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sexta-feira, agosto 11, 2017

ABC do Fausto Wolff (Parte 50)


NASOMONIANO, Costume Um costume meio sacana e altamente duvidoso que, porém, Heródoto registrou no século V antes de Cristo. Segundo ele, quando um nasomônio povo que vivia onde hoje é o Sul da Líbia, que Israel não pára de bombardear casava com uma nasomônia a festa só acabava quando todos os convidados haviam comido a noiva.
O troço, evidentemente, também tinha o seu lado prático. A noivinha ficava deitada paninhos para cima com a cabeça sobre os joelhos do marido.
Os convidados, todos em fila, primeiro os mais humildes e depois os membros mais ilustres da comunidade, baixavam as calças ou levantavam os camisolões e mandavam ver.
Não valia, como no samba de Lupicínio Rodrigues, dar a segunda.
Nego gozava, dava o presente para o noivo e fazia lugar para o que vinha atrás na fila.
Depois que todo mundo tinha matado a fome, o marido finalmente podia dar a dele.
É claro que se após a festa a esposinha fosse flagrada dando pra outro cara que não o marido, era apedrejada até a morte.
Entre os nasomônios era assim: “Puta, só no dia do casamento”.
Já no Ocidente, principalmente entre a classe dominante, às vezes a coisa é o contrário: “Puta, só a partir do dia seguinte ao casamento”.
O antropologista francês do século XIX François Domitien Darcos descreve um costume semelhante entre os marquesanos (não confundir com velho político gaúcho, famoso pelo amor aos governos militares) da Polinésia: os homens da aldeia ficam em fila e começam a cantar e a dançar.
Acabadas as perfumarias preliminares, o marido roga, pessoalmente, a cada um dos convidados, a começar pelos mais velhos, que coma a sua noiva.
Quando o último e mais jovem acabar de molhar o biscoito, o noivo, mais uma vez, agradece um por um e finalmente dá a dele, na frente de todo o mundo.
Aparentemente isto é para responsabilizar toda a tribo pelo defloramento da noiva.
Pode não ser agradável para os noivos, mas certamente é bem menos violento que dar tiros simultaneamente em presuntos na Baixada Fluminense para que ninguém do Esquadrão da Morte possa tirar o galho dentro depois, dizendo: “Eu não tive nada a ver com o peixe”.

NAZARETH, Convento de Normalmente este convento, que existe até hoje em Colônia, na Alemanha, não precisaria ser citado aqui. Acontece, que numa bela manhã do verão de 1565, as freiras acordaram com ideias de jerico.
Imaginem que todas elas e eram mais de cem foram para a frente do convento, levantaram os hábitos (as calcinhas ainda não haviam sido inventadas) e mostraram as respectivas bucetas e bundas para os atônitos passantes.
O médico alemão Kurt de Weier, que documentou o fenômeno em seu livro De Praestigiis Daemonum, disse que elas diziam palavrões cabeludíssimos e tentavam apanhar homens à força.
Passadas duas semanas, depois de serem surradas com chicotes, pouco a pouco se acalmaram.
Sugiro que vocês dêem uma olhada no verbete que fala de íncubos e súcubos.

NECROFILIA Vocês lembram como os olhos dos ministros da Fazenda (de Roberto Campos, passando por Bulhões, Simonsen, Delfim, Dornelles, Funaro, Bresser, Maylson) brilhavam quando falavam na TV em inflação morta? Pois é, necrofilia é amor por cadáveres.
Amor que pode levar ao ato sexual ativo por parte do necrófilo e, extremamente passivo, como vocês bem podem imaginar, por parte do presunto.
Vida sexual difícil, certamente, é a do necrófilo que pretende ser enrabado pelo cadáver. A História não registra nenhum caso.
O caso mais conhecido do setor Necrófilo come defunto foi protagonizado pelo sargento Bertrand, que começou modestamente cortando talos de flores, arrancando asas de borboleta, cegando passarinhos, capando gatos e cachorros.
Mas só descobriu o seu hobby quando visitou um cemitério altas horas da noite.
Começou a desenterrar cadáveres e não parou mais. Às vezes chegava a abrir mais de dez caixões até encontrar um corpo jovem que lhe agradasse.
Então, segundo suas próprias palavras, “eu fazia com ela tudo o que o amante faz com a mulher amada”. “E depois?”, quis saber o repórter. “Depois”, respondeu o monstrinho, “eu cortava ela toda com este facão!”
O necrófilo geralmente é mais para o horroroso e, quando une a feiúra ao homossexualismo, só se satisfaz com cadáveres masculinos.
Ama os mortos porque estes não riem dele e nem dizem: “Pô, cara, tu és mais feio que cocô de múmia”.
Depois de gozar dentro do cadáver, o necrófilo o corta em pedaços se vingando assim dos que riram dele em vida.
Como os sádicos que adoram trabalhar em delegacias de polícia e os viados que trabalham em sauna até de graça, os necrófilos procuram sempre arranjar empregos em cemitérios, necrotérios e hospitais. Os de hospital escolhem a parceira enquanto ela ainda está viva.
Uma coisa é certa: esses tarados não gostam de mulheres que falam muito.

Declaración de los derechos del torcedor borracho


Por Solda

1. El torcedor deve gozar (epa!) de todos dos derechos enunciados nesta Declaración. Estes derechos debem ser reconocidos para todos los torcedores, de todos los times, de toda espécie, sim excessión ninguna y sin distinción o discriminación (hic). La policia fica proibida de descer el cacete. Todo torcedor tiene el sagrado derecho de ir y de venir (hic), desde que no atrapalhe el ir e venir de los otros. Una cerveza bien gelada, por favor!

2. El torcedor deve beneficiar-se de proteción especial para no levar porrada a torto y a derecho, para que no sea massacrado por los torcedores adversários, para torcer de modo sadio y normal, sin tagarelices y sin quebrar estaciones-tubo ni destruir los colectivos que encontrar por el caminho, em condiciones de libertad y dignidade, sin tenga (hic) la camisa rasgada o su bandera queimada em las calles e nos estádios. Lá policia fica proibida de descer el cacete y no tiene el derecho de apreender algodón-doce, pipueca ni pié-de-moleque de ninguno. Otra cerveza gelada, por favor!

3. El torcedor tiene el derecho de torcer por el time que lhe der em la telha, en las colores que escojer, sin se incomodar com palavrones, con la profissión de la madre de otros (hic) torcedores y de vestir su camisa em qualquier logar, a qualquier hora, por qualquier motivo, a qualquer precio. La policia fica proibida de descer el cacete. El torcedor tiene ainda el derecho de cantar el hino del clube, por más desafinado y terríbe que eso sea, xingar la progenitora de todos los árbitros, de vaiar la Seleción Nacional (esa misma que usted está piensando), de espinafrar banderinãs, gandulas y de jugar mietros y mietros (hic) de papel higiênico em el golero del time adversário. Más cerveza gelada, por favor!

4. El torcerdor tine el derecho (hic) de crescer y desenvolver-se de modo sadio, sin se misturar a la estupidez y la violenzia de las torcidas organizadas. Puede hacer la fiesta de la victoria de los torcedores de los times adversário. La polícia fica, evidentemente, proibida de descer el cacete. Ningun torcedor puede jugar vierde para colhe rojo. Otra cerveza!

5. El torcedor necessita de amor, compreensión, radiño de pilha, cacauete, amendoin, espetiño, sorbete, corneta, boné, pan com bife, refrigerante, faxas, banderas, cartazes y ingresios a precios populares. La polícia fica proibida de espancar y bater. Más cerveza gelada, para todos!

6. La policia fica proibida de descer (hic) el cacete. Todo torcedor tiene el derecho de torcer por su time em la arquibancada del adversário, como yá habló el outro. Si la torcida adversária dejar, está claro. Una caña y otra cerveza, muchacho!

7. El torcedor debe tener possibilidades de jugar, beber, brincar y dedicar-se a las atividades recreativas y esportivas, que debem ser orientadas para objetivos de educación; es deber de la sociedade compreender y entender las passiones desenfreadas que norteiam los torcedores más locos, cuando detonam toneladas de fuegos de artifício, se referem a la madre del juiz com (hic) palavras impróprias o ameaçam linchar el técnico del próprio time. La polícia fica proibida de descer el cacete. Más caña!

8. El torcedor debe, em todas las circunstanzias, figurar entre los primeiros a recibirem proteción y socuerro y debe ser protegido contra todas las formas de abandono, crueldade y exploración, tanto da parte de los cartolas como de los cambistas. En hipótese alguna la policia debe descer el cacete! El torcedor es inocente, caramba!, hasta proba em contrário y tiene el (hic) derecho de quedar se calado, porque cualquier cosa que diga será usado contra el. Cerveza!

9. Todo torcedor tiene el derecho de tomar uma marvada (hic), aquella que mato el guarda! Más caña y más cerveza!

10. Caña y cerveza gelada para todos!

terça-feira, agosto 08, 2017

ABC do Fausto Wolff (Parte 41)


KNICKERBOCKERS – O pseudônimo de Igor Cassini (ou teria sido o do irmão dele, o Oleg?) quando escrevia para o New York Times, na época em que este negócio de coluna social estava na moda em outros países, além do Brasil, era Cholly Knickerbocker. Parece coisa de viado e vai ver o nosso Cholly era chegado a uma big chiba!
Mas não era sobre este Knickerbocker que eu queria falar.
E lembrando isso dirijo a minha untuosa pena diretamente para você, leitora amiga que me lê – olhos súplices e grandes lábios de mel úmidos – neste momento.
Já houve uma época, querida, em que as mulheres não usavam calcinhas como estas que você está usando agora. Ou não está?
Até 1850, por baixo dos vestidos e das anáguas (moças e coroas e velhas), era tudo índio.
Não cobriam a parte mais nobre do todo delas, como acontece hoje em dia. Quero dizer: hoje em dia cobrem quase nada, tanto que usam nos países baixos aqueles bigodinhos que o Chaplin e o Hitler usavam debaixo do nariz.
Dizem que, em 1852, o Dr. Tilt, ginecologista da moda em Londres, estava sem assunto e decidiu que deveria ter sua memória execrada por este cronista mais de 130 anos depois.
Adivinhem o que fez: aconselhou suas clientes a usarem calças, por baixo dos vestidões para não apanharem, adivinhem o quê? Pneumonia, porra! Fez uma ligação direta entre a xota e os pulmões, o apedeuta!
As primeiras calcinhas em verdade eram calções, pois eram estritamente utilitárias.
Logo algumas “cabecinhas a serviço do bem” começaram a funcionar e surgiram as knickers, como foram batizadas, em todos os matizes e vinhetas diversas.
A primeira providência, por comodidade talvez, foi deixar o que fica entre as pernas – e garanto que não estou falando dos joelhos — completamente livre.
As calças protegiam, em verdade, só as coxas, a barriga e a bunda – por causa do resfriado, percebem? –, mas era possível manter relações sexuais sem tirá-las.
Apesar dessas facilidades, pessoas inteligentes e de bom gosto continuaram a lutar contra a nova moda.
Em 1855, o rei Vitório Emanuel, da Sardenha, viu uma dama de companhia cair no chão durante uma recepção em Paris e comentou com a mulher de Napoleão III que estava ao seu lado: “Estou contente em comprovar, madame, que as damas francesas não usam essas malditas calças como as inglesas e mantêm abertas constantemente as portas do paraíso”.
A História não registra a resposta da imperatriz.

KRAFFT-EBING, Richard von (1840-1902) – Se interessava muito por todo e qualquer tipo de sacanagem, mas não era um verdadeiro sacana, no que o termo possui de intrinsecamente positivo. Aliás, era um sacana, sacana mesmo!

O estilo deste alemão rico e aristocrata nascido em Mannheim é muito bom, mas o conteúdo, se entendido ipsisliteris, pode formar muitos maluquinhos cun Iode.
Como Krafft-Ebing não tinha nada de mais interessante para fazer, resolveu ser neurologista e psiquiatra. Aos vinte e nove anos já era professor na Universidade de Estrasburgo.
Especializou-se nos aspectos legais da insanidade e, graças a isso, sempre que alguém cometia um crime com conotações sexuais, era chamado ao tribunal para dar a sua opinião.
Colaborou muito para fazer da sexologia uma ciência, mas parecia acreditar que, como a aritmética, ela era uma ciência exata.
Daí classificar a teoria da sexualidade infantil de Freud (não era Freud que tinha a sexualidade infantil, mas sim havia escrito uma teoria sobre a sexualidade infantil. Entenderam ou devo ser mais explícito?) de conto de fadas.
Em seu livro Psychopathia Sexualis, ele demonstrou ser um excelente colecionador de casos bizarros, que catalogava com o cuidado digno de um maníaco sexual sob os rótulos de homossexualismo, fetichismo, sadismo, masoquismo, et genitalia.
Ao contrário de Havelock Ellis, que gostava que as moças fizessem pipi em cima dele e via as vítimas de anomalias sexuais com simpatia, Krafft-Ebing não dava colher de chá para os que iam além da posição sacerdotal (ver verbete de Kichizo, Ishira).
Em seu livro ele conta o caso de um rapaz que, muito poeticamente na opinião do locutor que vos fala, tinha uma ereção sempre que beijava uma rosa.
Pois bem: o nosso psiquiatra alemão informou ao moço que se ele não parasse de beijar flores iria acabar como um cara que havia assassinado seis prostitutas em Londres para ver como eram os intestinos delas.
Provavelmente referia-se a Jack, o Estripador, que não verbetei neste livro porque ninguém sabe nada sobre esse maluco.
Como todo calhorda, Krafft-Ebing também era inimigo da masturbação, em cuja prática ele via a origem de todos os males. E eu que acabo de bater uma punheta na esperança de verbetar este verbete com mais molho do que o verbetado merece!
Dizia Krafft-Ebing que conhecera uma menina cujos pais não a proibiram de siriricar-se quando tinha sete anos. Aos onze, apesar deles colocarem uma chapa de ferro quente em volta do seu clitóris, “ela continuou praticando o abominável vício”.
Só parou quando lhe extirparam o clitóris, que alguns microcéfalos da nossa melhor sociedade insistem em chamar de clítoris porque são muito púdicos em vez de serem simplesmente pudicos.
Esteja ele onde estiver (no céu, quizas!), deve estar muito puto dentro das calças por saber que seu livro continua sendo publicado, não por seu interesse científico, mas por que estimula o fã-club de Onan, que, por sinal, não era onanista.
Disso falaremos na letra “O”, aquela em que a Maria Candelária caiu de pára-quedas!

LACLOS, Pierre Choderlos de (1741-1803) – Em 1782 sentou o rabo numa cadeira... Como? Não, seu berôncio, não sentou o rabo numa cadeira e disse: “Tu ficas aí, Rabo, que eu já volto”. Sentou o rabo numa cadeira e escreveu Les Liaisons Dangereuses. Claro que deu bode. Pois não tratava de relações perigosas?

Um dos romances mais importantes já escritos na França, foi condenado pelos moralistas (da casa para fora) como obra de aviltante imoralidade. E existe imoralidade que não seja aviltante? As autoridades francesas eram tão cloacinas que acabaram proibindo e confiscando o livro em 1824 através de um decreto-lei (pqp!).
E de que trata a novela do Lolô? Das sacanagens do visconde de Valmont e da sua cúmplice, a marquesa de Merteuill.
Eis o esquema: o visconde arrumava amantes para a marquesa e a marquesa arrumava amantes para o visconde, ou seja, uma mão lava a outra.
Depois os dois se encontravam na cama e ele contava para ela o que fizera com as outras e ela contava para ele o que os outros haviam feito nela.
Evidentemente, havia um código ético que norteava ou sustava as ações do casal: sempre que um não gostava da (do) amante do outro, a regra era puxar o trem.
Embora a dupla acabe sendo castigada (ele morre num duelo e ela, prosaicamente, de varíola, não se pode dizer que a virtude triunfe na novela de Laclos que, se não me engano, foi traduzida por Carlos Drummond de Andrade, que não era de traduzir nada que fosse menos que uma obra de arte), tanto o visconde como a marquesa são personagens inteligentes, brilhantes, irônicos, cheios de savoir-faire.
Já os assim chamados personagens positivos são sandeus estúpidos e tão expressivos quanto a parte inferior de uma caixa de sapatos.
O que encheram o saco do Laclos por causa da novela eu nem conto, para não encher o saco de vocês.
E tudo porque ele contou as sacanagens de um casal; sacanagens que fariam morrer de rir os profissionais do esporte que frequentam as colunas sociais do Zózimo e do Ibrahim.
Aporrinhado, Laclos casou-se com a mulher com quem vivia já há dois anos, teve um filho e se transformou num marido exemplar.
Para mostrar que tinha defeitos, além de escritor era general de Napoleão.
Infelizmente, em 1959, Roger Vadim dirigiu um filme baseado na novela que nem a presença de Gerard Phillipe conseguiu salvar.

ABC do Fausto Wolff (Parte 42)


LANDRU, Henri Désiré (1869-1922) – Baixinho, careca, feio, pobre, metódico, abstêmio e vaidoso. Entretanto, este parisiense fudido, comeu proporcionalmente em quatro anos – 1914-1918 – mais mulheres que Casanova e Dom Juan juntos.

Se houvesse se limitado a fazer amor enquanto a Europa fazia guerra, tudo bem. Acontece que Landru, que manteve relações com no mínimo 283 mulheres, matou pelo menos dez.
Conhecia suas vítimas através de anúncios de jornais ou abordando-as na rua.
Teve mais de sessenta e cinco mulheres por ano e, às vezes, chegava a encontrar sete num só dia.
Tanto sua mulher como sua amante fixa – Fernande Segret – declararam que o amavam muito, que ele era gentil, bom e afetuoso.
Landru, evidentemente, matava aquelas que tinham algum dinheiro, mas acabou lucrando apenas 8 mil dólares, o que não é muito.
Foi para a guilhotina sem confessar porra nenhuma.
Dizem que seu advogado teria perorado:
Acusam este homem da morte de dez mulheres. Entretanto, seus corpos não foram encontrados. O que diriam se uma delas entrasse aqui neste momento? Por favor, aproxime-se, minha senhora.
Todos os jurados teriam se voltado para a porta para a qual falava o advogado, que, ato contínuo, não perdoou:
Os senhores viraram-se para a porta. Consequentemente, têm dúvidas. Não sabem, realmente, se as mulheres estão mesmo mortas.
Infelizmente para Landru, um jornalista teria notado que ele não havia olhado para a porta.
Era o único que podia ter certeza que nenhuma das dez mulheres estava viva.
Antes de ser separado da sua cabeça, respondeu a alguém que lhe perguntou por que havia aparado a barba minutos antes:
Não posso desapontar minhas admiradoras.
Em 1946, Chaplin fez um filme – Monsieur Verdoux – baseado nas suas aventuras e, em 1968, teriam encontrado uma confissão sua atrás de um desenho emoldurado que dera de presente a um dos seus advogados:
“Queimei os corpos delas no forno da minha cozinha.”

LAUGHTON, Charles (1899-1962) – Um dos maiores atores ingleses do século. Quem não lembra dele no papel de capitão Bligh, em O Grande Motim ou de sir Wilfrid Robarts, de Testemunha de Acusação?

Era genial e o dia em que decidiu dirigir fez uma obra-prima e transformou Robert Mitchum num dos maiores atores americanos de todos os tempos: O Mensageiro do Diabo.

Quando lhe perguntaram por que não voltava a dirigir, alegou preguiça. Segundo ele mesmo declarou, tinha uma cara que parecia uma bunda de elefante. Agora imaginem como era a sua bunda.

Apesar disso, um dia, sua mulher, a também atriz Elza Lanchester, entrou em casa e o surpreendeu com uma mandioca na bunda. Mandioca é sofisticado eufemismo para pau e pau de um atorzinho de terceira. Laugthon se desculpou e informou:
– Só tem uma coisa que eu gosto de fazer mais do que te amar: entregar o anelão de couro.
Elza ficou chateada, mas acabou por se acostumar. Trepavam eventualmente, mas ela não quis mais ter filhos.
Dizia que não gostava de crianças. Gostava sim. Gostava menos, porém, que suas eventuais crianças tivessem um pai baitolo.
Um dia brincou com uma amiga:
– Quando Charles aparece em casa com alguns garotos eu vou ao mercado comprar torta de peras para eles. Realmente, não me importo. Não gosto de torta de peras.

LAWRENCE, David Herbert (1885-1930) – Um grande poeta mesmo. Se tivesse vivido mais – a tuberculose estava à espreita e desde já peço perdão por esta metáfora de merda – teria experimentado tanto como Elliot e Pound.

Filho de um mineiro de Nottingham, ele viu a vida rural abrir as pernas para a crescente industrialização da terra e coisificação do homem.

Enquanto lutava contra o modernismo industrial, paradoxalmente, recriava as formas literárias decadentes da Inglaterra vitoriana através de versos livres.

Não, meu filho, não foi o Mário de Andrade quem inventou o verso livre numa das 120 mil cartas que escreveu para os amigos guardarem e publicarem depois da sua morte ou, se possível, de preferência antes.
Em 1911 ele publicou sua primeira novela – O Pavão Branco – e, em 1913, o clássico Filhos e Amantes.
A partir daí passou a viver da publicação dos seus textos e da grana da sua mulher, Frieda von Richtofen, prima do Barão Vermelho, que durante a Primeira Guerra Mundial mandou pintar seu avião a fim de atrair os aliados e derrubá-los.
Mas ficou famoso mesmo post-mortem, mais precisamente depois que passou a lutar com o beagle Snoopy, nas histórias em quadrinhos de Schultz.
Mas voltemos ao Lawrence, que só Sephodeu Epaminondas das Silva depois do barão.
De saco cheio com a Inglaterra, Lawrence e sua mulher viveram principalmente no exterior: Itália, México, Austrália, Ceilão.
Foi perseguido a vida inteira pelos adoradores de tabus, preconceitos, convenções e outras utilidades para uso público e doméstico.
Em 1915, uma corte inglesa decretou que seu livro O Arco-íris era pornográfico.
Em 1928, a polícia fechou uma galeria que expunha uma série de desenhos que ele havia organizado. Por quê? Porque as obras mostravam essas coisas feias boladas por Deus e com as quais se fazem os seres humanos.
A maior porrada, porém, ele levou em 1929. Seu livro, O Amante de Lady Chatterley, havia sido publicado na Itália.
Imediatamente as autoridades inglesas deram ordem na Alfândega para impedir a entrada de qualquer livro no país.
Só em 1960, durante um julgamento, no qual testemunharam centenas de experts em arte e censura (como se uma coisa não abolisse a outra necessariamente), a obra foi liberada na Inglaterra.
Porra, viva o governo do Getúlio Vargas!
Em 1953, eu tinha treze anos e roubei da livraria do Globo, de Porto Alegre, um exemplar traduzido para o português que ficou muito gasto e lambuzado entre as páginas 113 e 117 e 182 e 184.
Os ingleses não podiam perdoar que Mellors, um guarda-florestal, comesse até mesmo o cuzinho da lady Chatterley.
Embora servisse perfeitamente ao propósito, Lawrence não escrevia apenas para motivar sexualmente os seus leitores.
Para ele, como posteriormente para Henry Miller, o único modo do homem ser genuinamente ele mesmo e não um boneco da civilização industrial (agora, eletrônica) era através de uma intensa vida sexual.
Segundo eles, a raiz da sanidade mental está nos bulhões de carvalho.
Um grande estilista, o único que faz com que eu consiga ler, sem morrer de tédio, vinte páginas de descrição da natureza, acreditava que o mundo caminhava – como o Brasil – para o abismo e que a única ponte era o birro.
Realmente, se todo o mundo, inclusive os burocratas, os banqueiros, os militares, os capitães-de-indústria, tivesse feito amor com suas mulherinhas desde então, hoje talvez não tivéssemos este golpe parado no ar nem esta ameaça de guerra atômica sobre as nossas cabeças e as cabeças dos nossos filhos.

LAWRENCE, Thomas Edward (1888-1935) O outro Lawrence, por sinal contemporâneo do David Herbert, foi o T. E. Lawrence, ou seja, o Thomas Edward Lawrence, mais conhecido graças ao desempenho do ator Peter O'Toole no filme Lawrence da Arábia.
Viveu cinco anos mais que D.H., mas nunca se encontraram.
Quando a Primeira Guerra Mundial estourou, o da Arábia, que era um expert em assuntos do Oriente Médio, ajudou os países árabes a se livrarem da dominação turca para caírem com maior facilidade nas malhas hering inglesas.
Acabada a guerra, escreveu Os Sete Pilares da Sabedoria, em seguida se alistou novamente na RAF como soldado raso, sob o nome de T.E. Shaw, em homenagem ao seu amigo Bernard Shaw, que, por sinal, não ia com os cornos do outro Lawrence.
Em seu livro ele descreve o homossexualismo árabe como limpo, puro e assexuado.
Entretanto, não conta nada sobre quando foi brutalmente sodomizado pelos turcos que o capturaram em 1917.
Basta ler o livro para ver que o Lawrence gostou. Era das arábias mesmo.
Morreu num desastre de motocicleta aos quarenta e sete anos.

ABC do Fausto Wolff (Parte 43)


LEEUWENHOEK, Antoine van (1632-1723) O nome pode ser difícil para vocês pronunciarem, mas para qualquer holandês é mais fácil que Oliveira. Pois o nosso Antônio era holandês e fabricava microscópios.

Um dia, depois de bater uma punheta, meteu o microscópio em cima da porra e descobriu os espermatozóides, que já existiam, seus chinchorros, apenas ninguém havia posto os olhos neles.
O que foi que o Antônio viu? Uns bichinhos que nadavam movendo a cauda como uma serpente.
Olhem o que o sacana escreveu: “O que eu passo a descrever não foi obtido por nenhum modo pecaminoso, mas sim pelo excesso que a natureza me privilegiou”.
Como todo sujeito que enxerga mais do que seu tempo quer que ele enxergue, o mundo científico riu das criaturinhas do Antônio. “Se houver alguma coisa são parasitas”, disseram os intelectuais da época,
Um cientista calabrês stronzo, aproveitando a deixa de Leeuwenhoek, disse; “Eu vi cavalinhos minúsculos dentro do esperma de um garanhão”.
Só se voltaria a falar do assunto no século XIX.

LEGMAN, Gershon (1917- ) Sacana. Escritor americano não especializado em folclore sexual, mas um senhor profissional. Antes de começar a escrever sobre o assunto, me digam onde foi que ele foi pedir emprego? Acertou quem disse “No Instituto de Pesquisas Sexuais”, mais conhecido como “lnstituto Kinsey”, na Universidade de Indiana. E onde foi que o sacana foi trabalhar? Na biblioteca, é claro!

Com mais de 20 mil histórias de sacanagem devidamente arquivadas e detalhadas em micronagens, logo logo ele começou a publicar um livro atrás do outro: Love and Death, A Study in Censorship, The Horn Book, Studies in the Erotic Folklore, Rational of the Dirty Joke.
Em 1969 eu morava em Roma quando Jeffrey Gates, um amigo meu que também pesquisa o ramo, enviou-me de New York o mais recente livro de Legman: um estudo sobre oragenitalismo que é o trabalho mais completo sobre tudo o que se faz e se pode fazer com sexo.
Realmente, nada escapou ao pente-fino dele, que descobriu coisas que fariam campeões como Sade e Jorginho Guinle corarem de vergonha.
Exemplos: se o leitor costuma fazer amor com um pedaço de carne, a experiência aconselha o fígado de boi fresco e levemente morno, a uma temperatura de 30 graus. Hábito muito caro, principalmente no Brasil.
Por uma questão de higiene, aconselha-se que o fígado seja comido apenas uma vez metaforicamente e nenhuma literalmente.
Outra dica: se o amigo tem uma parceira masoquista, convém tomar cuidado e não agir precipitadamente.
Às vezes vale a pena passar o cinto muito levemente entre as suas coxas ou sobre os seus mamilos por mais de uma hora, até que ela mesma suplique um pouco mais de força.
As vergastadas devem ir se tornando mais fortes gradativamente e sempre a pedido da partner, Iembre-se.
Finalmente, esta jóia: “Se o leitor possui um bigode encerado e pontudo deve abster-se da prática do cunnilingus para evitar ferir suas companheiras. O cunilinguista profissional não deve usar bigode e deve manter sua língua em boas condições. Se ela estiver vermelha, é sinal de falta de vitamina B”.
Legman, tremendo chutador, calculou que existem 14.288.400 posições possíveis de serem praticadas na cama entre um homem e uma mulher.
Pessoalmente, acho que não cheguei nem perto das 5 milhões.

LESBIANISMO Poderia escrever um livro do tamanho do Dom Quixote sobre o assunto, mas não quero me alongar, pois escrevo no Brasil e aqui as peças teatro têm que ter três atores no máximo, e os livros, no máximo trezentas páginas, porque empresários e editores têm medo de gastar muito dinheiro.
O lesbianismo, como os íncrevos entre vocês devem saber, é o desejo homossexual e, evidentemente, atividade sexual entre duas mulheres.
Se elas forem boas, pode haver cena mais bonita de se ver, mas eu pessoalmente desconheço.
Só é de mau gosto quando uma delas tem fartos bigodes e é metida a jogar queda de braço nos botequins da vida, além de insistir em que você a chame de Peixoto.
Quando duas belas mulheres estão numa cama, o máximo que pode acontecer é aumentar a femininidade delas.
Agora imaginem dois homens juntos, um enfiando o pepino na bunda do outro, que se vira e diz: “Agora me dá um beijo, Euclides".
Querem troço mais ridículo?
O lesbianismo, portanto, é natural pois aumenta a femiinide da mulher.
O homossexualismo masculino, entretanto, é um troço grotesco, pois acaba com a masculinidade inerente ao homem.
Em matéria de lesbianismo, minha cara cliente, temos aqui no mostruário os sapatões, também conhecidas como açougueiros, que embora imitem os homens gostariam de fazer abajures com as nossas neatherlands.
Temos também os sapatos, que se divertem quer com homens quer com mulheres, de preferência com um homem e uma mulher, e finalmente temos as sapatilhas. Elas são afetadamente femininas. Concorrem com as bichas loucas e geralmente são as namoradas dos sapatões.
O nome lesbianismo é uma homenagem poética à ilha de Lesbos, onde Sapho, a poetisa saphada (em verdade não sei de onde veio o adjetivo, pois as mulheres que a Sapho comia é que deviam ser as saphadas e não ela), produzia odes, muito boas por sinal, ao amor entre mulheres. Lesbos,digamos, era a Pelotas feminina da antiguidade.
Até pouco tempo falava-se que o lesbianismo era menos comum que o homossexualismo masculino. Mas isso foi no tempo do Relatório Kinsey, quando as moças eram mais reservadas.
Hoje em dia, em qualquer grande cidade do mundo, pelo menos uma mulher em cada dez, de mais de dezoito anos, já foi pra cama com outra mulher. É que ao contrário da baitolagem, que não consegue ficar mais de cinco minutos sem dobrar a munheca, é bem mais difícil descobrir uma adepta da luta aranhal.
Duas moças podem dividir um apartamento sem acordar suspeitas adormecidas. Já dois malandros que recebem muitas visitas dos colegas do escritório...
Quando levaram à rainha Vitória a lei que condenava o homossexualismo masculino e o feminino, a gordinha ficou uma arara e com uma penada riscou a última cláusula: “Mulheres não fazem essas coisas”. E fim de papo. Com a palavra as moças do Pizzaiolo e do Mezzo Fanciona, da Zona Sul do Rio.
Ainda não se descobriu uma explicação satisfatória para essa tendência das moças gostarem de se esfregar nas moças. Sabe-se até agora apenas o óbvio: lésbicas ortodoxas têm mais irmãs que as heterossexuais e tiveram graves problemas de relacionamento com os pais.
Cientificamente provado só um fato: as mulheres nascidas no dia 25 de julho de 1950 em Indaiá do Ratão são todas fanchonas. Não é muito, como vocês podem ver.
Enquanto não prescindirem de mim, louvo-lhes o bom gosto. E louvo tanto que, sempre que solicitado a arbitrar uma luta aranhal, atendo con gusto.

ABC do Fausto Wolff (Parte 44)


LOTHARDI Eram uns brodistas beluínos, uns biltres, enfim, que pertenciam à seita. É, Lothardi é o nome da seita. Existiu na Rússia em 1300.

Seus adeptos eram de opinião que sobre a terra se devia levar uma vida pia, pura e casta. Nove metros abaixo da terra, porém, valia tudo.

Como os sócios e sócias de Lothardi só se reuniam em cavernas subterrâneas, vocês já viram, né? Os lothardiamos mais fervorosos se reuniam pelo menos uma vez por noite. E tome polca!

LUÍS XV (1710-1774) Se Luís XVIII, que era meio fresco, esperou três anos para consumar o seu casamento com Ana da Áustria e assim que ela esteve grávida absteve-se do esporte para sempre, seu neto Luís XV tinha um apetite que compensava o jejum do avô. 
Ele mandou construir um harém real no Parc aux Cerfs (Parque dos Cervos, dos Viados, sei lá!).
Tinha uma secretária, Mère Bompart nomezinho sintomático que cuidava de tudo: indenizava maridos, cuidava da educação dos filhos ilegítimos, promovia as bacanais durante os trinta e quatro anos de existência do harém.
A manutenção do Parc aux Cerfs custou ao Estado cerca de 20 milhões de dólares, ou seja, 600 mil por ano, uma grana preta para satisfazer os apetites sexuais de um só homem. E baixinho!

LUTERO, Martinho (1483-1546) Personalidade escatológica. Estranhíssima. Era um homem corajoso porque rompeu com o Vaticano, que mandava seus bispos venderem terrenos nos céus. Considerava o sexo uma atividade natural como comer, dormir e beber, foi o líder da Reforma e as igrejas luteranas que continuam florescendo por todo o mundo se baseiam nos cem livros que ele escreveu.
Infelizmente, a maioria das seitas protestantes que existem nos Estados Unidos e se expandem como sarna (principalmente em países cujo grau de alfabetização é mínimo, como o Brasil), são dominadas por vigaristas como Rex Humbard, Jimmy Snaggart e outros, que vendem milagres que não acontecem nunca.
Logo depois que foi excomungado pelo Vaticano, Lutero fez construir túneis subterrâneos para ajudar as freiras a fugirem dos conventos.
Casou com uma delas Katharin von Bora , teve seis filhos, criou onze órfãos e, aparentemente, nunca a traiu.
Isso, porém, não o impediu de exigir que homens impotentes permitissem que suas mulheres trepassem com outros.
Chato, no Lutero, é que ele fedia pacas. Às vezes passava anos sem trocar os lençóis da cama e tomava banho só uma vez por ano, no verão.
Sua briga mesmo, porém, era com o diabo. Costumava dizer:
– Com um só dos meus peidos eu te boto pra correr, satanás!
Sofria de indigestão, constipação, pedra nos rins, prisão de ventre e hemorroidas. Se relacionava muito bem com o próprio cu e tudo que havia dentro dele.
Quando viajava costumava escrever cartas para a mulher fazendo um relatório das suas cagadas: amarela, preta, mole, dura, etc. Um poeta, enfim!

ABC do Fausto Wollf (Parte 45)


MACONHA Uma erva bem mais perseguida no Brasil do que qualquer bomba, embora eu considere o uso da maconha, da marijuana e do haxixe bem mais inofensivo e agradável que o uso de explosivos. Tem, porém, muito maluco (lembram daqueles que praticavam o esporte contra a Tribuna da Imprensa, o Pasquim e o Riocentro?) que só consegue ter uma ereção ao som de uma bomba.
No México, onde é conhecida como Maria Joana, é fumada até pelas baratas, pois em vez de câncer dá barato: “La cucaracha, la cucaracha que no puede caminar/ porque no tiene, porque le falta, marijuana pra fumar”.
A maconha é o produto das folhas ressecadas de uma planta chamada canabis sativa que, quando fumada, produz a sensação de calma, paz, euforia, integração com o mundo.
O haxixe, a resina da canabis comprimida, além de ser fumada, pode ser comida.
Quem diz que a maconha não é afrodisíaca ou é ruim da cabeça ou doente do pau.
Pessoalmente, não sei de nada melhor que estar na cama peladão com a mulher amada ouvindo a terceira sinfonia de Brahms e fumando haxixe.
O ato sexual deixa de ser mecânico para se integrar no tudo ou no nada que é o cosmo.
Cada poro da pele da mulher é um mundo a ser explorado pacientemente e o tempo perde a sua dimensão real para ganhar a sua dimensão verdadeira, ocasião em que um segundo leva uma hora para passar e ainda assim achamos pouco.
Cada movimento é uma aventura e a ejaculação, caso coincida com o orgasmo da mulher, é nada menos que uma festa.
Depois aconselho pelo menos um quilo de morangos com creme, pois a maconha dá uma fome incrível e devia ser receitada para gente que não tem apetite. Comido o prato de morangos, o leitor deve voltar à prática de comer gente.
Para o pessoal que goza antes mesmo da moça tirar as calças, informo que há evidências de que a maconha retarda a ejaculação sem meio-bombar os ditos benelux.
Nos países árabes, maconha é tira-gosto e um dos contos das Mil e Uma Noites contêm esta eulogia: “O membro de Abul Faissal Hayluk permaneceu duro durante trinta dias”. Ou é chute ou a canabis que estão vendendo no Rio tem mais cavaquinho que erva.
Fumada em excesso (mais de dez cigarros por dia) pode causar psicose. Mas daí, tomada em excesso, até a água é perigosa.
Verdade verdadeira é que é menos perigosa que o álcool, o cigarro comum e qualquer droga pesada como a cocaína, a heroína e o ópio.
É mantida fora da lei no Brasil, pois isso dá muito dinheiro à polícia e aos contraventores.

MÃE “Só tem uma” como disse o guri cuja mãe pediu para ele buscar duas garrafas de Fanta Uva na geladeira. Além desta, existem outras mães. Aliás, a grande maioria das mulheres vira mãe e há pelo menos um homem que virou mãe. Trata-se do personagem do livro de Waldir Ayala, Nosso Filho Vai Ser Mãe, mas sua maternidade não foi cientificamente provada. Há, é claro, os filhos da puta, mas esses também são filhos da mãe.
As mulheres viram mães após a primeira menstruação, que geralmente ocorre depois dos onze, doze, treze anos. Há casos isolados de crianças de nove, dez anos, que deram à luz outras crianças e o recorde pertenceria a Maria Cispladez Mendoza, uma menina chilena de cinco anos que deu à luz um bebê através de uma operação cesariana.
Aos quarenta anos poucas mulheres esperam vir a ser mães, pois a menopausa (fim da fertilidade) costuma ocorrer antes dos cinquenta.
De qualquer modo, sabe-se que uma mulher de cinquenta e sete anos teve uma filha nos Estados Unidos, no Estado de Kansas.
As feministas, aliás, deveriam ser contra as mães, pois afinal são elas que educam os porcos-chauvinistas, como eu.
Toda mãe já fudeu pelo menos uma vez na vida!

MANDAME, Mary (1619-1655) Francamente, não sei por que os americanos insistem em ser tão ufanistas. Sua história é uma sucessão de cruéis cagadas. Na área sexual, por exemplo, vejam o que aconteceu com a pobre da Maryzinha Mándame.
Em 1639, uns puritanos enxeridos, de Plymouth, Massachusetts, pegaram ela dando para um Tinsin, atrás de umas moitas de buriti.
Depois de considerá-la culpada de atos sujos, o tribunal a condenou a ser chicoteada pelas ruas da cidade e de usar uma faixa no braço esquerdo permanentemente.
Assim todo mundo podia saber que ela trepara atrás da moita.
Caso ousasse sair às ruas sem a faixa, seria marcada a ferro em brasa na face.
E tudo isso porque Tinsin era um índio.

Jack A. Hole e o Bosta Humana


Por Edson Aran

Com o sucesso de Super-Homem e Batman, criados nos anos 1930, a década de 40 viu nascer um sem número de super-heróis como Capitão Marvel, Mulher Maravilha e Namor, o príncipe submarino. Todos se esqueceram, no entanto, da monumental criação do artista Jack A. Hole: The Disgusting Shitman (no Brasil, o Incrível Bosta Humana).

O Bosta Humana era a identidade secreta do proctologista Billy Barry (no Brasil, Beto Barroso). Uma noite, quando o médico faz um exame retal num paciente, o consultório é atingido por um meteoro radiativo. A energia liberada pelo objeto faz Billy se fundir com a coisa onde ele tinha atolado a mão e o transforma no Bosta Humana (no Brasil, o Bosta Humana).

O Bosta Humana combate o crime em Pisspot City (no Brasil, Penicópolis) com a ajuda do seu fiel companheiro Garoto Mijo (no original, Urine Boy). Seus inimigos são o cruel cientista louco Hemos Hoyds (no Brasil, doutor Rabo Quente) e o gangster Rootor Rooter (no Brasil, Rooto Rooter). Mas seu mais tenaz adversário era o criminoso francês Toilette Pepper (no Brasil, Pimenta Maledêta), que raptou e abusou várias vezes do pobre Garoto Mijo.

Apesar da genialidade de sua criação, Jack A. Hole não foi compreendido na sua época. Primeiro ele levou a história até Harvey Goldmanbergstein, editor da revista All Super Wow Comics Magazine, que publicava The Refrigerador Man. Goldmanbergstein olhou e disse: “Tira essa merda da minha mesa agora, seu fela-puta! (no original, “Take that shit off my table rigth now, you son of a bitch!”).

Jack A. Hole não desanimou e levou seu herói para a All Super Yahoo Comics Magazine, que publicava The Phanton Cockroach e The Blind Third Eye Man. Mais uma vez mandaram o A. Hole se enfiar numa caceta (no original, “To screw himself in a gazoomba”).

Finalmente, o Bosta Humana apareceu em All Super Yupee Comics Magazine. E todo mundo achou que o herói era uma merda. Jack A. Hole ficou puto e decidiu morrer na miséria naquele mesmo ano.

Mas o Bosta Humano ressurgiu gloriosamente nos anos 1980 graças ao roteirista inglês Grant Moron, um fã declarado de A. Hole. Nesta nova versão, da editora Ambitious Comics, o Bosta Humana não é um super-herói, mas um semi-deus cósmico, Glorioso Senhor de Todos os Excrementos.

O Bosta vem à Terra ensinar sua filosofia de vida, que pode ser resumida no seguinte mandamento: “No fim, tudo acaba virando caca.” A nova versão misturava teorias do caos, auto-ajuda, new age, desconstrutivismo e escatologia. Mas quando saiu o primeiro número, em 1986, todo mundo achou a maior merda.

O Bosta Humana será, no entanto, sempre lembrado pelos seus fãs graças ao grito de guerra inventado pelo genial Jack A. Hole: “Shiiiiit happens!” (no Brasil, “Deeeeu merda!”)

segunda-feira, agosto 07, 2017

ABC do Fausto Wolff (Parte 36)


ISHTAR – Verdade ou estou de sacanagem? Consultem vossas enciclopédias, telefonem para os vossos Houaisses, enfim, façam alguma coisa em vez de olharem para o livro com caras de idiota. Dá azar não acreditar nela. É uma deusa da Babilônia, bem mais antiga que Ísis, deusa da fertilidade.

Era também conhecida como Milyta e quando os gregos a importaram passou a ser conhecida como Afrodite, a que mais tarde os romanos chamariam de Vênus.

Caso a Babilônia não houvesse caído para dar lugar a outras civilizações, estaríamos todos usando camisas de Ishtar.
Ainda recentemente arqueólogos descobriram anui letos de lápis-lazúli esculpidos na forma do seu símbolo sagrado que era... uma xota ou xoxota, como se dizia antigamente, de generosas dimensões.
Seu culto na Babilônia (estou falando de mais de 3 mil anos atrás) era mantido por sacerdotisas de duas espécies: 1) as kadishtu, que eram castas; e 2) as zermashitu, que vocês já devem ter adivinhado, traçavam o que pintasse e ainda pediam sobremesa.
Observem a sacanagem desse pessoal antigo: havia um deus chamado Marduk, que às vezes tomava a forma humana e pedia para dormir com uma sacerdotisa numa alcova da velha Torre de Babel.
Lá ia a moça atrás do deus.
Não podia contar o que acontecera com ela, mas aparecia no mercado no dia seguinte com o mesmo sorriso de felicidade que a freirinha daria muitos séculos depois, após a visita de um tarado ao convento.
Cinco séculos antes de Cristo, Heródoto escreveu sobre um ritual sexual público em homenagem à deusa Ishtar:

“Toda mulher nascida na Babilônia, uma vez na vida, tem que ir ao templo de Ishtar e lá entregar-se a um homem estranho. Ela não terá privilégios e nem poderá escolhei o seu par. Irá com o primeiro que jogar moedas sobre o seu colo. Depois de trepar com o desconhecido, terá cumprido o dever para com sua deusa e poderá voltar pra casa”.
Tem cada religião phoda, não é mesmo?
O problema era o seguinte: as altas, bonitas, inteligentes, elegantes ou ricas encontravam de cara quem pagasse os tubos para comê-las.
Mas e as baixinhas, feias, burras, desajeitadas, fedorentas, horrorendas?
Muito bagulhinho babilônio esperava, às vezes, três, quatro anos até que aparecesse no templo um chinelo mal enjambrado e ela pudesse dar sua trepadinha em homenagem à deusa.
Mas antes de vocês começarem a falar mal de Ishtar e correr o risco de provocar a sua ira, devo informá-las que ela também protegia as feinhas.
Todos os anos as moças em idade de casar eram reunidas em praça pública. Saíam primeiro as bonitas, que eram compradas a peso de ouro.
As monstrinhas ficavam para o fim e quem quisesse casar com elas não pagava nada e ainda levava parte do dinheiro que os apressados haviam pago à municipalidade pelas gatonas.
A mais feia, naturalmente, ganhava o maior dote e, assim, com as graças de Ishtar, todas acabavam casando.

JEBÃO, Nataniel – Esconde a idade, mas deve ter mais de cinquenta anos. Veio do interior do Nordeste (Piauí, provavelmente), embora diga que nasceu em Londres. Nunca trabalhou na vida e é presidente do Sindicato dos Colunistas Sociais sem Coluna. Embora seja um duro, só traja smoking e é de extrema-direita. Vive à custa dos vagabundos do society carioca, mas não desdenha o paulista. Seu ídolo é Ibrahim Sued, embora seja bem mais alfabetizado que o famoso cronista de O Globo.
Esi algumas notas que pincei de uma coluna de Nataniel Jebão no tempo em que escrevia para a revista Status:
Casamento do Ano – “Foi, sem dúvida, o casamento do ano o de Chiquinha Paranhos Tigre com Guilherme Pedro Dantas Fuscoli. A cerimónia religiosa chiquíssima foi mostrada por um sacerdote que sabe que o dever primeiro da Igreja é tratar das coisas do espírito. (Mire-se neste exemplo, dom Arns.) O detalhe destoante ocorreu em frente à mansão dos pais da noiva, na rua Loes Quintas, no Jardim Botânico. Favelados se jogaram como moscas no mel sobre o vômito de alguns convidados que beberam champã um pouco demais. É de bom-tom esperar a retirada do último convidado para depois saborear o vômito da classe dominante com a elegância que o momento exige.”
Id & Ego... – “Não fora o simples fato da psicanálise, assim como o cartão de crédito e o cheque especial, dar status ao psicanalisado, ela é também uma necessidade junto à nossa sociedade. Nossas locomotivas são pessoas sobre cujos ombros pesam enormes responsabilidades e do seu equilíbrio psicológico depende, às vezes, o bem-estar de milhares de pessoas. Imaginem um alto executivo de uma multinacional chegar em casa e encontrar seu filho adolescente com um salame italiano enterrado no rabo! Sem a ajuda de um bom psicanalista como o meu amigo Eduardo Mascarenhas, o choque pode ser fatal!”
Campanha Nobre – “As empregadas domésticas, as copeiras, os mordomos, os chauffeurs que quiserem colaborar com a nossa campanha 'Ajudem os seus patrões a melhorarem a imagem do Brasil no jet-set internacional' devem mandar seus donativos para esta seção em nome de Nataniel Jebão. A campanha tem o propósito de fazer com que os patrões e patroas, quando viajarem em férias para a Europa ou os States, possam competir com os colunáveis locais, vestindo-se melhor e gastando mais. Mandem 10% (quem quiser pode mandar 20 % ou 30%) dos seus salários e o dinheirinho será entregue aos vossos empregadores discretamente. Imagine como você, copeira, ou você, cozinheira, ficará feliz ao saber que contribuiu para que seus patrões abafassem nos inferninhos de Paris, Londres e New York!”

JEFFERSON, Thomas (1743-1826) – Para o marquês de Lafayette ele era o homem mais honesto, capaz e sábio da América. É possível, mas era também um bom sacana. Eis o que o maior intelectual americano, a menina dos olhos de George Washington, o redator da Declaração de Independência e o terceiro presidente dos Estados Unidos escreveu em 1785, sob o título de Notas Sobre a Virgínia:
“O fino matiz entre o vermelho e o branco na raça branca é preferível à eterna monotonia da raça negra, cujo irremovível véu escuro esconde todas as emoções. A nosso favor temos ainda o cabelo liso ou ondulado e a simetria muito mais elegante da forma.

O próprio preto reconhece a nossa superioridade estética do mesmo modo que o orangotango da África prefere a mulher preta à orangotanga. Se levarmos em consideração o fator beleza superior na criação de nossos cachorros e cavalos, por que não considerá-la no homem?
Os negros, como todos sabem, eliminam mais líquido através da pele que através dos rins, o que faz com que espalhem um cheiro forte e desagradável. Precisam de mais sono do que nós e se atiram com maior ardor sobre suas fêmeas que nós sobre nossas mulheres. Mas para eles o amor é mais um ávido desejo que uma delicada e tema mescla de sensações e sentimentos, como acontece conosco.
As aflições, mágoas, tristezas e fracassos do preto são passageiras e sua existência é mais sensorial do que racional. Daí sua predisposição para dormir quando não está trabalhando. Um animal, cujo corpo descansa e que não reflete, está mais propenso ao sono que qualquer outro.

Em termos de memória, brancos e pretos se equiparam. Em termos de razão os negros são inferiores, uma vez que dificilmente encontraríamos um que compreenda as investigações de Euclides.
Qualquer índio, encorajado, nos sublimará com sua oratória. Até hoje, não encontrei um negro que fosse além da narrativa linear. É preciso reconhecer, porém, que ele possui maior ouvido para a música, o tempo, o ritmo, a melodia.
A raça negra é acusada de ter uma predisposição para o roubo, mas isso se deve mais às circunstâncias em que vive que a alguma depravação de ordem moral. O homem a cujo favor não existem leis de propriedade sente-se menos inclinado a obedecer as leis que favorecem outros homens.
Apesar disso, existem negros da mais rígida integridade, gratidão e fidelidade. Minha opinião de que eles são inferiores quanto à imaginação e à razão não deve ser aceita integralmente. Precisamos andar com muito cuidado neste terreno para não degradar toda uma raça da escala de seres humanos, escala esta que, provavelmente, foi-lhes dada pelo Criador”.
Jefferson gostava de negros. Tanto que herdou 135 escravos do seu sogro. Vinte e dois deles lutaram a favor dos ingleses durante a Guerra da Independêcia na esperança de se tornarem livres.
De uma escrava, aliás, ele gostava especialmente: Sally Hemmings, que vinha a ser meia-irmã de sua verdadeira mulher, Martha Wayles Skelton.
Sentiram o drama da hipocrisia americana, da colônia até os dias de hoje?
O sogro de Jefferson comeu uma escrava que deu à luz uma menina que não foi perfilhada.
Esta garota, por sua vez, foi comida pelo próprio Jefferson, que tinha dois filhos com a mulher e cinco com ela. Sally, aliás, ficou grávida dele quando tinha apenas quinze anos.
Dizem que a semelhança de Jefferson com um dos seus filhos mulatos era tanta que, a certa distância, ninguém distinguia um do outro.
Ele nunca perfilhou nenhum dos cinco filhos bastardos e se fizesse isso – é claro – jamais seria presidente dos Estados Unidos. Mas poderia tê-lo feito depois de deixar a presidência, não é mesmo?
Um país tão hipócrita onde o grande intelectual, o liberal, o humanista, o presidente Jefferson mantinha os próprios filhos como escravos, não poderia mesmo dar certo. Tinha que acabar em Reagan.
Agora, vocês acham que o crioulo americano não tem razão em querer fazer castanholas dos culhões do branco?

ABC do Fausto Wolff (Parte 37)


JEFFRIES, Mary (1845-1885) – Putona. Mas profissional, séria, muita dignidade. Nem um pouco parecida com estas brasileiras que casam com milionários barrigudinhos e depois aparecem dando aquele sorriso meio morto nas crônicas sociais, promovendo chás beneficentes para crianças hidrocefálicas e votando em partidos como o PMDB, PFL, UDR, etc.

Vitoriana, boa pacas, ganhou o que tinha direito dando o que tinha direito. Não deu lucro pra cafifa algum.

Botou as economias debaixo do colchão (morava na Inglaterra, onde ainda em 1987 o pessoal fez uma revolução porque houve um aumento de 1% na inflação anual) e quando ele já estava bem alto comprou um puteiro ou rendez-vous, como a gente dizia no Sul no meu tempo de guri.

Depois comprou outro e mais outro e mais outro até se tornar a cafetina mais conhecida de Londres.

Pra vocês terem uma idéia, ela tinha quatro em Chelsea, seis em Windmill Street, quatro em Queen's Street, um em Gray's Inn Road e um último chamado Rose Cottage, em Hampstead.

Negócio de alta classe. Penicos de porcelana inglesa, naturalmente. Reputação internacional. O príncipe de Gales (ver verbete de Eduardo VII) era freguês de caderno.

Mary tinha clientes regulares. Em sua maioria oficiais das chamadas armas de elite: filhinhos-de-papai dispostos a morrer pela rainha Vitória, aparentemente.

Um dia Mary deu um berro: “Não sei o que faço! Desde que a Companhia de Guardas foi para o Egito o negócio piorou muito!”

Processada em 1883 e multada em 2 mil libras – creiam, incréus, em qualquer época, um bom carvão – pagou sem bufar e disse aos jornalistas ao deixar a Corte: “Ninguém pode me fazer nada, rapazes! Não tem um só homem importante neste império que eu já não tenha visto de calças na mão”.

O sucesso de Mary era devido principalmente a uma descoberta que fez quando ainda rodava bolsinha nas ruas: a maioria dos ingleses gosta de apanhar de mulher.

Há, é claro, aqueles que gostam de bater em mulher, mas o primeiro caso é muito mais comum. Os sacanas eram masoquistas e não sabiam. É que o termo ainda não havia sido cunhado.

Nobres e banqueiros, homens de negócios e generais, industriais e tudo o que pode ser englobado em volta do epíteto “ladrão” aparecia por lá.

Gostavam que o mulherio fizesse coco e pipi na cara deles e depois os amarrassem com grossas correntes pelos respectivos sacos.

Já expliquei minha teoria sobre esses caras, mas não custa nada repetir: são uns sacanas que roubam tanto dos pobres durante o dia que, durante a noite, para que as herínias do remorso os deixem em paz, gostam de fingir que são toaletes humanas.

Resolvem o caso sexual deles, gozam pacas com a cara cheia de merda e saem com a consciência tranquila, prontos para roubar mais no dia seguinte.

Na casa de Hampstead, os clientes pagavam para ser humilhados, ofendidos e flagelados.

Na casa de Gray's Inn Road outros sacanas pagavam para bater numas mulheres que Mary arranjava e que gostavam de ser bolacheadas.

Aí, no caso das mulheres, a situação era diferente: vítimas de preconceitos sexuais e de uma educação extremamente puritana, consideravam-se miseráveis pecadoras porque sentiam vontade de fuder.

Daí o fato de levarem umas chibatadas antes, durante e depois da francis ford cópula, era uma espécie de penitência. “Sou uma puta, dei aos montes, mas, viu, Meu Deus, como apanhei?”

Os irmãos Goncourt, que já escreviam mal pacas naquela época e nem por isso deixaram de virar prêmio literário na França, anos depois, também eram fregueses de Maria.

Não se sabe, porém, se davam ou apanhavam. Dei uma olhada na cara deles e pelo menos um parecia manter um apelo prisioneiro no olhar: “Faz pipi em mim, s'il vous plait!”

JOÃO XXIII (? - 1419) – Ainda sou capaz de fazer um verbete especial só para os papas, mas João XXIII merece estar isolado porque, além de incestuoso, era adúltero, homicida e ateu.

Quando ainda era bispo, todo mundo sabia que a mulher do seu irmão era sua amante.

O escândalo se tornou grande demais, seus superiores o promoveram a cardeal e o mandaram para Bolonha. Lá, então, ele comeu mais de duzentas mulheres, virgens, casadas e viúvas.
Bolonha está para o fellatio assim como Pelotas está para a viadagem. Até hoje as mulheres de Bolonha são consideradas as melhores pompinaras da Itália. Imaginem como João XXIII deve ter se divertido.
Para ver se ele tomava jeito definitivamente, os cardeais acabaram por elegê-lo papa. Aí ele deitou e rolou tanto que acabou sendo deposto em 1415.
O nome dele era Baldassare Cossa, de Nápoles, nascido em (?) e morto em 1419. Sua tumba, aliás, está no batistério de Florença.
Não deve ser confundido com Angelo Giuseppe Roncalli (1881-1963), o outro João XXIII, que foi um dos sumo pontífices mais queridos da história da Igreja.
Acabou com a tradição do Vaticano dar títulos nobiliárquicos.
Filho de uma família pobre, espantou-se quando seu irmão veio lhe pedir para ser feito duque: “Mas, rapaz, não basta ser irmão do papa?”

JOYCE, James (1882-1941) – Porrista, feio, quase cego, nasceu em Dublin o homem que é considerado o maior mestre da língua inglesa desde John Milton. É também acusado pela canalha puritana como o maior provedor de literatura de salão de mijar que o mundo já conheceu.

Entre um porre e outro ele acabou conseguindo o seu diploma de segunda classe como bacharel em artes em 1902.
Tentou estudar medicina em Paris, mas gastou logo todo dinheiro que tinha e teve que voltar para Dublin em 1903.
O mundo deixou de ter mais um médico medíocre (cegueta do jeito que era, já imaginaram ele operando o saco de alguém?) para ganhar um escritor único.
Neste ano ele escreveu uma série de contos retratando a marginália da sua cidade que, posteriormente, seriam reunidos em Os Dublinenses.
Porrista ou não-porrista, Joyce teve o bom senso de não se casar com uma intelectual que passaria a vida inteira enchendo o seu saco com perguntas do tipo “Por que é que você não pára de beber?”; ou “Por que é que você não arruma uma profissão decente?”
Em 1904, conheceu Nora Barnaele, a filha de um padeiro desgranado e a convenceu a fugir com ele para Triste, que então pertencia ao Império Austro-húngaro.
Lá, além de fazerem dois filhos, comeram o pão que o diabo – dizem – amassa apenas para artistas phodidos! Apesar disso, enquanto ensinava inglês, ele escrevia o Retrato do Artista Quando Jovem.
Em 1909, deu um pulo a Dublin para ver se os editores locais compravam o seu romance. Disseram para ele parar de sacanagem e escrever livros que pudessem entrar em casas de família.
Onze meses depois da Primeira Grande Guerra estourar, Joyce sentiu que estava na hora de tirar o anel de couro da seringa e viajou com a família para Zurique, na Suíça. Lá ele começou a trabalhar em Ulysses, a sua obra-prima.
Tinha tanta certeza de que era um gênio que (como o meu querido amigo, o falecido Ronald de Chevalier) convenceu disso homens, mulheres, crianças e cachorros de todos os botequins que frequentou na Itália, França e Suíça.
Durante sete anos ele e sua família viveram exclusivamente à custa de amigos, entre eles a riquíssima Harriet Shaw Weaver, que ele ter comido e que financiou a edição de Retrato do Artista Quando Jovem.
A grana que caía em suas mãos recaía imediatamente em forma de cana em seu estômago.
Ninguém havia lido o Ulysses, mas todos (todos os que interessavam, é claro!) já haviam ouvido falar da obra-prima que, editada em Paris, se transformou num sucesso imediato.
Baseado livremente na Odisseia (é, de Homero, sim, minha senhora!) narra um dia na vida de três dublinenses.
Embora louvada por seu humor e pela estrutura dos seus personagens, o cabuloso paralelismo entre consciente e inconsciente, realidade e fantasia, além do uso (tremenda torrefação sacal) de símbolos fazem com que a leitura seja muito difícil para seres humanos comuns e mortais como a maioria de vocês.
Na tradução para o português, meu enciclopédico Antônio Houaiss parece ter achado o original muito simples e resolveu complicá-lo ainda um pouco mais.
Depois disso Joyce trabalhou em Finnegans Wake onde, para a coisa não ficar muito linear, usa, além de símbolos, várias línguas e dialetos vivos, mortos e moribundos de fogo.

Perto de Finnegans Wake, o Ulysses é pouco mais que um pé de laranja-lima. Digamos, um pé de laranja de umbigo.
Pouco antes dos alemães invadirem Paris com sua sutileza característica, Joyce pegou seus panos e se mandou para Zurique, onde foi assassinado por uma úlcera perfurada. Perfurada pelo álcool é claro.
E a sacanagem? Já ia esquecendo. Seus livros foram proibidos nos Estados Unidos e, segundo Colin Wilson (um jovem que já foi literalmente um outsider e que hoje não pode estar mais amarrado no sistema), é um compêndio de depravação sexual.
Não entendo por quê. Só se for porque Leon Bloom, o personagem central, gosta de beijar a bunda da mulher e, como Joyce, andava com as calcinhas usadas dela dentro do bolso do paletó.
Grande demais, muito pesado e desconfortável para quem pretende apenas descabelar o palhaço.