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segunda-feira, agosto 14, 2017

ABC do Fausto Wolff (Parte 53)


OBSCENIDADE Para mim obsceno é dono de supermercado, que paga salário mínimo para as caixas, explicar na televisão por que precisa aumentar o preço dos gêneros de primeira necessidade. Mas a definição mais razoável, embora longe de ser exata, é a seguinte: tudo aquilo que é ofensivo à decência e capaz de corromper pessoas que entrem em contato com a matéria quer lendo, vendo ou ouvindo.
Troço tão hipócrita que O Poço da Solidão, clássico do lesbianismo de Radcliff Hall, foi proibido por causa da frase “E aquela noite elas não se separaram”.
Em 1933, pela primeira vez desde o princípio da era industrial, o juiz norte-americano Augustus Hand acabou com esta bobagem de julgar frases fora do seu contexto e disse: “Maníaco sexual é quem tem paciência de procurar obscenidades em Ulysses, gigantesca obra de Joyce”.
O célebre professor Samuel Johnson (1709-1784), logo após a publicação do seu Dicionário da Língua Inglesa, teve que ouvir de duas velhas: “Como foi que o senhor pôde publicar tantos palavrões?” E ele: “Como foi que as senhoras foram correndo procurá-los?”
Em verdade eu vos digo, leitores, não tem nada mais sujo que a cabeça de um puritano.
Pessoalmente, como vocês estão carecas de saber, sou favorável à pornografia ao alcance do povo, privilégio até alguns anos atrás acessível somente à classe dominante.
Nego compra uma revista dessas que tem aos montes em qualquer banca, bate uma punheta num W.C. qualquer e não pensa mais em matar o presidente da UDR, por exemplo.
Cedo, porém, o povão não vai ter mais grana pra comprar revistas de sacanagem: fome de comida, bebida e sexo, terá que explodir de algum modo lá pela avenida Vieira Souto, de preferência.
Se sacanagem transformasse alguém em tarado, aquela dona Solange que foi presidente da Censura Federal estaria maluquinha, pois passou anos vendo pornochanchadas nacionais e estrangeiras...
Mas agora, falando sério: é óbvio que muito malucão lê literatura pornográfica, mas muita senhora do society também lê, e como! Apesar disso, o único crime que essas damas cometeram até agora foi não aumentar o salário dos seus serviçais.
E os maníacos sexuais? Terão sido os livros, filmes, revistinhas de sacanagem que os piraram?
Os americanos realizaram uma pesquisa para saber quais os livros que o público considerava sexualmente excitantes.
Uma senhora teria respondido: A Ascensão da República Holandesa, troço que também não entendi, pois a Holanda ainda é uma monarquia.
Nego ou nega a perigo se assanha até lendo catálogo telefônico.
O Dr. Murilo Pereira Gomes, que foi um dos melhores psiquiatras deste país (morreu, naturalmente), me contou que uma vez mostrou a um paciente as fotos de um Volkswagen, de uma manicure, de uma bandeira do Brasil e de um prato de tomates em rápida sucessão e pediu-lhe que lhe dissesse o que elas sugeriam. O paciente não teve dúvidas: “Sexo, sexo, sexo, sexo”.
Quando Murilo sugeriu delicadamente que ele estava obcecado com sexo, o cara quis virar a mesa:
– Então o senhor me mostra essas fotos de sacanagem e eu é que sou tarado?...

ONANISMO Onan não era onanista, mas esta bobagem pegou. Personagem bíblico, ele teria nascido uns 1.700 anos a.C. Mal havia completado vinte anos e seu pai, Judah, o obrigou a casar com Tamar, mulher do seu falecido irmão Er.

Esta porra de Onan, Judah, Tamar e Er está parecendo palavra cruzada.

Mas voltando ao boi quente: como Er não tivera filhos com Tamar, Onan teria que fazer filhos nela.

Eles, porém, seriam considerados filhos de Er e receberiam o seu patrimônio. 
Eu também não entendi bem a história, mas parece que Onan estava gastando a grana de Er e se tivesse filhos com a viúva dele, esta grana passaria para eles. Pode não ser verdade, mas faz sentido.
Verdade é que todas as noites Onan comia Tamar, que era boa pacas, mas na hora de gozar tirava o paranaguá da caravalha e gozava no chão. 
Isso, qualquer idiota sabe, não é masturbação, mas coitus interruptus
Apesar disso até hoje os masturbadores (a humanidade inteira, com exceção de uns poucos maníacos sexuais) são considerados membros do fã-clube de Onan.
Onanismo virou masturbação e masturbação é qualquer forma de auto-estímulo com o objetivo de atingir o orgasmo.
Durante séculos se acreditou que punheta causava cegueira, loucura, impotência e outros males. Posso garantir a vocês que isto é uma mentira: William Shakespeare, Marilyn Monroe, Coufúcio, Jaguar, Homero, Mercedes Benz, Napoleão, Ziraldo, a rainha Vitória e aquela moça que está passando agora eram e são chegados a uma bronha.
O máximo que aconteceu com eles foi verem nascer pêlos nas palmas das mãos. Digo mãos porque tem muito malandro que também vai de canhota.
O que tem de cafumango que vive trancado no dejetório botando os cinco a lutar contra um, não está na revista Letras em Marcha.
Gostam tanto do esporte que chegam a ponto de apresentar a mão direita lá deles como “minha patroa” e esporadicamente a esquerda como “a filial”.
Sobre este diálogo manual ainda escreverei uma peça de teatro em cujo final a mão direita, irritada com as traições do marido, acaba por cortar a esquerda. Desesperado com a morte da amante, o marido pede a um amigo que lhe decepe a mão direita, ou seja, que mate a esposa. Finalmente, ele, de acordo com a origem semântica da palavra, pode bater uma punheta (de punhos) sem ser aporrinhado pelas mãos.
Mas agora falando sério: deixem seus filhos se masturbarem que não faz mal algum, pelo contrário. Segundo Kinsey (ver verbete) há crianças que se masturbam já aos cinco, seis meses de idade. Aliás, o leitor que não sabe como socar uma bronha não deveria estar lendo o meu ABC.
Mas talvez os marmanjos devessem saber que a mulher atinge o orgasmo estimulando a área ao redor do clitóris, pois este, na maioria das vezes, é tão sensível que um contato direto e contínuo com o dedo pode causar mais irritação que prazer. Não vai à la louca, portanto, ô bucéfalo!
Dizem que as mulheres se masturbam menos que os homens. Chute puro! E que muitas não consideram autogratificação o chuveirinho do bidê, o travesseiro entre as pernas, o esfregar uma coxa contra a outra.
Já homem, tem muito principiante que não gosta da punheta tradicional e enfia o pau em gargalo de garrafa. Troço burro e perigoso, pois pode parar a circulação do sangue.
Melhor e mais seguro é fazer um buraco num melão, numa melancia, num quilo de fígado (pra quem é rico), num mamão, sempre que haver mamão-fêmea.
Existem uns caras bem-dotados ou contorcionistas que conseguem autofelaciar-se. Não acredito que o trabalho compense.
Conheci muitas mulheres que se consideravam frias até conhecerem o orgasmo através do noivo.
Do noivo de matéria-plástica, com baterias por dentro, chamado Vibrador da Silva, é supérfluo esclarecer.

ONASSIS, Aristóteles (1906-1975) Do filósofo só tinha o primeiro nome. Nunca se interessou, realmente, pelas letras. Conhecia algumas óperas e isto apenas porque durante muitos anos comeu a famosa soprano, grega como ele, Maria Callas. Em verdade, preferia os números, aqueles que aparecem nas notas de dólar.
Um dos seus biógrafos biografia escrita quando o armador ainda vivia disse que ele era bonito quando rapaz. Chute: sempre foi baixinho, gordo e meio vesgo.
Outro chute: teria nascido pobre. Conversa fiada, seu pai era um próspero negociante grego em Esmirnia, na Turquia. Negociava com cigarros.
Em 1922, porém, os turcos acharam que havia muitos gregos em seu país e expulsaram entre outros a família de Onassis.
Foi assim que ele deu com seu 1,55m de altura em Buenos Aires, onde deve ter pensado: “Tenho um pau grande e muito tesão, mas com esta cara não vou muito longe”.
Roubou pacas e com vinte e cinco anos já era um milionário, graças aos seus investimentos, principalmente em petroleiros.
Dizem, mas não provam, que comeu sua professora de francês, quando ainda adolescente. Provavelmente seu pai tratou de pagar a francesinha para iniciar o filho nas artes fodais.
Com muita grana no bolso acabou em New York nos anos 40, ocasião em que fudeu tudo que tinha saia, livrando apenas a cara de padres e escoceses.
Mas fudeu, principalmente, sua amante de 1,85m, a louríssima Ingeborg Dedichen, jantar para mais de cem talheres, como diria o Sergio Porto.
Com Ingeborg fez de tudo, chupava-lhe os dedos dos pés, aplicava-lhes surras incríveis e um dia chegou a peidar na sua cara enquanto ela examinava o seu rabo para ver se ele tinha hemorróidas.
Como sempre teve um amor puro e desinteressado por dinheiro, se casou aos quarenta anos com uma menina de dezessete mas... atenção para o detalhe: ela era Tina, filha de Livanos, juntamente com Onassis, o maior armador do mundo na época.
Juntaram a grana, fez dois filhos em Tina: Alexandre e Cristina, mas nem por isso deixou a cama da Callas.
Em 65 se divorciou da mulher e casou em 68 com nada menos que Jacqueline, a viúva de John Kennedy.
Como já disse no verbete referente ao ex-presidente americano, Jackie tinha orgasmos quando via grana, e grana era coisa que Onassis tinha demais.

Ainda assim ela se precaveu: fez um contrato pré nupcial com o armador que incluía mais de cem itens, entre os quais 1 milhão de dólares mensais para pequenas despesas, quartos separados e nenhuma obrigação de engravidar.
Sempre que queria fuder com Jackie, ela dizia: “Estou com dor de cabeça, Ari”.
Cedo ele encheu o saco e chegou a pensar em se divorciar, mas os deuses já tinham decidido que ele havia fudido o suficiente e o carregaram para o inferno onde seu dinheiro não lhe valeu de nada.

ABC do Fausto Wolff (Parte 54)


ORGASMO Vocês lembra que no fim dos anos 70, princípio dos anos 80, os gorilas da direita (hoje a coisa está mais confusa) se divertiam jogando bombas em bancas de jornais, a OAB, na Assembleia Legislativa e no Riocentro? Isso se explica, pois só conseguiam chegar ao êxtase através do terror. Pra quem ainda não entendeu: um bando de broxas que só conseguia gozar jogando bombas nos outros.
Para as pessoas normais, entretanto, muito melhor que jogar bombas é ter um orgasmo, que é como se chama o clímax feminino e masculino, embora este último seja mais conhecido como ejaculação.
E você, leitorinha, não precisa nem fumar maconha, nem ser ninfômana para ter um orgasmo.
O melhor mesmo é ir para a cama como o seu hominho. Mas, na falta de um, já conheci moças que tiveram orgasmo com o auxílio do dedo médio da mão direita, com auxílio do chuveirinho do bidê e até mesmo espirrando, andando de bicicleta, andando a cavalo e jogando tênis. E note que qualquer um desses esportes é mais saudável que jogar bombas por aí.
Eu, que manjo razoavelmente deste verbete, posso informar aos leitores mais ignorantes que seja qual for o estímulo, os sinais de que o orgasmo está para fazer sua entrada em cena são sempre os mesmos: 1) mamilos eretos; 2) lubrificação vaginal; 3) aumento da pulsação, da pressão sanguínea e da respiração.
Se você surpreender qualquer mulher nessas condições, não tenha dúvida de que ela está tendo um orgasmo.
O orgasmo normal dura entre dez e quinze segundos e se caracteriza por contrações vaginais que vão de três a doze, mais ou menos.
Embora algumas se contentem com dois ou três orgasmos no capricho, há mulheres que podem ter dezenas deles.
O recorde cientificamente provado pelo casal de tarados Masters & Johnson é de 106.
Apesar desse incrível potencial energético, 65% das mulheres só atingem o orgasmo com o auxílio do amigo dedo médio e outras nem sabem se têm ou não orgasmo.
Estas últimas têm os chamados orgasmos suaves, que não podem ser comparados com os orgasmos fortes, que fazem lembrar segundo expressão de uma amiga minha de cama e mesa as ondas batendo contra os rochedos.
É isso aí, amiguinha: quando sentir uma vontade irresistível de sacanear alguém: tenha um orgasmo. Há quem diga que ele tem a cara de Robert Morley.
P.S.: Ia esquecendo, o primeiro orgasmo feminino cientificamente comprovado ocorreu nos Estados Unidos em 1872.
O ginecologista Joseph Beck, de Indiana, estava examinando uma mulher que lhe disse: “Tome cuidado, doutor, que sou extremamente sensível e posso gozar de repente”.
Beck não esperou mais. Enfiou o dedo na buceta da mulher, rapidamente, três vezes seguidas, tendo o cuidado de passá-lo pelo clitóris.
A mulher gozou na hora e, posteriormente, o bom médico escreveu um ensaio sobre a experiência.

ORGIA Naturalmente não sou muito chegado por ter a participação de outros homens além do locutor que vos fala e homem nu é troço extremamente desagradável. As orgias a que fui convidado aqui no Rio têm sempre duas gatas pingadas e uma porção de barbados.

O dono da casa fatalmente se desculpa com ar de idiota: “Não sei onde se meteram essas mulheres.Você deveria ter pintado a semana passada”.

Comigo é sempre assim: a festa boa foi invariavelmente na semana passada, quando eu não estava presente.
Orgias a sério mesmo eram as patrocinadas pelos imperadores romanos. Ninguém era de ninguém e, além de comerem metaforicamente tudo o que pintava pela frente, ainda comiam literalmente clitóris de lagosta, vulvas de colibri, cérebros de macaco, línguas de flamingos, ovas de enguia, cuzinhos de pavões e outras especialidades.
A classe dominante que se divertia desse modo, uma vez de bucho cheio, vomitava sobre os escravos e recomeçava a comer. Aliás, os escravos seguravam as jebas dos sacanas para que eles pudessem mijar.
Entre os vikings, os escravos esperavam pacientemente com um vaso na mão a hora dos guerreiros mijarem para poderem beber o mijo. É que a cerveja dos vikings tinha mais de vinte graus de álcool, e mesmo depois de transformada em mijo ainda dava porre.
Esses escravos de primeira depois mijavam num jarro para que os escravos de segunda pudessem tomar seu porrinho. Troço desagradável pacas.
Segundo Sêneca, Nero, uma vez, no meio de uma orgia castrou seu namorado, um tal de Sporos.
Heliogábalo, outro imperador viado e maluquete, por quem Gore Vidal, escritor americano que trabalha no ramo, nutre profunda admiração, chegou a pensar em cortar fora suas próprias ferramentas mas acabou desistindo da ideia. Limitou-se a servir de prostituta para mais de cem convidados.
Sabe-se que Deus, quando botou o cu no homem, não foi para que ele enfiasse objetos contundentes nele. E o povo pagava impostos para essas sacanagens.
As orgias só voltaram à moda oficialmente com a Renascença, graças à família Bórgia, liderada pelo próprio papa Alexandre VI.
Uma vez César e Lucrécia Bórgia deram uma festa e convidaram o povão. Nesta festa cinquenta prostitutas foram comidas por cinquenta convidados escolhidos a dedo. O povão premiou com aplausos as melhores duplas.
Os Bórgias eram melhores que os Ulysses, Sarneys, Rafaéis e Fernandos Henriques, que jamais convidaram o povão para vê-los beber poir.
As orgias europeias, segundo Giacomo Casanova (que não entrou nesta minha enciclopédia por ser figurinha por demais manjada), atravessaram o barroco e só pararam, pelo menos oficialmente, com a subida ao trono da rainha Vitória, baixinha, gordinha, feiinha, que amava muito o marido alemão, mas não desprezava uma manga carlotinha de vez em quando.
Atualmente, uma boa orgia pede principalmente muita grana e é um luxo exclusivo da grã-finada.
Às vezes em que fui convidado, por engano, a uma dessas festas, achei tudo muito deprimente, pois estava na cara que a grande maioria das mulheres era composta de profissionais, pagas para encenar orgasmos.
Essas coisas são boas quando acontecem espontaneamente, como aconteceu na suite de conhecida atriz americana em Madri, em 1969.
Éramos quatro homens e sete mulheres. Eu estava comendo uma namoradinha italiana que fora à Espanha comigo e ela começou sei lá se por show-off ou porque estava gozando mesmo a radiofonizar seus múltiplos orgasmos.
A atriz em questão a cutucou e perguntou: “Desculpa, mas você está gozando mesmo ou está querendo impressionar?” “Estou gozando mesmo”, respondeu a moça.
E a coroa de Hollywood: “Então deixa eu ficar no teu lugar um pouquinho”.
Já disseram também que aqui no Rio, de madrugada, no Arpoador, a exemplo do que ocorria no Parc aux Cerfs, em Paris, casais motorizados se encontram em determinadas noites de lua cheia para organizarem partouses (orgias). Eu duvido. Não creio que a nova geração tenha tanta imaginação.
Para quem quiser tentar, porém, um último aviso: camisa-de-vênus no pau e cu contra a parede.

PARAFILIA Qualquer troço feito na cama que ultrapasse o papai-mamãe. Por outro lado (da cama), há quem assegure que anormal mesmo é o papai-mamãe. Parafilia é, portanto, um desvio sexual (no sentido de desviar-se do caminho preestabelecido pela ética moral majoritária), mas tem muito parafilista que moita sobre as suas parafilias.

Alguém conhece alguma senhora com menos de sessenta e mais de quinze que já não tenha se imaginado num filme como a mocinha, ou seja, a principal felatriz? Troço perigoso porque mexe com hipocrisia.
A maioria dos parafilistas não faz mal a ninguém. Meu falecido amigo Ronald de Chevalier, grande matemático e poeta gongórico, comentou comigo há alguns anos sobre um seu vizinho que pagava as moças da boate Bolero, da avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, para se vestirem de freiras e lerem em voz alta as atas da Academia Brasileira de Letras enquanto ele descabelava o palhaço. Ele fornecia os hábitos, as atas, o chá com torradas e os cachês.
Tem parafilistas que gostam de cortar pedaços de vestidos de mulher em lugares cheios de gente. Outros roubam calcinhas (aí já entramos no ramo do fetichismo ver verbete , que é uma forma de parafilia das mais comuns) estendidas nos varais dos quintais de subúrbio.
A cleptomania é, talvez, a forma mais popular de parafilia e vejam vocês, leitorinhas que me honram com os olhos cheios de lascívia 90% dos cleptomaníacos são cleptomaníacas. Mulheres às vezes ricas, que se arriscam a sofrer os maiores vexames roubando besteiras como tesourinhas, batons, vidros de esmalte nas Sears, Mesblas e C&A da vida.
Duas atrizes famosas dos anos 30-40, Verônica Lake (amor da minha vida) e Hedy Lammar, foram apanhadas em flagrante roubando bijuterias. Coisa mais triste: segundo a maioria dos sexólogos, depois do roubo, em casa, se masturbavam, pensando no risco que haviam corrido. Chato, né?
Mesmo velhinhas, na época em que isto aconteceu, quinze anos atrás, elas poderiam ter apelado para o ardoroso fã que ora escreve estas mal bolinadas letras.
Com o objeto roubado nas mãos, elas se masturbam. Atingido o orgasmo, a quinquilharia é jogada fora e a paz volta à região da vulva como o arco-íris depois de uma tempestade.
A parafilia é uma árvore cheia de ramos. Um dos ramos mais habitados é o que trata dos malucos chegados à uma deformidade física. Eu disse malucos? Besteira minha. O que seria dos manetas, das pernetas, dos caolhos e das berreguentas sem esses heróis e heroínas?
Em Amsterdam, há cinco anos, meu primo Johann von Wolffenbüttel me disse que vem aumentando na cidade os bordéis para parafilistas. Neles as profissionais, mais do que trepar, têm que demonstrar talento histriônico.
Tem a moça especializada em jogar tortas na cara do freguês até ele gozar. Tem a outra que, com os seios ao ar livre, corta as unhas do cliente. E tem até mesmo uma professora de latim, que toma os verbos de um banqueiro que erra propositalmente para ser posto de castigo: nu com um boné em forma de cone na cabeça, onde se pode ler a palavra “burro”.
Daqui a algum tempo, parafílico mesmo será o ato sexual responsável praticado por mim que vos escrevo e por vós, maníacos sexuais que me lêem.
Uma parafilia que está virando moda entre escritores menores é a de tratar os leitores na segunda pessoa do plural, como adoram fazer os maus tradutores de Shakespeare, Johnson, Marlowe e outros menos votados.
Calma, esperem um pouquinho... não digam nada... gozei!

ABC do Fausto Wolff (Parte 55)


PAU FRIO Pé-frio, todo mundo sabe o que é: é o infeliz que alguns idiotas decidem que dá azar. E acaba dando. Pau, é óbvio, é qualquer pedaço de madeira. O pau é frio quando ainda em estado de árvore e quente, a ponto de pegar fogo, quando jogado numa lareira acesa.

Existem ainda os caras de pau, facilmente reconhecíveis. Um exemplo: o presidente Sarney ao dizer “Não há corrupção no meu governo” quando deveria dizer “não há governo na minha corrupção”.
Já pau é também o mais popular dos nomes do pênis. Este verbete, porém, pretende esclarecer o leitor sobre o pau frio, e não estou falando do pau dos animais de sangue frio que, naturalmente, o têm frio.
Algumas mulheres que já foram para a cama com demônios garantem que eles têm pau frio.

Jacquema Paget, do condado de France-Comté, conhecida feiticeira do século XVII na França, garantiu: “Já peguei no pau do diabo muitas vezes e era muito frio”.
Silvine de la Plaine, que foi condenada a morrer na fogueira em 1616, declarou antes de virar churrasco: “Trepei com o diabo muitas vezes. Tinha o pau do tamanho do de um cavalo e frio como gelo. Aliás, a porra também era geladíssima”.
Se o amigo conhece alguma maluquete adoradora do diabo, basta deixar o pau no freezer durante algumas horas e depois mandar ver.

PAULO IV (1476-1559) Seu nome paisano era Gian Pietro Carafa (que quer dizer moringa). Não enchia a moringa e, aliás, era caretão pacas. Vida sexual desconhecida, estabeleceu através da inquisição um papado de terror.

Entra na enciclopédia sacanal porque em 1555 ordenou que as pinturas de Miguel Ângelo fossem removidas da Capela Sistina, por considerá-las obscenas.
A galera vaticana protestou e ele se limitou a mandar cobrir as partes pudendas das figuras que apareciam peladas, inclusive a Virgem Maria.
Encarregou um discípulo de Miguel Ângelo, Giovanni da Volteira, de executar o serviço.
Volteira passou para a posteridade com o apelido de “O Braguilheiro”. Como vocês sabem, de braguilhas o Miguel Ângelo entendia.
Interessante: dos três maiores pintores da Renascença (Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci e Rafael), os dois mais feios e atléticos gostavam de mandioca e o querubim, o mais jovem, diferente e bonitinho (Rafael) comeu todas as mulheres com exceção da mãe e avó que apareceram na sua frente.
Mas, voltando ao Paulo IV: não contente com esta sacanagem em relação ao Miguelzão, em 1559, ano da sua morte, ele começou a compilar o Index Librorum Prohibitorum, uma lista de livros que os católicos não deviam ler sob risco de parar no inferno.
Desde então esta bobagem prosperou e mais de 4 mil obras entraram na lista negra, entre elas as de Balzac, Stendhal, Dumas, Sartre, Miller (Henry)e Moravia.
Em 1962, João XXIII, um sábio, declarou que os novos autores teriam uma chance de justificar seus livros e desde 1966 o Vaticano se mancou e parou de publicar a lista.

PAZZI, Maria Madalena de (1550-1591) Personagem principal de um dos primeiros casos documentados de masoquismo pra valer. A tara da moça era se jogar sobre cacto e encher o corpinho de espinhos brabíssimos. Não contente com isso apanhava um chicote e se dava surras até sangrar. Isto apenas no café da manhã.
Após o almoço frugal, implorava às outras freiras do seu convento que a amarrassem a um poste e jogassem bolinhas de cera fervente em seu corpo nu. Apesar disso ou quem sabe? por isso mesmo foi promovida a superiora das noviças e um dia foi surpreendida pedindo a uma delas que a arrastasse pelos cabelos.
Foi canonizada em 1671 e hoje é santa.
O mal que a Igreja fez à humanidade, de Adriano (século III) até a Renascença, não encontra paralelo.
E pensar que Demócrito, quinhentos anos antes de Cristo, já discutia o átomo (que quer dizer indivisível).
Me ocorreu agora, mas não tenho saco para pesquisar: se átomo quer dizer indivisível, então uma obra publicada em tomos deve significar uma obra dividida, não é mesmo? Verifiquem.
Mas voltando à Santa Maria Madalena dei Pazzi: pazzo em italiano quer dizer maluco.
No Brasil tivemos um ministro, por sinal dos menos loucos, durante a corrupção de Sarney, que se chamava Pazzianotto. Não quer dizer nada.
Se fosse Pazzianota, seria loucura conhecida. Se fosse Pazzonoto seria louco notório.

PEARL, Cora (1836-1886) Alienadinha quase até o fim da vida. Em compensação, imprimiu um espírito de missão ao seu trabalho. Cora dava. Dava e não fazia mistério numa época em que as transas de corpo eram praticadas entre quatro paredes. Seu moto era: “Raramente a sacanagem é vista vestindo farrapos”.
Pele muito branquinha, cabelos e pentelhos muito vermelhos, ela nasceu com o nome de Emma Crouch, que teve o bom gosto de mudar em tempo.
Quando decidiu dar aos quatorze anos foi logo dando para um cara que negociava com diamantes.
Diamonds are the girl's best friends, or not?
Depois de ganhar todos os diamantes que queria e depois de aprender tudo o que necessitava, ela deu um pé no rabo do ricaço e se mandou de Londres para Paris.
Lá ela se especializou em dar festas para a aristocracia e a burguesia endinheiradas. Nesses banquetes a comida era ela.
Os taradões pagavam uma grana altíssima para vê- la tomar banho sobre uma mesa dentro de uma banheira de prata cheia de champanhe, brut, evidentemente. Depois os calhordas bebiam o champanhe com um pouco de mijo da nossa Cora.
As cortesãs francesas, irritadas com o êxito da inglesinha na terra delas, fizeram de tudo para suplantá-la. Martha de Vere, por exemplo, foi servida no Plaza toda embebida em molho de camarão, mas não obteve o mesmo sucesso.
Com o advento da can-can, Cora começou a dar exibições dessa dança em seus salões para uma plateia exclusivamente masculina. Tudo igualzinho às cancaneuses profissionais, só que não usava calcinhas.
Cansada de ser chamada de puta pelas mulheres dos maridos apaixonados por ela, decidiu se dedicar ao teatro e estreou em 1867 no papel de Cupido na peça de Offenbach, Orfeu no Inferno.
Quando a plateia vaiava a sua voz, que era péssima, ela simplesmente tirava as calcinhas (ou knikerbockers, ver verbete) e mostrava a bunda para os espectadores. Era boa de bunda.
Num desses espetáculos, quem viu o derrière da nossa Corinha foi Napoleão III. Viu e gostou. Aliás, gostou tanto que pediu exclusividade.
A exclusividade lhe foi concedida de 1867 até 1874, quando ela descobriu que já havia gasto quase todo o dinheiro dele.
Trocou-o por um milionário chamado Alexandre Duval, cujo capim (cerca de 1 milhão de libras) dava pra comprar dois modestos apartamentos na Vieira Souto. Ela conseguiu explodir esta grana em menos de dois anos.
Vendo que ele estava fudidão, ela o demitiu sem aviso prévio. Desesperado, ele tentou se matar na sala de estar da ex-amante que, putíssima e sem calças, comentou com os amigos:
– Porcalhão, sujou de sangue o meu tapete branco!
Moça sensível, como vocês vêem.
No auge da sua fama, os playboys (praga antiga, minha gente!) de Paris organizavam rifas. Quem ganhasse entregava o dinheiro da rifa para Cora na casa dela.
Mas eu disse no princípio do verbete que ela tinha sido alienadinha até quase o fim da vida.
É que durante o estado de sítio de Paris, em 1871, gastou boa parte da grana acumulada ajudando doentes e feridos.
Com a queda do II Império, a sorte de Cora mudou graças à bancarrota, o exílio ou a morte da maioria dos seus admiradores.
Retirou-se para uma casinha de campo, onde viveu modestamente graças a donativos ocasionais de velhos sócios do Jockey Club de Paris.
Morreu com cinquentinha dando esporádica e diletantemente. Foi uma revolucionária!

As aventuras do artilheiro Dentinho


Revelado no campo do Oratório de São Domingos Sávio, na Praça 14, o centroavante Dentinho jogou profissionalmente pelo Nacional e Fast Clube, aqui na taba, e depois foi vendido para a Portuguesa de Desportos, de São Paulo.

Após uma brilhante partida de estreia no campo do Canindé, onde marcou três gols contra a equipe do Palmeiras, Dentinho foi entrevistado por um repórter de pista quando deixava o campo:

– O centroavante Dentinho veio lá de Manaus e já começou a mostrar serviço. Na partida de hoje, ele marcou três golaços. Vamos conversar um pouquinho com o centroavante. Ô Dentinho! Diz aí pros ouvintes da Rádio Tupi a razão desse apelido engraçado...

Exibindo os incisos e molares de Itu que trazia na arcada dentária, o centroavante explicou, meio rindo, no seu habitual dialeto amazônico:

– Ah... Isso foi fuleiragem lá da raça...

Até hoje o repórter de pista não entendeu a resposta. Nem os ouvintes da Rádio Tupi.

Na sua segunda partida, Portuguesa e Juventus, Dentinho marcou apenas um gol na apertada vitória da Lusa por 2 a 1. Um outro repórter de pista foi entrevistá-lo:

– Vamos falar agora com o Dentinho, que veio lá de Manaus. Ô, Dentinho, foi um jogo catimbado, violento, pegado, mas a Portuguesa saiu vitoriosa. Conta aqui pros ouvintes da Rádio Jovem Pan o que foi que você achou...

Sério que só cu de porco, Dentinho abriu o verbo:

– Rapaz, eu não achei porra nenhuma. Mas o lateral-esquerdo Buiu achou uma medalhinha de São Jorge ali perto da bandeirinha de escanteio...

O repórter de pista ficou mudo de espanto.

No terceiro jogo da Lusa, Dentinho marcou 4 gols na goleada de 6 a 1 sobre o São Caetano e foi escolhido o melhor jogador em campo. Um repórter de pista se aproximou do centroavante para lhe dar a notícia:

– Ô, Dentinho, parabéns pela sua brilhante atuação no jogo de hoje. Os comentaristas da Rádio Globo escolheram você como melhor jogador em campo e vão lhe dar um Motorádio de presente. O que você pretende fazer com o prêmio?

Dentinho nem titubeou:

– A moto eu vou vender e o rádio vou dar de presente pra minha mãe...

Nunca mais os repórteres de pista quiseram entrevistar o centroavante.

sexta-feira, agosto 11, 2017

ABC do Fausto Wolff (Parte 46)


MARIA LUÍSA (1751-1819) Não era flor que se cheirasse, mas como era também rainha da Espanha e sofria de coceiras-vaginalis, o pessoal só não cheirava, como tocava, beijava, lambia e comia. Era neta de Luís XV (aquele que tinha um harém só pra ele, lembram?) e mulher de Carlos IV.

A putaria, aparentemente, estava no sangue. Chegou a ser engraçadinha quando jovem e logo depois de casada disse a Carlos: “Vai, Carlos, ser corno na vida”. Aliás, minto. Ela não disse, mas pensou.
Imaginem que pra poder fuder em paz ela criou a sua própria corte, onde traçou, entre outros, don Juan Pignatelli, o conde de Tebas, o duque de Abrantes. Não confundir com o marquês de Abrantes, que é uma rua no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro.
Carlos IV, além de corno era burro. Imaginem que um dia fez o seguinte comentário: “Se as rainhas se sentissem tentadas a pecar, onde encontrariam reis e imperadores para pecarem com elas?”
Para Maria Luísa, entretanto, qualquer pé-de-chinelo servia, desde que ela estivesse com apetite.
A grande paixão da sua vida, porém, foi Manuel de Godoy, um nobrezinho de merda, da província, dezesseis anos mais moço que ela.
Não era particularmente inteligente e nem boa-pinta. Aos vinte e cinco anos, porém, já havia sido nomeado primeiro-ministro. É que o seu único talento aquele que interessava a Maria Luísa estava oculto.
O dia de Godoy era mais ou menos assim: tomava café e comia a rainha, despachava com os ministros, comia a rainha, almoçava, comia a rainha, praticava equitação, comia a rainha, praticava esgrima, jantava e comia a rainha. Aliás, o seu quarto era ligado ao dela por uma escada secreta.
O chato é que a rainha foi ficando cada vez mais feia. Antes dos quarenta anos já tivera doze filhos (alguns com Godoy), estava desdentada (não sobrou um dente para contar a história) e macilenta.

A vontade de levar ferro, porém, só fazia aumentar.
Para piorar a situação, o mulherio da corte vivia dando em cima do Godoy, que ainda fazia horas extras com uma plebeia chamada Pepita.
Para evitar que continuasse comendo a Pepita, Maria Luísa o obrigou a se casar com Maria Tereza de Valabrige, condessa de Chinchon, em 1797.
Godoy, porém, continuava visitando os lençóis da Pepita, com quem também chegou a ter dois filhos.
Quando Godoy se ausentava, a rainha comia o que estivesse à mão.
Um dia encheu tanto de presentes um membro da sua guarda que o próprio rei corno estranhou e perguntou para Godoy, o amante oficial: “Quem é este cara?”

E o gigolô gozador: “É sustentado por uma velha rica e desdentada”.
Não é preciso ser muito perspicaz para compreender que com uma rainha puta, um rei corno e um primeiro-ministro que só tinha tempo pra fuder, a Espanha estava naquela época quase tão bem como o Brasil em 1988.
Diante disso, Napoleão encheu o seu saquinho, que era realmente mínimo (ver verbete de Ishida Kichizo) e botou um dos seus irmãos no trono espanhol.
Maria Luísa, Carlos IV, Godoy e sua mulher, Pepita e seu marido foram todos viver no exílio em Roma.
Primeiro morreu Maria Luísa, talvez por excesso de trolho, depois seu marido, por excesso de chifres, depois a mulher do Godoy e, finalmente, o marido da Pepita.
Godoy e Pepita casaram e três semanas depois ela descobriu o idiota que ele era sem o título de primeiro-ministro e lhe deu um pé na bunda

MASOQUISMO Já tinha nego adorando ser humilhado e só gozando na base da porrada, antes mesmo do Homero pensar em escrever a Ilíada (se é que ele existiu e, se existiu, se é que escreveu a Ilíada). Dizem até que Vulcano só conseguia ter uma ereção depois de Vênus ter trepado com meio Olimpo.

Só que os antigos não sabiam que eram masoquistas, pois ninguém os informou. É que a palavra é recente. Trata-se de uma homenagem a Leopold von Sacher-Masoch (1836-1895), que só descobriu que era masoquista aos oito anos.
Um dia, brincando dentro de um armário, o sacaninha descobriu sua tia Zenóbia agasalhando o paranaguá do amante na sua caravalha. Se tivesse ficado quietinho seria apenas mais um reles voyeur. Ele, porém, se entusiasmou tanto que começou a fungar alto.
Descoberto, tia e amante baixaram lhe as calcinhas e lhe deram uma surra de vara de marmelo. Ele gostou e a partir deste dia dedicou sua vida a fazer com que os outros o cobrissem de porrada. Sentimento de missão não se discute!
Mas sobre a vida dele eu falo no verbete dele. Ordem, portanto, e nova linha.
Em Estocolmo, há alguns anos, eu vi um número de sadomasoquismo onde um sujeito era amarrado, amordaçado, chicoteado pra valer por uma mulher de calcinhas, meias e sutiã pretos, além de sapatos de saltos altíssimos.
Depois de dar umas vinte vergastadas no infeliz, a mulher picava todo o corpo dele com alfinetes e amarrava uns pesos no seu saco. Pouco a pouco o cheio de varizes do sujeito começava a se assanhar.
Nessa ocasião, a mulher desamarrava uma das mãos do escravo e ele se masturbava. Lógico, se ela deixasse ele comê-la, não seria mais masoquismo, e se não fosse mais masoquismo, o cara brocharia. Tratava-se de um mamastu: masoquista masturbador.
Tem masoquista, porém, que exagera: quer ser cagado, mijado, castrado. Muitos anos antes de Masoch nascer, uma prostituta inglesa, Susanne Hill, foi julgada pelo homicídio de um músico chamado Hans Kotzwarra.
No tribunal, ela explicou que ele pedira para que ela lhe cortasse o pau fora. Ela, boa moça, prendada, naturalmente se recusou. Então ele pediu uma bobagem:
– Me enforca, só de brincadeira!
Ela topou, mas deu um nó tão forte no pescoço do maluco que ele morreu. Mas morreu, segundo ela, numa boa!
A psicanálise moderna tem várias teorias para o masoquismo, embora não tenha nenhuma teoria para a psicanálise.
A mais conhecida é a de que um profundo complexo de culpa impede o masoquista de ter um relacionamento sexual normal. O prazer só pode ser adquirido se pago através da dor e da humilhação.
O masoquista, por sua vez, se exime de qualquer responsabilidade sobre a sua vida e a vida do mundo, uma vez que é amarrado, supliciado e se limita a obedecer ordens.
Infelizmente, não tenho mais espaço para este verbete, mas sugiro aos pais mais trogloditas que pensem antes de bater nos filhos e filhas, pois podem estar criando um masoquista que durante a vida inteira vai encher o saco de todo mundo até ser coberto de cacetadas.

MASTERS, William (1975- ) – JOHNSON, Virgínia (1925- ) – Ele é um ginecologista careca que descobriu que pouco se sabia sobre o comportamento sexual da mulher. Poderia ter perguntado à própria, mas aparentemente ele queria um número maior de respostas. Ela havia trabalhado em publicidade quando se candidatou a ser sua secretária. Era bonitinha, voz macia e bem-feita de corpo. O que eles tinham em comum: curiosidade sobre a vida sexual dos outros.
Em 1954, quando se conheceram, ela já estava divorciada do marido e tinha dois filhos. Ele continuava casado.
O programa consistia em botar casais para fuder literalmente num quarto cheio de gravadores, câmeras fotográficas e cinematográficas, aparelhos de medir a pressão e eletrocardiógrafos.
Quando as mulheres não estavam trepando, o casal fazia com que elas se masturbassem. Atingindo o orgasmo, cobriam suas cobaias de perguntas.
Foram mais de setecentos homens e mulheres que procuraram ejacular e ter orgasmos para deleite do William e da Virginia.
Quando as mulheres não orgasmavam com a ajuda dos paranaguás (ou eram caravalhas? Vou inventando esses neologismos e depois esqueço como eu batizei o quê), os bons doutores botavam a mulher de costas e a faziam ser penetrada por uma máquina de fuder elétrica.
Ao todo, eles devem ter testemunhado uns 10 mil orgasmos.
Eis algumas das suas conclusões publicadas no livro Human Sexual Response, que apareceu nas livrarias em 1956 e vendeu, de cara, mais de 250 mil cópias a dez dólares cada uma:
a) Quando excitado, o pau do homem fica duro e as paredes da xota da mulher se lubrificam. Os ovos do homem sobem enquanto o seu saco se encolhe. Os pequenos e grandes lábios da mulher, bem como o clitóris e os seios, incham, enquanto que o interior da vagina se torna mais espaçoso.
b) Aumentam a pressão sanguínea, a pulsação e a respiração.
c) Quando o homem ejacula, a vagina se contrai. As contrações em ambos os sexos ocorrem no princípio a cada 1/2 de segundo e depois a intervalos cada vez maiores. As contrações variam entre 3 e 12 até um recorde de 25 em 43 segundos. Há uma correlação entre o número de contrações e a intensidade do orgasmo.
d) Não há nenhuma diferença fisiológica entre orgasmo vaginal e orgasmo clitorídeo. Isso deixou os filhos de Freud do mundo inteiro chateados pois, segundo o velho, o orgasmo vaginal é maduro e o orgasmo clitorídeo (iano) é imaturo.
e) Os orgasmos mais intensos ocorrem através da masturbação e muitas mulheres são multiorgasmáticas. Algumas, com um vibrador elétrico, chegam a gozar umas vinte vezes numa hora.
f) À medida que as pessoas envelhecem, o interesse sexual muda, mas não acaba. Os homens levam mais tempo para levantar o pau, mas em compensação levam mais tempo para gozar. As mulheres tendem a ficar mais secas por dentro e necessitam de contínuo estímulo para funcionar adequadamente.
Certa vez, depois de uma sessãozinha de sacanagem, o William olhou para a Virginia e pensou: “Acho que vou master o johnson dela”. Pensou e mandou ver. Casaram-se no dia em que ele conseguiu se divorciar: 1972.

ABC do Fausto Wolff (Parte 47)


MASTURBAÇÃO Prática esotérico-patafísica responsável pelo crescimento de pêlos nas palmas das mãos. (Ver Punheta.)

MATOSO, Glauco (1951...- ) Pseudônimo de escritor e jornalista paulista que sofre de glaucoma. Um mestre em anagramas, jogos de palavras, diretor do Jornal Dobrabil, dono de um estilo irônico e mordaz, que corta rente aos ossos dos caga-regras, Glauco Matoso infelizmente tem o mau hábito de lamber pés de atletas, de preferência sujos e suados.
É dele esta historinha que foi publicada no Pasquim quando eu era um dos editores do hebdomadário que, suspeito, seja um semanário com corcova.
Casa burguesa no Brooklin Novo, São Paulo. O telefone toca e a mãe atende:
– Alô?
– Aí é da casa do rapaz que botou um anúncio no jornal dizendo que lambia pés de atleta?
– É daqui mesmo.
– Posso falar com ele?
– É pra você, Glauco, meu filho. (Glauco pega o telefone.)
– Sou eu, o lambedor de pés a domicílio.
– Então é verdade! Será que dava pra você dar um pulinho aqui em casa?
– Estás com os pés suados?
– Estou, acabo de correr 20 quilômetros.
– Há quanto tempo você não lava os pés?
– Mais de uma semana.
– Qual é o endereço?
– Alameda Galvão Bueno, 134, ap. 1111. Você vem?
– Já estou indo. Tem mais alguém com você aí?
– Só o meu irmão, mas pode vir que ele é gente fina. Psicanalista.
– Michou o papo, não vai dar pra ir.
– Mas por quê?
– Tenho nojo.

MEAD, Margaret (1904- ) Esta americana da Filadélfia até que foi bonitinha quando jovem. Desde pequena, porém, sempre se interessou pela vida sexual... dos macacos e escreveu muitos livros a respeito. Sobre ela, pessoalmente, sei muito pouco. Entra no meu ABC porque fez algumas descobertas interessantes ao estudar os hábitos dos aborígines australianos, os poucos que sobreviveram à sanha dos civilizados.
Ela descobriu, por exemplo, que as tribos Arapesh e Mundugumor praticamente não fazem diferenciação entre os sexos. As diferenças poucas entre homens e mulheres não têm relação sexual.
Noutra tribo, os Tchimbulli, o papel dos sexos aparece trocado. Isso ocorre devido à antiga paz, imposta pelos colonizadores britânicos, que proibiram as guerras entre as tribos.
Graças à paz, os guerreiros passaram a ser apenas figuras decorativas.
A economia da sociedade depende exclusivamente das mulheres, cujo status aumentou muito desde a paz obrigatória.
Segundo Mead, a mulher Tchimbulli é quem negocia e decide tudo, enquanto que o homem se tornou econômica e emocionalmente dependente.
Não fazem outra coisa senão mexericar o dia todo.
Os generais brasileiros, que desde o genocídio paraguaio nunca mais guerrearam com ninguém, bem que poderiam mirar-se no exemplo dos Tchimbulli.

MERNEPHTAH (1340 a.C.-?) Hoje em dia são os judeus que não param de aporrinhar os líbios. Mas o rei Mernephtah era pior que Sharon e Begin juntos. Em 1300 a .C., ele retornou a Karnak, no Egito, depois de derrotar os líbios. 
Com ele, num saco imenso, trouxe mais de 13 mil paus que havia mandado cortar dos inimigos vencidos. 
Um antigo monumento em Karnak tem a lista gravada em pedra.
Pirocas de generais líbios: 6;
Pirocas cortadas de soldados líbios: 6.359;
Pirocas cortadas de soldados de Siracusa: 222;
Pirocas cortadas de soldados etruscos: 542;
Pirocas cortadas de soldados gregos e presenteadas ao rei: 6.111.
Hobbizinho filho da puta este do Mernephtah. 
Aliás, só quem fala deste rei é o livro de recordes do G.L. Simons.
O grande capador faz muita falta na praça dos Três Poderes, em Brasília.

ABC do Fausto Wolff (Parte 48)


MENOPAUSA Minha cara leitora, você entrou na menopausa quando começou a menstruar com menos frequência, passou a encher mais o seu marido, filhos, a gritar e chorar sem motivo aparente. Ficou mais chata, não é mesmo? Mas isso vai passar logo que o fluxo menstrual parar totalmente.
Pense nos aspectos positivos: seu apetite sexual não diminuiu por causa da menopausa e nem suas habilidades atléticas na cama foram prejudicadas, certo?
Não tem mais que se preocupar em ficar toda manchada de sangue, de repente, dentro de um ônibus e, finalmente, pode jogar no lixo as pílulas anticoncepcionais.
O quê? Você, cara leitora, só tem dezesseis anos?
Então, desculpe, e volte quando estiver entre os quarenta e cinco e cinquenta.

MENSTRUAÇÃO Bonnie é uma garotinha de quatorze anos que tem um cachorro chamado Trots com quem ela bate grandes papos filosóficos quando não tem ninguém por perto. Papos inteligentes e simples, nada parecido com os dos neoiluministas brasileiros, que escondem sua ignorância atrás de vocábulos cujos significados eles mesmos desconhecem.
Bonnie e Trots são personagens de histórias em quadrinhos que aparecem no National Lampoon. A criadora deles é a talentosa Shary Flenniken, que, em se gozando, goza o mundo.
Bonnie está no sofá da sala da sua casa trocando figurinhas com o Trots quando chega a sua mãe e vai falando:
– Oh, Bonnie, já que você não está fazendo nada, tem uma coisa que eu queria te contar... e ...não vai ser agradável nem para mim nem pra você... Um você vai descobrir... humm... humm... um pouco de sangue... hum... humm... entre as suas pernas. Eu quero que você saiba que isto acontece com todas as meninas quando elas têm treze anos mais ou menos. É, provavelmente, a coisa pior que pode acontecer com uma mulher até o dia em que ela se casa. De qualquer modo... é o fim da infância e o começo de trinta ou quarenta anos de preocupações, de constante medo de ficar grávida. Vem do teu útero... fluido e matéria inútil. Isso tudo vai sair de você por uma semana ou um pouco menos para aparecer de novo no próximo mês e no próximo e no próximo, praticamente pelo resto da sua vida... até você se acostumar. Então um dia pára. Neste dia você estará velha. Toma este livro aqui. Se chama Tornar-se Adulta e Gostar. Ah, eu ia esquecendo: a menstruação pode doer. Obrigada, mamãe.
– Obrigada, mamãe.
Em seguida, Bonnie vira-se para Trots e pergunta:
– Você quer ler esse troço?
– Acho que vou esperar pelo filme, respondeu o cachorro.
Ah, não gostaram da historinha, né? Querem verbete careta, chato como menstruação, né? Então aí vai.
Perda periódica de sangue e secreções do útero de mulheres que não estão grávidas desde os doze-treze anos, até os quarenta e cinco-cinquenta.
O tempo entre o princípio de uma menstruação até o dia anterior ao princípio da próxima chama-se ciclo menstrual. Muda de mulher para mulher, mas em média dura uns vinte e oito dias.
Algumas mulheres sofrem contrações dolorosas, ganham peso, devido à retenção de água, e aumentam a sensibilidade dos seios durante o período.
Finalmente, graças aos estudos feitos por Jean Jacques Bouchard no século XVII, sabe-se, com absoluta certeza, que o sangue menstrual não destrói a grama, não embaça espelhos, não seca sementes de videira, não dissolve o asfalto não produz manchas indeléveis de ferrugem nas facas, como se acreditava até então. Fim da aula.

MESSALINA (22 d.C-44) É preciso evitar a inveja dos deuses para driblar maus destinos. Cláudio, o imperador de Roma que sucedeu à histérica bichinha chamada Calígula, foi o melhor de todos os césares: tinha um senso apuradíssimo de justiça, foi um dos maiores intelectuais do seu tempo e, durante o período em que governou, Roma prosperou como nunca. 
Em compensação, os deuses fizeram com que nascesse manco, gago, feio e tímido, o que não seria nada, não fosse eles também terem lhe dado como esposa aquela que até hoje foi considerada a maior puta da humanidade: Messalina.
Viveu pouco mas fudeu muitíssimo. Poderiam ter dado Messalina para qualquer dos quinze imperadores que antecederam Cláudio, pois, segundo Gibbon (The History of the Decline and Fall of the Roman Empire), o menos tarado só entubava uma brachola vez por outra.
Mas dar-lhe uma mulher decente que o amasse e respeitasse faria com que se aproximasse muito dos deuses. Além de tudo, Cláudio se dava ao luxo de ser ateu secretamente. Mas falemos da jovem putaça.
Começou dando para todos os servidores do palácio real. Embora fosse uma lourinha muito jeitosa, peitos pequenos mas durinhos, os caras, em princípio, recusavam, pois temiam a reação do marido.
Messalina, porém, informava: “Se você não me comer, vou dizer ao imperador que você quis me comer aí em vez de fuderes a imperatriz, serás fudido”.
Cansada dos servidores, passou se interessar pela classe teatral que, já há 2 mil anos atrás, não era conhecida exatamente pelo número de heterossexuais que conglomerava.
Depois de muita pesquisa, entretanto, ela achou o ator Mnester, que aparentemente não era chegado a um arranho.
Era um cara sério que admirava o imperador e se recusava chamar Messalina para as chinchas. Ela então se queixou a Cláudio:
– Meu bem, imagina que um reles atorzinho de merda se recusa a atender um pedido da imperatriz.
Cláudio, um sujeito distraído mas que tinha uma das vocações cornais mais extraordinárias da história do nosso pequeno mundo, chamou Mnester à sua presença e advertiu:
– Sugiro que obedeças a todas as ordens da imperatriz.
Mnester não teve outra saída senão obedecer o imperador, tarefa a que se dedicou con gusto. Tanto gusto que, ao fim de três anos, Messalina mandou exigir uma estátua em sua homenagem.
Roma inteira sabia que ele comia a imperatriz por ordem do próprio imperador. Só quem não sabia era o imperador.
Ela, porém, tinha mais apetite que qualquer puta desta minha modesta enciclopédia. Além de Mnester, trazia homens aos lotes para a sua cama. Quanto mais, melhor.
Quando Cláudio, em 43 d.C. viajou para a Britânia à frente de suas tropas, Messalina realizou uma proeza que ainda não foi igualada: transformou Roma num imenso bordel, do qual era a puta principal.
De cara, dançou pelada no fórum. Em seguida redecorou a sua câmara nupcial, fazendo com que se parecesse com um puteiro. Do lado de fora do quarto, colocou uma tabuleta com o nome da mais célebre prostituta da cidade e, seios de fora, ficou parada na porta convidando quem passasse para comê-la. Cobrava apenas o preço de uma meretriz comum.
Durante semanas só não a comeu quem não quis.
Segundo Plínio e Juvenal, ela desafiou a mais famosa meretriz do império para ver quem conseguia fazer gozar o maior número de homens em vinte e quatro horas. Messalina ganhou: passou na cara vinte e cinco homens em menos de vinte e quatro horas.
Todos achavam que o seu furor uterino se acalmaria com a volta de Cláudio, “mas qual o que, aumentou o seu fuder!”
Passou a dar festas nas quais obrigava as damas da corte a se prostituírem na frente dos maridos que, ou por cagaço de perderem suas fortunas ou por cagaço de perderem suas cabeças, se limitavam a sorrir amarelo e comentar: Esta Messalina tem cada uma! — enquanto suas mulheres tinham todos seus orifícios preenchidos.
A imperatriz gostava de paus . Enfiava na bunda, na buceta, na boca, debaixo dos braços, entre os seios, etc. Apenas eventualmente, quando não havia nem ao menos um corcundinha à mão, chupava uma buceta.
Houve um dia, porém, em que exagerou. Engraçou-se com um cara chamado Gaius Silius.
Obrigou-o a se divorciar da mulher e se casou com ele enquanto Cláudio tomava banhos de água mineral em Óstia.
Convites foram enviados para todo o society da época e depois do casamento o fudeu à vista dos convidados numa cama enorme.
Aparentemente isto foi demais para alguém que informou Cláudio.
De Óstia mesmo ele mandou por mensageiro uma ordem à Messalina:
– Quando eu voltar para Roma, não quero te ver viva.
Ela sentiu que ele falava sério e se suicidou com o último amante.
Dizem que Claudio, ao retornar, perguntou a um dos escravos que lhe serviam o jantar:
– A imperatriz, onde está?
Informado, teria resmungado:
– É verdade, eu tinha esquecido!

ABC do Fausto Wolff (Parte 49)


MISHIMA, Yukio (1925-1970) A você, leitora, que está pensando em casar mas que é bem baixinha, eu sugiro muita calma, pois não lhe desejo a sorte da infeliz Yoko Sugiyama. Em 1958, ela foi procurada em sua casa por dois rapazes altos e parrudos que, depois de um pequeno preâmbulo, perguntaram se ela não queria casar com Yukio Mishima.
Ela mal pôde acreditar, pois ele era o escritor mais popular do Japão e todas as moças ricas e inteligentes de famílias tradicionais deviam andar correndo atrás dele.
Ela, porém, foi a escolhida, porque tinha só dezenove anos, era mais baixa que Mishima, que tinha menos de 1,55m, queria casar com ele por considerá-lo um homem bonito e não por ser uma celebridade, seria gentil e obediente com seus pais e prometera não perturbá-lo enquanto ele estivesse escrevendo seus romances.
Mas entre as coisas que a pobre Yoko não sabia, estava o fato de que centenas de jovens procuradas pelos dois rapazes altos e fortes teriam respondido que prefeririam morrer a casar-se com Mishima.

E no Japão, quando alguém diz que prefere morrer é porque prefere mesmo.
Casaram-se dois meses depois de se conhecerem. Puta festa. A sociedade endoidou. Partiram para a lua-de-mel e Yoko verificou que Yukio não era grande entusiasta do esporte. Trepava, é verdade, mas assim, meio distraidão.
Ao voltar para casa e verificar que ela estava cheia de rapazes altos e fortes foi que a pobre Yoko descobriu que seu marido não era só o escritor mais popular do Japão, mas também homossexual, líder de um Exército de mais de oitenta homens chamado literalmente de a Sociedade do Escudo, e tinha uma mãe que era uma verdadeira megera.
Quando Mishima não estava escrevendo, se reunia em casa com seus “soldados”. Passavam óleo nos respectivos corpos e faziam concursos de halterofilismo. Eventualmente, se beijavam, se abraçavam e enfiavam dedos nos respectivos cus.
Tudo isso Yoko aguentou pacientemente e até mesmo a sogra, que vivia lhe enchendo o saco (metáfora, metáfora): “Meu filho entrega o anel porque você não é uma boa esposa”.
Chegou mesmo a convencê-lo a ir para a cama com ela de vez em quando e a prova disso são os dois filhos do casal, já bem crescidinhos hoje em dia.
Li quase toda a obra do Mishima, infelizmente em traduções para o inglês. Era realmente um bom escritor, embora fosse fascista, sadomasoquista e um bom canalha, pelo menos em relação à mulher.
Se torturava com a ocidentalização do Japão que, segundo ele, estava se emasculando.
Paradoxalmente, porém, adorava o cinema americano, fazia boas imitações de Humphrey Bogart, James Cagney, Marlon Brando, e entre seus planos estava levar seus filhos para a Disneylândia.
Gostava também dos trópicos e antes do seu casamento, aos trinta e três anos, esteve no Rio de Janeiro durante um carnaval e seu quarto no Copacabana Palace estava sempre cheio de rapazes altos e fortes.
Vivia obcecado com a ideia da morte e seu melhor livro, na minha opinião, é uma análise de um clássico japonês, de autoria de um samurai do século XVII, o Hagakure, que informa: “Na dúvida, o verdadeiro samurai escolhe a morte”.
Em 1970, Mishima tentou dar um golpe de Estado. Troço ridículo: depois de usar um general das Forças Armadas como refém, tentou convencer os soldados a subverter o governo.
Riram dele que, na frente das câmeras de TV, praticou o seppuku, desventrando-se com uma espada. Seu jovem amante, Morita, deu um passo à frente e cortou-lhe a cabeça.
Macho pacas, mas pessoalmente acho que se matou porque achava chato ser macho pacas e gostar de sentar num sabre.

MODÉSTIA Nada a ver com aquela demonstrada por Jesus após ser adorado por uma multidão de mulheres: “Por favor, minhas senhoras, foram apenas uns milagrezinhos”. A modéstia a que me refiro está mais para decoro e pudor determinados por convenções sociais. 
Na tradição judaico-cristã a modéstia está associada a roupas e ao ato de vesti-las. Adão e Eva, depois da primeira bimbada, foram se esconder atrás das moitas, pois não?
Os índios que insistem em se comportar como verdadeiros seres humanos e por isso mesmo estão sendo dizimados não pensam assim.
Por ocasião da abertura da Belém-Brasília, conheci alguns que viviam às margens do Tocantins e que tinham vergonha de usar as roupas que os bestalhões que estavam comigo lhes ofereceram.
Uma mulher muçulmana de uma das muitas tribos berberes do Saara, se fosse surpreendida pelada, tentaria cobrir a face e não a xota.
Na Espanha do século XVI e em algumas partes da China pré-Mao, os pés femininos só podiam ser vistos em toda a sua esplendorosa nudez pelo legítimo marido do resto da mulher.
Aliás, na China, para aumentar a tesão dos seus senhores, as pobres mulherinhas amarravam os pés desde a infância, deformando-os para sempre na maioria das vezes.
Como vocês vêem, volta e meia a proverbial sabedoria chinesa estava mais para proverbial do que para sábia.
Na Espanha, a inquisição chegou a pedir a cabeça de Murillo porque o pintor ousara apresentar “La Virgen” de pés descalços. Entretanto, ela já havia sido retratada de seios de fora durante toda a Renascença. Aliás, vou fazer um parágrafo para falar de seios.
No reino de James I (que, por sinal, entubava e a famosa tradução da Bíblia para o inglês não foi, realmente, de sua autoria; ele se limitou a pagar os tradutores e depois assinou embaixo), na Inglaterra, as mocinhas virgens usavam decotes imensos que expunham seus mamilos à gratificada curiosidade pública.
Era um modo de dizer: “Ainda não dei minhas prendas para ninguém”.
O topless-look entra e sai dá moda anualmente nas mais diversas partes do mundo.
Dizem alguns detratores do nosso competentíssimo governo que sempre que ele quer desviar a atenção do distinto público de alguma roubalheira maior que as corriqueiras, paga algumas maluquetes para andarem peladas pelas praias do país. Não há jornal que não caia no conto.
A verdade, meus chapinhas, é que tem sempre um babaca para dizer que a nudez é a fonte de todos os males, embora não tenha aparecido ninguém para dizer que viu o sr. Antonio Carlos Malvadeza pelado.
O papa Júlio II ficou tão horrorizado ao ver os pauzinhos que Miguel Ângelo pintou em anjos, santos e apóstolos, que contratou um pintor medíocre Giovanni Volterra para pintar uns paninhos diáfanos sobre as santas partes pudendas.
E nos Estados Unidos, ainda alguns anos atrás, uns malucos iniciaram uma campanha para tornar obrigatório o uso de culhoneiras em cachorros e cavalos.
Se Deus seus moralistas de merda!  achasse paus, bucetas, seios e bundas, coisas feias, teria feito suas criaturas sem essas partes... modestamente.