quarta-feira, dezembro 09, 2015

A consagração da Turma do Curumim


O personagem infantil Curumim – criação do jornalista e diretor de redação do jornal Em Tempo, Mario Adolfo – vai se transformar em Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas. O projeto, de autoria do deputado Dermilson Chagas (PDT), foi aprovado por unanimidade pelos parlamentares da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) agora em novembro e deve ser sancionado pelo governador José Melo (Pros).

Considerado o último herói da Amazônia, o Curumim circula encartado como suplemento infantil nos jornais de Manaus há 32 anos. O personagem amazonense é símbolo da preservação e conscientização ambiental desde 1983. De acordo com autor do projeto, o personagem consegue resgatar a história do Amazonas, através de simbologias da realidade local.

“Quando andamos por Manaus, são poucas as ruas e lugares que lembram a nossa fauna, a nossa flora, nossa história e nossas raízes. O Curumim promove esse resgate do que temos de melhor, falando do meio ambiente, da sociedade, do nosso passado. Quero continuar vendo os encartes no fim de semana, e gostaria muito que fosse mais difundido nas escolas, nas instituições, nas ruas, para que mais crianças conheçam esse patrimônio cultural que temos“, disse Dermilson.


Já a deputada estadual Alessandra Campelo (PCdoB) contou que tem uma ligação afetiva com o personagem, que lê desde criança. “O Curumim relembra bastante minha infância, pois foi um personagem que acompanhei nessa fase. Sempre tratou a questão ambiental e nossa realidade usando uma abordagem didática que cativa as crianças. É um elemento fundamental do nosso patrimônio cultural, que traz consigo uma representatividade fiel da nossa terra. Mario Adolfo foi muito feliz com essa ideia”, concluiu.

Em depoimento, o deputado Bi Garcia (PSDB) prestou suas homenagens dizendo que “transformar o projeto Curumim em patrimônio cultural imaterial do Amazonas é um agrado para as crianças do nosso Estado”. “Além de ser um personagem defensor das nossas florestas, tem um nome muito característico da nossa gente, principalmente por ser uma expressão muito usada pelos moradores do Baixo Amazonas para se referir aos pequenos. Parabenizo o criador do personagem, o jornalista Mario Adolfo, por idealizar esse retrato do moleque amazonense e também louvo a iniciativa do deputado Dermilson Chagas, autor do projeto de lei.”


Mario Adolfo agradeceu a sensibilidade do autor do projeto e disse estar feliz em “tocar o sonho em frente com o filho, o publicitário Marcus Vinicius”. “O Curumim, criado em 1983, já chegou falando em defesa do meio ambiente e ecologia quando isso ainda não era moda. O maior elogio que recebi foi quando uma professora de filosofia me disse que o Curumim era a Mafalda da Amazônia, uma comparação com a personagem famosa do cartunista argentino Quino. Para mim, é um reconhecimento a um trabalho de quase 35 anos. Hoje os e-mails que chegam ao jornal são de pais que leram o Curumim quando eram crianças e estão passando aos seus filhos. Outra coisa confortante é encontrar, hoje, pessoas, como encontro, dizendo que são ecologistas porque liam o Curumim quando eram crianças. Quer dizer, a semente do amanhã foi plantada”, disse.

O último herói da Amazônia


A primeira publicação do Curumim aconteceu em 1983, em um suplemento veiculado pelo jornal “A Crítica”, local onde Mário Adolfo trabalhava naquela época. O proprietário do periódico, Umberto Calderaro Filho, sentiu a necessidade de uma publicação infantil. “Tive inspiração no meu filho mais velho, o Mário Adolfo Filho. Nesse período, ele tinha dois anos de idade. Eu estava tentando criar a arte e, ao passar em frente ao local onde estava sentado, vi que ele tinha a aparência de um indiozinho: o cabelo liso, com uma franja, gordinho e barrigudinho. Nasceu, então, o Curumim”, relembra.

Mário Adolfo lembra que a primeira edição foi publicada no dia 1º de maio e abordava o tema “ecologia”. “Naquela época nem se falava em preservação do meio ambiente. Graças a este trabalho a criança pode ter acesso a informações de conscientização sobre os recursos naturais”, explica. No final do mesmo ano o Curumim ganhou o seu primeiro amigo. Uma tartaruga chamada Sarah Patel, que viria reforçar as campanhas sobre a preservação da espécie. O terceiro personagem criado foi o Jacaretinga, seguido da Murupi, esta última transformada em namoradinha do personagem principal. Seu nome é uma referência a um tipo de pimenta muito utilizado na culinária amazonense.


Outro elemento que integra a turma é o Mr. Okey, um vilão estrangeiro que invade a Amazônia com o intuito de exportar os recursos naturais existentes na Região Norte. A lista de integrantes ainda é composta por Jara, um simpático jaraqui, e Lourival, um papagaio-jornalista que reside na floresta. O último personagem foi baseado no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Trata-se da Leiloca, uma minhoca que não tem onde morar, apesar de ser oriunda da terra.


Em sua longa trajetória, o indiozinho tem levado informação, cultura e divertimento a várias gerações de crianças em todo o estado. O Curumim virou cartilha educativa sobre a história do Amazonas, lançada na Suécia, em 1988. Teve suas tirinhas publicadas na coletânea “Curumim, o último herói da Amazônia”, lançado na feira do Serviço Social do Comércio (Sesc), em 1993. 


Contou a história do Festival de Óperas do Amazonas na revista em quadrinhos A.E.I. Ópera, lançada pela Secretaria de Cultura (SEC), na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, em 2000. Contou a história do livro na I Bienal do Livro do Amazonas – Curumim conta História do Livro, em 2012. Foi o mote de uma campanha de conscientização ambiental do Festival de Parintins – Curumim Contrário ao Lixo, em 2013. 
O indiozinho também foi tema da 30ª edição da Feira de Livro, do Sesc, este ano.

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