas meia hora, viram uma dúzia de pessoas perdidas no que, para a época, era um espaço enorme, e foram embora.

Uma hora depois, foram chamados de volta por seus editores: o Studio 54 estava lotado. Frank Sinatra e Warren Beatty ficaram de fora, não conseguiram entrar.


Em certo momento, o empurra-empurra da fila de entrada era tão grande, as pessoas estavam tão coladas umas às outras, que, para aproveitar melhor a situação, os homens resolveram colocar seus pênis para fora da calça e as mulheres fizeram o mesmo com seus seios.

O strip-tease e a esfregação na fila de entrada ganhou a primeira página de todos os jornais.

Desde então – e não só nos dois anos em que o clube ficou aberto, até seus proprietários, Steve Rubell e Ian Schrager, serem presos por evasão fiscal –, o Studio 54 é considerado o maior clube noturno de todos os tempos.


Freqüentava a discoteca todo mundo que importava. E isso em Nova York.

De Liz Taylor a Brooke Shields, de Moshe Dayan (primeiro-ministro de Israel) a Jackie Kennedy, de Gina Lollobrigida a Gloria Swanson (estrela do cinema mudo), de O.J. Simpson a Diana Vreeland, de Bianca Jagger a Truman Capote, de Rod Stewart a Dolly Parton e até Michael Jackson.

Liza Minelli, Halston, Yves Saint Laurent, Paloma Picasso, Anjelica Huston, Jerry Hall, Lauren Hutton, Iman, Diana Ross, Farrah Fawcett, Calvin Klein, David Geffen, Deborah Harry, Margaux Hemingway, Gia Carangi e René Russo também eram habitués.

Todo mundo da Factory de Andy Warhol ia lá, incluindo o próprio Warhol. Quando ele não ia, na manhã seguinte estava ao telefone perguntando quem tinha ido. Para quem não estava quando ele estava, dizia que tinha sido “a melhor noite de todas”.


A cocaína era a droga que deu o tom do Studio 54 e dos anos 70 como um todo. A decoração da casa já entregava tudo: uma lua cheirando sobre uma colher pairava sobre a pista.

Comprimidos de “quaalude” eram distribuídos à chegada, por Rubell. No restrito porão, comprava-se cocaína livremente. Andy Warhol não cheirava cocaína: consumia speed, mais em alta entre os membros da Factory.

Aí, você, que é recém-chegado (leia-se nascido em algum lugar entre 1975 e a transmissão do primeiro episódio de Dallas) mas sai toda noite para balançar o esqueleto, pergunta: “e o que é que eu tenho a ver com isso?” Resposta: tem tudo a ver.

Sim, porque no Studio 54 tiveram início, ou chegaram ao mainstream, alguns dos fundamentos do que hoje conhecemos por cultura clubber.

Primeiro que não tinha essa de chegar assim, na maior, e ir entrando, como era comum nos outros clubes noturnos da cidade. Também não adiantava bater na bilheteria para comprar ingresso, que isso não existia.

Você tinha que passar pelo teste da “door policy”, ou seja, precisava ser uma celebridade (rico, famoso, ou simplesmente “da noite”), estar “montado” (isto é, vestido barbaramente, seja lá o que isso signifique), o porteiro te conhecia ou ia com a tua cara e então “tava limpo e liberado”. Caso contrário, bye-bye.

Era o porteiro (na verdade o dono da casa ou um preposto seu, depois batizado de “hostess”, “anfitrião”) que decidia quem entrava ou não. Uma multidão ficava na porta, todas as noites, implorando para entrar.

Foi nesse clima que surgiu o “the velvet rope”, aqueles cordões de veludo vermelho que servem de “porteira” de night-clubs até hoje.

No Studio 54, ultrapassar aqueles limites significava fazer parte da “the in crowd”, ou seja, da multidão “por dentro”, do povo do “babado”, da turma que realmente contava.


Dentro do clube, o espírito era de Sodoma e Gomorra, porque o mundo de sexo, drogas e dance music girava a mil por hora e ninguém era de ninguém.

Hétero, gay, bissexual, valia tudo. A ordem era pegar alguém.

Havia gente sobre os balcões dos bares, nas escadas de incêndio e, principalmente, nas históricas orgias do porão, onde a imprensa era proibida de entrar.

Os rapazes do bar faziam às vezes de go-go boys, dançando alegremente ao entregar as bebidas.


Numa festa para Halston, foi montada uma pequena Pequim, com as pessoas mais importantes sendo carregadas em liteiras.

Na festa de Dolly Parton foi recriada uma fazendinha, com porcos e ovelhas vivos.

No aniversário de Bianca Jagger, produzido por Halston, um homem pintado de purpurina prateada cavalgava um pônei, junto a Bianca como uma Lady Godiva.

Já no aniversário do estilista Valentino, foi instalada uma arena de circo com areia e tudo, com sereias em trapézios em figurinos emprestados por Fellini.

No aniversário da socialite Carmen D’Alessio, uma brigada dos Hell’s Angels acelerava suas motos de dentro da pista.

No aniversário de Elizabeth Taylor em 78, o bolo era um enorme retrato da atriz – o qual ela cortou a primeira fatia sobre seus seios.


O atualmente badalado ecstasy já estava lá, claro, mas era conhecido por MDMA.

Na verdade, outras drogas eram mais populares, como o angel dust (hoje Special K) e o quaalude (potente anfetamina), além dos poppers, aquele líquido que, quando aspirado, alucina quem está dançando ou transando – o ar do clube ficava impregnado pelo aroma no final da noite.

Para se ter uma idéia da loucura, as reuniões de diretoria do Studio 54 eram defumadas com um baseado gigante, da mais legítima “kaya” jamaicana, o nosso popular “dirijo”.

Certa noite, Diana Ross foi cantar na cabine do DJ. Começou: “I’m coming up...” e, cataplum, caiu pra trás, morta de loucaça.


Mas há outros lances que fizeram a fama do Studio 54 e que agora fazem parte de qualquer cena clubber do novo milênio.

Público Mix: “O Studio 54 era hetero, homo, bi... Era tudo!”, segundo Egon Von Furstenberg, príncipe, socialite e bafonzeiro.

Barbies: Sim, os garotinhos que transavam com garotinhos também já estavam lá. Só que tinham mais cabelo (na cabeça, rosto e torso) e a maioria trabalhava como bartender, garçom, michê ou as três coisas juntas.

After Hours: A noite, claro, não acabava. Os clubs after hours (e after Studio 54, que apresentavam “late-late-late” shows) estavam no Meat District nova-iorquino e ficavam abertos até o meio-dia.

Chill-Out: Alguns eram muitos concorridos. Chez Halston, por exemplo, o próprio e Bianca costumavam ir para a cozinha preparar o breakfast.

Perfumes: Numa era pré-CK-One e Be, o cheiro delas era Opium, de Saint-Laurent, hoje aroma de perua. O deles era Halston 1-12, hoje raridade.

Grifes: Homens e mulheres, bis e homos, caretas e descolados, toda a turma, sem exceção, ia de Halston, Gucci e Fiorucci, como está documentado na música “He’s The Greatest Dancer”, das Sisters Sledge.

Publicação: Vanity Fair ainda não havia ressuscitado, então sabia-se tudo sobre as noites do Studio 54 no “Andy Warhol’s Interview”, cuja encarnação atual não tem um pingo do charme e do wit daquela. Yes, nós, aqui do Brazuca, também tínhamos Interview, que acompanhou a linha do original até 1980. Ambas (matriz e filial) são itens de colecionador.


Musa: Margaret Trudeau. Quem??? Isso mesmo, a ex-mulher do então primeiro-ministro canadense Pierre Trudeau. Entre outras coisas, Margaret teve um caso muito fotografado com Ryan O’Neal e uma noite foi clicada sentada no chão do Studio. A saia subiu e revelou que ela estava... sem calcinha. Por onde andará? A calcinha não, Madame Trudeau.

Top Models: Jerry Hall, Margaux Hemingway, Lauren Hutton, Iman (“O 54 era ótimo, mas ainda bem que acabou”), Rene Russo, Debbie Harry, Gia, Dalma...

A deusa de ébano Iman hoje atende por sra. David Bowie.

O filme “Gia: Fama e Destruição”, mostrando a ascensão e queda da modelo Gia Carangi (e que, de certa forma, radiografa aquele período) pode ser encontrado em qualquer videolocadora decente.

Rene Russo é uma das atrizes mais requisitadas de Hollywood.

A ex-coelhinha Debbie Harry virou a louraça belzebu da banda Blondie.

Veículo: Black limousine. Or nothing.

Unsafe Sex: Quem iria se preocupar com sexo seguro numa época daquela, onde todo mundo queria trepar com todo mundo? Aids? Ninguém sabia do que se tratava. Camisinha? Apenas um anticoncepcional antiquado.

Então, quem subia para o balcão ou sumia em um dos cantos escuros do clube mandava ver. Valia tudo. Principalmente homem com homem e mulher com mulher.


Mas, como se sabe, a nostalgia é inimiga da memória. Em poucos anos, a atitude de “os anos 70 foram a pior época para a música” virou “nada se compara às festas e ao som dos 70”.

A intensidade com que a década tem inspirado filmes como “Studio 54”, “Last Days of Disco” e “Boogie Nights”, bem como um revivalismo de black music nos clubes atuais, a telessérie “That 70's Show” (na Sony) e os planos recorrentes da TV Globo de produzir um remake de “Dancin’ Days, traduz um tom saudoso de quem acredita recordar-se como era bom cair na gandaia antes da era da aids.

O filme símbolo da década, “Embalos de Sábado à Noite”, guarda hoje conotação politicamente incorreta.

Tony Manero, o personagem de John Travolta, a certa altura do velho filme recusa-se a transar com uma menina porque ela traz camisinhas. Os tempos realmente eram outros.

Sexo e drogas eram uma combinação compulsória. A cocaína, droga da moda dos anos 70, ajudava a dançar como se não houvesse amanhã.

Os funcionários das grandes discotecas eram escolhidos pelo corpo bonito e disponibilidade sexual.

Vivia-se uma grande orgia, ensina o clichê que transformou o Studio 54 em mito.

Parece diferente de agora, não? Mas é engano acreditar que isso era corriqueiro e estendido a todos.

A grande falácia dos anos 70 foi a dita democratização das pistas de dança.

Dizia-se que as discotecas acabariam com os ídolos, transformando o público das pistas nos verdadeiros astros da noite.

O fim do filme Studio 54, com fotos de socialites e famosos, reflete melhor o que foi a badalação das discotecas.

As discotecas ajudaram a conceber uma nova elite, que nos anos 80 ganhou o nome de yuppie.

Na época, era o jet set, gente como Mick e Bianca Jagger, que pegava um jatinho em Londres para dançar em Nova York.

Ajudava a entrar na turma ser amigo de Andy Warhol, mentor da revista que ditava o colunismo social dos novos tempos, a Interview.

O Studio 54 tinha dois ambientes para evitar que a elite se misturasse ao povão.

Na verdade, o apartheid começava já na porta, pela door policy e o dress code, nomes pomposos que significam apenas uma coisa: pobre não entra.

Também se fala muito sobre a integração promovida pela disco music, entre o público negro, gay e branco.

Em 1975, a revista Rolling Stone estimou que existiam duas mil discotecas abertas nos EUA, das quais 300 ficavam na região de Nova York.

Cada casa tinha seu próprio perfil, baseado no status social de seu público-alvo – na prática, era uma segregação declarada.


As gay discos ficavam no West Village, as black discos voltavam-se para a classe média negra (Leviticus e Otello), os ricos e colunáveis não saíam do Regine's, The Gallery e Studio 54, enquanto os brancos trabalhadores tinham discos localizadas no Brooklyn, Queens e New Jersey, comandadas por DJs de descendência italiana.

Existiam, é verdade, discos negras para a população de baixa renda, mas mesmo nelas reinava o código do vestuário. Só entrava quem tinha terno e gravata. Tênis, nem pensar.

E a bebida de preferência não era cerveja, mas conhaque e uísque, consumidos para acompanhar a cocaína.

Apesar disso, a música que tocava nas discotecas era considerada black music.

Em boa medida, porque o estilo surgiu numa gravadora negra, a Philadelphia International, e era geralmente cantada por uma disco diva negra. Mas, em pouco tempo, essa identidade perdeu-se.

Bee Gees e Abba, para ficar em dois exemplos, eram loiros.


Giorgio Moroder, criador dos hits de Donna Summer, um europeu.

E quando Hollywood resolveu filmar a cena, escolheu John Travolta para viver um dançarino de descendência italiana do Brooklyn.

Até os roqueiros britânicos Rod Stewart, Paul McCartney, David Bowie, Elton John e os Rolling Stones gravaram disco music no fim da década de 70.

A alternativa à disco era o desemprego. Milhares de artistas obscuros foram lançados no mercado.

A loucura produziu alguns dos piores LPs de todos os tempos.

Disco music passou a ser vista como algo pejorativo.

Como o gênero dominava as rádios negras, por extensão também a black music passou a ser considerada inferior.

Foi quando veio o punk e o heavy metal para diferenciar ainda mais as classes e as raças dos adolescentes – o rock virou música de branco pobre.

As rádios mais atentas usaram o ódio à disco music para aumentar sua audiência. Entre os slogans criados no período estavam promessas de “um fim de semana inteiro sem disco music”.


Numa promoção de uma rádio de Chicago com o time de beisebol White Sox, em 1979, os fãs ganharam direito de ver uma rodada dupla do campeonato ao levar um LP de disco music para ser destruído no estádio. Doze mil discos foram explodidos.

Hoje, house, trance e techno reinam nas novas discotecas.

A idéia de uma música sem ídolos gerou o culto aos DJs, a segregação ganhou o nome de segmentação, a cocaína virou ecstasy, astros de rock encomendam remixes dançantes e a nova elite, agora chamada os modernos, continua amiga dos colunistas de plantão e freqüentando o espaço vip dos clubes para distanciar-se do povaréu.

O bom de conhecer a história é perceber como o Studio 54 ainda passa fundamentos para a cultura clubber.

Para tratar uma recaída de nostalgia da discoteca, é só ir dançar num club de hoje.

Mas com camisinha no bolso, porque pelo menos uma coisa mudou.

3 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom o post. O melhor que já li sobre Studio 54 e Disco Music. Muito bem detalhado. Obrigado

Irakerly
Teresina-PI

Anônimo disse...

O melhor post que já li sobre o Studio 54. Sou dos anos 80 pra cá, mas gosto mto de ler sobre o Studio 54. Qria mto ter "curtido" essa época. Parabens pelo blog. =)
David - SP

Anônimo disse...

Muito legal... soube descrever sem frescuras o que foi a Studio 54.