quinta-feira, maio 19, 2011

Os prezados leitores e as "escrutices" da Internet


Alguns homeboys do interior do estado têm me enviado e-mails reclamando que o blog está ficando cada vez mais difícil de carregar.

Eles colocam o problema no famigerado “curso de rock” cheio de vídeos do YouTube.

Explicar a eles que o problema está na velocidade de conexão de merda oferecida pelas duas opradoras de internet no Amazonas não vai adiantar muita coisa.

Portanto, o curso de rock será interrompido este mês, para ser retomado na segunda quinzena de junho.

Pode ser que até lá a carroça com pangaré digital oferecida pela Oi e Net já tenha se transformado em um pequeno calhambeque a manivela (querer um Lamborghini de 4M, como já existe em Belém do Pará, seria pedir muito...).

Eu não sou o único a me queixar do problema.

Em janeiro deste ano, durante a 4ª edição da Campus Party Brasil, realizada em São Paulo, houve algumas discordâncias e muitos consensos.

Um deles é sobre a existência de vários brasis em um País marcado não somente pelo grande espaço territorial, mas principalmente pelas realidades distintas.

Para Wagner Oliveira, que falou aos campuseiros em uma das palestras oficiais do evento, a internet é um exemplo deste abismo e seu caráter supostamente democrático está sendo colocado em cheque.

Segundo ele, Manaus tem o pior serviço de internet do país e também o mais caro.

Oliveira é presidente da Associação Amazonense de Centros de Inclusão Digital (AACID) e acredita que tanto o governo como o mercado são responsáveis pelo contexto digital amazonense.

“É um absurdo. Na minha casa, em Manaus, eu pago 1 Mb/s e recebo 500 Kb/s de conexão. O valor é de R$ 320”, afirmou.

Além disso, a capital do Amazonas tem somente duas empresas em operação, o que dificulta o barateamento dos custos de instalação da internet.

Para reverter a situação, o governo federal desempenha um papel central nesta questão.

Segundo ele, é preciso viabilizar maneiras, sejam fiscais ou físicas, de aumentar a concorrência de mercado no local e melhorar a distribuição da rede.

“Eu não posso pagar a mais por morar lá e não aqui. O País precisa fornecer os mesmos direitos aos cidadãos de lá que oferece aos de São Paulo, por exemplo”, concluiu.

Eu concordo em gênero, número e grau com o Wagner Oliveira, que não conheço pessoalmente.


Para se ter uma pálida idéia da distância que nos separa dos países do Primeiro Mundo, vou transcrever abaixo uma notícia publicada no caderno de tecnologia do site Terra em junho de 2007, portanto há quatro anos:

Uma senhora de 75 anos de idade, moradora de Karlstad, região central da Suécia, é a assinante da conexão à Internet mais rápida do planeta.

Sigbritt Löthberg é mãe do guru sueco de redes, Peter Löthberg, que pretende com o experimento provar que as fibras ópticas são um modo econômico e rápido de se prover Internet aos usuários domésticos em seu país.

A notícia foi divulgada no site sueco The Local.

A conexão de 40 Gb/s da Sra. Löthberg equivale a 40 mil Mb/s – ou seja, quase quinhentas vezes a maior velocidade de Internet residencial disponível no Brasil.

Com essa impressionante velocidade, é possível assistir a 1,5 mil canais de TV digital em alta definição ou baixar um DVD inteiro em apenas dois segundos.

Além de usar fibra óptica, o sistema proposto emprega um novo tipo de modulação que permite a comunicação entre dois roteadores a distâncias da ordem de 2 mil Km, sem repetidores intermediários.

Isso reduz drasticamente o custo de implementação do sistema, que tem vantagens sobre as tecnologias mais antigas que usam fios de cobre ou ondas de rádio.

Segundo um artigo publicado na Press Esc, há uma demanda reprimida por mais velocidade nas conexões residenciais européias, o que pode acelerar a adoção de fibra óptica.

Peter Löthberg, o guru, brinca com as dificuldades encontradas: “a parte mais difícil de todo o processo foi instalar o Windows no PC da minha mãe”.



De lá pra cá, praticamente todas as residências da Suécia estão com velocidade em torno de 10 Mb/s.

Idem nas principais capitais européias.

No Japão e na Coréia do Sul a média é 40 Mb/s.

Nos EUA, o governo lançou no ano passado um programa estimado em 25 bilhões de dólares para que todas as residências do país estejm com 100 Mb/s de conexão até 2020.

Aqui na taba, as duas operadoras enchem a boca para dizer que utilizam fibra ótica e o serviço oferecido é simplesmente deplorável.

Agora, façam idéia no interior do estado, onde a maioria dos internautas ainda utiliza linha discada de telefone (56 Kb/s).

Ok, my boys, vocês venceram!

A partir da próxima semana voltamos com nossa programação normal de sexo, mulheres e bom humor.

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