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domingo, junho 14, 2015

10 coisas que você precisa saber sobre o amor


1 – O amor não é uma chama que não se apaga. O nome disso é incêndio no cerrado. O amor é outra coisa.

2 – O dinheiro não pode comprar o amor. Mas consegue alugar por meia hora.

3 – Amar é nunca ter de pedir perdão. Dizer “mal aí”, então, nem pensar.

4 –  É possível viver apenas com um amor e uma cabana. Desde que seja, no máximo, por uma semana.

5 – Se você ama alguém, deixe-o ir. Se voltar, é porque pertence a você. Se não voltar, é porque o ônibus quebrou.

6 – O amor é uma coisa esplendorosa, mas não adianta: o primeiro lugar é sempre do Evandro de Castro Lima.

7 – O amor é uma chama que arde intensamente, mas ter fogo no rabo é muito mais divertido.

8 – O amor não é uma coisa que você não pode perder porquê nunca possuiu de fato. O nome disso é caminho de casa. O amor é outra coisa.

9 – O amor não é para sempre. Ex-mulher é.

10 – Quem encontra um verdadeiro amor, encontra um tesouro. Mas quem encontra um verdadeiro tesouro está se lixando pro amor.  

quinta-feira, junho 11, 2015

Histórias da Zona Norte


Aldir Blanc

Guinga me contou a última de hoje:

Zé Bode, não por coincidência morador da... Penha!, resolveu dar aula de educação sexual pros netos. Foi uma falação louca, entremeada de termos técnicos como “barquete”’ e “gualibão”. As crianças adoraram. A primeira aula teria sido um êxito retumbante se um dos meninos não tivesse criado caso:

– E a Roberta Close?

Zé Bode armou a retranca:

– Que qui tem?

– Dizem que era homem, fez uma operação e virou mulher.

Zé Bode continuou de líbero:

– E daí?

O menino aplicou uma sucessão de dribles de fazer inveja ao Bebeto:

– Bom, é mulher agora, mas também era antes. Não é mais homem, mas antes também não era...

Zé Bode se encrespou:

– Era homem, tinha tarugo.

– Mas não usava!

Já vi situações assim no hospital. Diante de um impasse, o jeito é apelar pro cientificismo. Zé Bode não vendeu barato:

– A genitrolha não é de somenos dada a circunstância, ainda que hipotética, de descabelamento do palhaço. Outrossim, não se apresentava, logo abaixo do bombril, a perseguida. Muito pelo contrário, delineava-se ali, ainda que modesto, o cipó de aroeira.

A classe aplaudiu tamanha erudição, mas o menino tinha uma derradeira dúvida:

– Ela transa por onde?

Zé Bode cauteloso:

– Aparada a genitrolha, constituiu-se a genibrenha. É por ali.

– E antes?

– Antes o quê, porra?

– Antes, ora essa. Como é que ele, ou ela, fazia a coisa?

Com um suspiro de resignação, Zé Bode revelou o segredo:


– Através das partes caganentais.

quarta-feira, junho 10, 2015

Na santa paz do Senhor


Jornalistas do Pasquim: A partir da esquerda Ivan Lessa (sentado), Millôr Fernandes (de branco), Caulos (na janela) e Jaguar (em pé)

Millôr Fernandes

Estou lembrando: faz muitos anos, íamos, eu e o jornalista Jaguar, andando pela Praia Grande, em Arraial do Cabo, tendo pela frente dezenas (oitenta?) de quilômetro de areia branca, quase pó-de-arroz. Era meio-dia de um dia de semana. As ondas dessa praia são sempre curtas, rápidas, verdes e transparentes.

Pode-se caminhar dentro d’água centenas de metros e mergulhar tranquilamente na água fria, sem perder o pé. O fundo do mar, coisa rara em praias rasas, é também de areia limpa e sólida, nenhum lodo. Além da areia, na praia, há uma vegetação ondulando permanentemente.

No recanto em que  morávamos – Jaguar tinha alugado uma casa de pescador, o que, nele, nada tinha de folclore – havia uma elevação, uma pequena montanha. Lá de cima caía uma pequena cascata de águas da Álcalis, e a própria poluição da Álcalis era belíssima, jogando pro ar uma nuvem de brancura diáfana.

Junto com a paisagem constante, a paisagem mutante. Pescadores em suas tarefas normais, redes espalhadas, abertas na praia, uma ou outra sendo remendada vagarosamente, pássaros às centenas, sem medo, voejando rente ao chão, um ou outro burro carregando pequenas mercadorias. Estávamos em pleno paraíso.

Fomos saindo da praia, eu e Jaguar, passamos por um pequeno grupo de pescadores que, numa sombra, junto de algumas canoas, olhavam o horizonte, trocando algumas palavras preguiçosas, na indolência do começo da tarde. Jaguar disse: “Isso é que é gente pura!” E eu disse: “Tá bem, Jaguar! Um tá querendo comer a mulher do outro e outro tá querendo ficar com a canoa do um. Aquele vesguinho até bateu a carteira do crioulão. O microcosmo é igualzinho ao macrocosmo, ô cara!”

Uma semana depois Jaguar entrou na redação do Pasquim, onde trabalhávamos então, e me disse: “Pô, que coisa, seu! Você tem toda a razão. Ontem apareceram três pinguins lá na praia e os pescadores, sem a menor hesitação, pegaram uns paus e transformaram os pinguins numa poça de sangue. Não entendi. Fiquei besta!”

É por essas pequenas coisas que eu nunca perco a fé no ser humano.

terça-feira, junho 09, 2015

Horoscópula do Professor Thimpor


Áries (21 março/ 20 abril) – Nesta fase, o homem deve descer atrás da mulher, deixando o cavalo por último. Ao subir, ele vai na frente ou ao lado da mulher, divagando sobre os egípcios e sua vida nômade, anterior à sua instalação no Vale do Nilo. A Tábua Lunar indica perigo se a mulher usar jóias (pedras preciosas) pela manhã, principalmente se forem falsas. Os brócolis devem ser cozidos em fogo brando e levados imediatamente à mesa, numa travessa enfeitada com salsinha e souvenirs, em horário de pouco tráfego, evitando a hora do rush. Este é o signo das preocupações. Os nativos de Áries têm problemas com a raiz quadrada de 4, o que os torna budista e, frequentemente, os deixa com a perna esquerda meio amortecida, devido à inobservância das marés. Assim como o esperanto, os arianos foram criados sem os verbos irregulares, proporcionando facilidade na conjugação, desde que o sujeito, o pronome e o predicado concordem.

Touro (21 abril/ 20 maio) – Nervosismo e tristeza, motivados pela gripe, que já preocupava a dinastia de Buto, na corrente do quarto milênio. Como já disse em meu livro “Sexo & História Geral”, a matéria e o espírito sempre existiram, embora um não soubesse da existência do outro, pois moravam em regiões diferentes. Siga as minhas instruções e nunca assoe à mesa. O melhor, estando gripando, é não levar o nariz às reuniões, coquetéis, recepções, etc. Bom período para chamar a atenção dos filhos, porém deixando as orelhas intactas. Osíris, no Alto Egito, nunca teria se tornado popular se a mãe lhe tivesse arrancado as orelhas na frente das visitas. Vênus regeu o ano de 1978, por ser o planeta mais próximo da terra, ou seja, um vizinho que está a mais ou menos 42 milhões de quilômetros de distância, eliminando definitivamente o empréstimo do cortador de grama. Dos cinco planetas visíveis a olho nu, o mais luminosos é Vênus, dando a impressão de uma Las Vegas, sem texanos, porém com muito mais discos voadores estacionados.


Gêmeos (21 maio/ 21 junho) – Maior inclinação para a modéstia, mas tudo pode ser tornar ridículo ao beijar a mão de uma senhora na praia. Principalmente se ela estiver enluvada. Graves preocupações financeiras, dinheiro falso à vista. Ao chamar os convidados à mesa, é bom deixa-los à vontade, para que se sirvam sozinhos. César ficou com a Gália porque sempre se serviu sozinho. Os nativos de Gêmeos, assim como os jantares americanos, prolongam-se até de madrugada e a dona da casa pode organizar brincadeiras. Tudo, é claro, no claro. No escuro é perigoso. O período favorece as crias múltiplas. Uma vaca, em bom estado, pode parir de sete a oito bezerros numa tarde, dependendo do calor, cada um com uma tonalidade diferente. Esse fato só pode ser constrangedor para éguas e pessoas insensíveis que esquecem que estamos no século das maravilhas, no século da proveta. Breve teremos galinhas parindo telefone, borboletas, raquetes de tênis, e peixe-boi se suicidando adoidado. Na tumba de Thutmose XIV, o faraó egípcio, foi encontrada uma mosca com três mosquinhas no útero, com as trompas de Falópio intactas. A ordenha, nesta fase, deve ser manual e carinhosa, da direita para a esquerda, com muito cuidado. Convém recato na postura de ovos, principalmente em pé.

segunda-feira, junho 08, 2015

10 coisas cretinas para fazer num táxi


Edson Aran

Aumentou a gasolina, o diesel, o etanol e, como desgraça pouca é bobagem, também a bandeirada dos táxis. Sim, gafanhoto, está tudo pela hora da morte e quando mais você precisa de um táxi (dia de chuva torrencial, dia de prova do Enem, dia de levar as crianças pra tomar vacina, hora de tirar a mãe da forca), eles simplesmente somem de circulação ou fazem ponto dentro de um buraco negro lá nos confins da zona leste. Chegou a hora da vingança, gafanhoto! Tente, invente, faça uma viagem diferente! Aí vão algumas dicas:

1 – Alugue o ouvido do motorista com soluções para todos os problemas do mundo, da gripe suína ao conflito árabe-israelense, da escalação ideal da seleção brasileira à nova reforma eleitoral que está sendo cozinhada no Congresso.

2 – Responda “É... não tá fácil pra ninguém...” a tudo que o taxista perguntar. “Pra onde, doutor?”. “É... não tá fácil pra ninguém...”

3 – Sente no banco de trás e comece a se masturbar. Se o taxista reclamar, responda “Só está escrito que é proibido fumar...”

4 – Dê o destino na língua do pê. “Mepe lepevepe napa apavepenipidapa epedupuapardopo ripibepeiropo compom apa sepetepe depe sepetempembropro”

5 – Cante música de desenho animado japonês. “Go Speed Racer, go Speed Racer, go…”

6 – Declare seu voto ao Paulo Maluf, especialmente se você não estiver em São Paulo e não for ano de eleição.

7 – Conte que você foi motoboy numa encarnação anterior e que se lembra claramente de ter sido atropelado e morto por um taxista. Mantenha os olhos fixos no motorista quando disser isso.

8 – Pergunte se você pode pagar em dólar. Se ele responder “sim”, você diz “E em pesos argentinos com a efígie do Maradona? Hein? Hein?”

9 – Dê um itinerário completo que não faz o menor sentido. “Você dobra na Pentagonal Sul, sobe a Bandeira Meio-Pau e entra na Tergiversando Nunes à esquerda”.

10 – Sente no banco da frente, finja que você está no volante e faça ruídos com a boca: “Vrrruuuum... scrichhhhh... vruuumm... fom-fom!”

domingo, junho 07, 2015

Um gordo sem audiência, sem ética e sem vergonha


Edson Joel

Pelo seu Twitter, certo dia, Gisele Bündchen deixou escapar que estava fazendo a Dieta Dukan e os resultados eram ótimos. Curiosamente, na mesma época, a princesa Kate Middleton, também. E as mulheres de todo mundo aderiram à moda dessa dieta, um riquíssimo negócio do ex-médico francês Pierre Dukan que gira bilhões de dólares.

Oras, porque elas fariam isso? Por cachê. Cachê altíssimo, pago em milhões e em dólares por merchandising do produto. Negócios. Cassaram o título de médico de Dukan, muitas mulheres que fizeram a dieta foram parar nas mesas cirúrgicas com graves problemas renais e o autor da dieta, bem, ele ficou muito mais rico e famoso. Para vender um produto o merchandising é um bom caminho.

E, de repente, você lê um artigo na Folha de São Paulo, de Fernanda Torres, apoiando a permanência de Dilma na presidência sob a alegação do medo: quem sucederá Dilma não pode ser pior que ela?

Ou Jô Soares, antes um “defensor” das liberdades, agora apoiando o PT, sabidamente um partido corrupto em todas as formas e meios que busca calar a imprensa e que praticou o maior estelionato eleitoral na história deste país, negado por ele. Porque fariam isso? Por dinheiro, claro, pago pelo PT para tentar melhorar a imagem da presidente. Coisa do marqueteiro da Dilma.

Bem, Jô Soares está velho, muito doente e em fim de carreira – sua audiência na Globo despencou – e o cachê pago pelo PT vai lhe garantir um futuro material razoável. Quanto a Folha, certamente pegou a gorda fatia da verba e sua colunista, Fernanda, outro bom pedaço do dinheiro que veio, certamente, da corrupção. Sabidamente o movimento é mais de propaganda que de ideologia política. É marketing puro.

Imbatível desde 2000 quando estreou na Globo, o programa do Jô tem sido frequentemente ultrapassado pela concorrência. No começo de maio, durante a apresentação do bloco As Meninas do Jô, ele permaneceu em terceiro lugar com 3,7 pontos batido pela Câmera Record, em primeiro, com 6 e Danilo Gentili com 4,2 no SBT. Já teria sido comunicado que o programa sairá da grade da emissora em 2016.

Difícil é aceitar que “artistas” como Fernanda e Jô negociem suas aposentadorias no momento em que o brasileiro corre o risco de perder suas liberdades e o país cair numa ditadura, como a Venezuela. A posição simpática de Jô Soares por Dilma não vai agregar nada em favor da estelionatária política porque, pelo que se observa da reação popular, ele não convence como formador de opinião. Jô é apenas um gordo sem audiência, sem ética e sem vergonha.

quinta-feira, junho 04, 2015

Por que a cerveja é melhor do que a mulher?


A cerveja sempre lhe espera pacientemente no carro enquanto você joga futebol.
A cerveja não fica com ciúmes quando você pega outra cerveja.
A cerveja não fica brava quando você chega em casa com bafo de cerveja.
Você não precisa levar a cerveja pra jantar fora, tomar vinho importado e discutir teorias estúpidas sobre emagrecimento.
Se você tratar bem a cerveja, você nunca terá dor de cabeça.
Quando você termina com a cerveja, ela continua custando alguns reais.
Você não precisa dar banho numa cerveja antes de experimentar.
Você pode dividir a cerveja com amigos.
Quando você entra num bar, mesmo acompanhado, sabe que sempre pode pegar uma nova cerveja.
A cerveja está sempre molhadinha.
Você sempre sabe quando é o primeiro a abrir uma cerveja.
Uma cerveja gelada é uma boa cerveja.
Você pode ter mais de uma cerveja sem se sentir culpado.
A cerveja pode ser bebida o mês inteiro.
Uma cerveja nunca se atrasa.
Não é preciso comprar flores pra agradar a cerveja.
Se você largar a cerveja, ela nunca vai te chantagear com ameaças de suicídio ou dizendo que está grávida.
Você não precisa usar camisinha pra beber cerveja.
Várias cervejas juntas não falam bobagens
A cerveja não fica emburrada depois que você grita.
A cerveja não tem mãe, não tem pai e não tem irmãos com tendências homicidas.
É extremamente fácil tirar a tampa de uma cerveja.
A cerveja não transborda se você chegar em casa com marca de batom na cueca.
A cerveja não exige igualdade de direitos.
Você não precisa levar a cerveja em casa depois que bebe.
Uma cerveja não fica zangada se te flagrar com outra.
Se você trocar de cerveja não precisa pagar pensão.

As ressacas de cerveja sempre passam.

quarta-feira, junho 03, 2015

Gaia na testa? Nem tão esotérico assim


Xico Sá

No varejão das pequenas crendices e mandingas, homem e mulher revelam uma diferença lindamente patética: a fêmea se põe mística quando inicia o processo de abandono do seu marido ou namorado; o macho se torna o mais crente e supersticioso das criaturas de Deus apenas depois que a casa cai, depois de um belo chute no traseiro.

Quando a sua mulher ou namorada, amigo, começa a falar em retorno de Saturno, na simbologia do tarô, nos recados do feng shui, etc, te liga, campeão: é pé na bunda à vista e na certa. Por trás de todo mapa astral ou de uma nova visita à cartomante há sempre um bom par de chifres à nossa espera.

Aí só nos resta chupar o frio chicabom da solidão, como me ensinou o tio Nelson. Só nos resta mascar o jiló do desprezo. Só nos cabe sentar à margem do rio Piedra e chorar, segundo a recomendação suspeita do mago Paulo Coelho, este sim um incansável místico globalizado.

Sim, amigo, a mulher é esotérica desde a véspera da tragédia. Nós batemos na porta da cigana mais vagabunda apenas depois que Inês é morta. Aqui me pego, agora mesmo, reparem no ridículo, lendo o destino e a sorte na borra de café, o velho método das Arábias.

Mais perdido do que um escoteiro nerd e lesado no Pico da Neblina, um homem é capaz de tudo. No mato sem cachorro ou GPS, o macho moderno, este cara carente de banco de praça, faz sinal de SOS até para náufragos piores do que ele. Ô vidinha-Titanic e miserável.

Opa, calma, calma, que vejo algo nos desenhos involuntários do fundo da xícara. Tento enxergar na borra do café o meu destino, a minha sorte e as escaramuças da pessoa amada, aquela maldita que nos parafusa na testa uma fantasia de viking. Sério, amigo, como somos esotéricos depois que a casa cai.

Peraí, epa, calma de novo que vejo algo bem definido no diabo da xícara. Parece uma fruta. Pera, uva, maçã? Limpo as lentes de quase dez graus de miopia e astigmatismo e finalmente decifro: uma cebola! Retrato do meu choro e do abandono? Seria o mais óbvio e imediatista. Na dúvida, recorro ao “Guia da leitura no sedimento do café – arte milenar árabe de interpretar sua vida”, um livro da Batia Shorek e Sara Zehavi, que acabo de adquirir em um sebo carioca.

Opa, reparem só no significado da tal cebola: “Indica que a pessoa amada esconde algo do seu cônjuge e o assunto escondido é importante e pode machucá-lo”. Neste caso nem escondia mais, já havia ido embora, estava da caixa-prego pra frente, mas reparem como funciona a leitura da borra! Como homem, apenas li atrasado o fundo da xícara. Uma fêmea mística teria sabido tudo de véspera.

terça-feira, junho 02, 2015

Da arte de nunca chamar uma Vossa Excelência de tu...


O senhor Diogo Inácio de Pina Manique foi cidadão de alta importância nos arredores dos séculos 18 e 19. Nasceu o gajo em 1733 e finou-se em 1805, em Portugal, naturalmente.

Formou-se pela Universidade de Coimbra e, sob o manto real de D. Maria I (ela mesma, a louca, a que mandou atear fogo nos teares mineiros), ocupou cargos de relevância.

Ei-los: Chanceler-Mor do Reino, Administrador-Geral das Alfândegas, Superintendente-Geral de Polícia, Desembargador da Casa de Suplicação, Inspetor Geral dos Contrabandos e Descaminhos, Fiscal da Companhia da Paraíba e Pernambuco, Fundador da Casa Pia de Lisboa e Intendente da Polícia do Reinado.

Pina Manique era uma espécie de Almirante Pena Botto melhorado (ou piorado), vale dizer, homem de extremíssima direita e reacionário ensandecido.

Aplicado misoneísta, tinha aversão a tudo que fosse novo – ideias, costumes, artes, etc. –, contudo suspeito que deveria ter sido um sujeito engraçadíssimo, a julgar pela carta que a pesquisadora Lúcia Giacomini desencavou da Biblioteca de Lisboa.

Pina Manique endereçou-a ao Duque de Cadaval, Corregedor-Mor da Justiça do Reino de Portugal quando ele, Pina Manique, era Corregedor de Justiça de Santarém. A carta:

“Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Duque de Cadaval:

Se o meu nascimento me põe em circunstância de Vossa Excelência me tratar por tu, caguei em mim. Se o honroso cargo que exerço, de Corregedor da Justiça de Santarém, permite Vossa Excelência me tratar por tu, caguei para o cargo. Mas, se nem uma nem outra coisa consente semelhante linguagem, caguei para o tratamento. Rogo à Vossa Excelência que me informe acerca dessas particularidades, para saber ao certo se devo, então, cagar para Vossa Excelência. Atenciosamente, (a) Pina Manique. Santarém, Portugal, em 23 de maio de 1793.”

Qual a lição de hoje. gafanhoto? As “excelenças” e “otoridades” são suscetíveis, zelosas de sua pompa e circunstância e não admitem intimidades. Todo cuidado é pouco

segunda-feira, junho 01, 2015

Nada substitui a mulher


Não existe substituto para a mulher. Já se experimentou de tudo, de melancia ao homem, mas nada a substitui completamente. Você pode achar que encontrou uma alternativa satisfatória para a mulher – a numismática, ou a autoflagelação com espaguete cru – mas está apenas se enganando. Sempre estará faltando alguma coisa. Definição: mulher é aquilo que fica faltando quando a gente acha que não precisa dela.

Há quem diga que, para uma relação sexual, mão é melhor que mulher. Que a mão do homem combina as vantagens de uma esposa e de uma amante – está sempre ali, mesmo no meio da noite, como uma esposa, e pode pegar no seu pau embaixo da mesa do bar no meio de uma conversa sobre o Malkovich e quase obrigá-lo a levá-la para casa, ou pelo menos para o banheiro, como uma amante – sem qualquer das desvantagens, como ciúmes ou TPM. Mas que variação pode haver no sexo com a sua própria mão? (Por favor não mandem e-mails.) E as bobagens antes e depois do sexo, sem falar naquele cheiro meio doce e úmido que elas têm no pescoço e a sua mão não tem?

Fala-se também nas bonecas infláveis, que estariam chegando a um tal grau de realismo que já daria para escolher o cheiro do pescoço. Dizem que, para atender aquele segmento do mercado que quer bonecas infláveis com as quais você possa ter não apenas sexo, mas conversas inteligentes, os japoneses desenvolveram uma boneca que responde. Você fala qualquer coisa, puxa uma cordinha e elas dizem “Sim”. Mas você não pode levar bonecas infláveis a bons restaurantes e esperar que elas saibam se comportar. Ou usá-las em qualquer proposta séria de troca de casais, a não ser que as outras também sejam infláveis.

Nada substitui a mulher. Nenhuma categoria humana é tão inteligente. E tão graciosa, não importam o que digam dos travestis tailandeses. A reprodução da espécie seria impossível sem as mulheres – e não se pode dizer o mesmo dos homens, pois já estão fazendo fecundação sem cromossomos. E pense nisso: existem mulheres infláveis porque elas não se resumem nos seus orifícios, pois para isso até os hortifrutigranjeiros servem.


Mesmo artificial, precisamos da mulher inteira, do conjunto, de um simulacro da sua companhia. E alguém tem notícia de homem inflável? Só existem falos artificiais, o resto é supérfluo. O boneco do homem, para as mulheres, é o seu pênis, sem aquela massa confusa, iludida e dispensável na outra ponta. Já a mulher, para o homem, é a sua genitália e, ah, as suas circunstâncias.

sábado, maio 30, 2015

10 cretinices para fazer no ponto de ônibus


Edson Aran

É vero, gafanhoto, o trânsito em Manaus está um terror! Parece que, mesmo depois dos últimos 27 terremotos, a mobilidade urbana no Nepal ainda está melhor do que na Vila da Barra de São José do Rio Negro. Se não bastasse isso, esperar o busão é muito chato. Fazer o que, então? Ora, divirta-se, gafanhoto! Aí vão algumas dicas:

1 – Olhe fixamente para a velhinha que espera o ônibus e diga com voz meiga e suave: “Debaixo de todas as minhas roupas eu estou completamente nu, sabia?”

2 – Pergunte se ali passa o ônibus para o Raio Que o Parta. Quando disserem que não, você diz: “E o que vai pra Casa do Caralho, já passou?”

3 – Faça sinal para todos os ônibus. Quando eles pararem, peça desculpa e diga que você está com tendinite e não pode encolher o braço porque dói. 

4 – Chegue no ponto com as mãos esticadas, arrastando os pés, babando e murmurando “brain... brain...”. Morda alguém.

5 – Faça mímica. Finja que o ônibus está fechado numa parede invisível que você tenta desesperadamente atravessar, mas não consegue.

6 – Leve um livro de poesias do Ferreira Gullar e ameace todo mundo: “Ou vocês me passam a carteira agora ou eu vou ler um poema sujo dedicado ao José Sarney!”

7 – Ajoelhe-se no chão e pergunte às pessoas do ponto: “E aí, meus queridos cães infiéis, vocês podem me dizer pra que lado fica Meca?”

8 – Vá pro ponto fantasiado de Batman, diga que o batmóvel quebrou e pergunte se o ônibus para Gothan City já passou.

9 – Imite várias vozes e discuta com você mesmo. De vez em quando, aumente o tom e diga: “Já falei! Eu parei de matar! Parei!”

10 – Dance como se não houvesse amanhã. Se você ficar na frente do ônibus é provável que não haja mesmo.

sexta-feira, maio 29, 2015

A difícil arte de não escrever



Ivan Lessa

Além de ter completado seis anos, cultivava eu, na São Paulo de 1941, o costume de fazer com que meu pai me levasse ao cinema pelo menos duas vezes por semana. Entrávamos no Santa Helena, saíamos, entrávamos no Cinemundi. Depois, finzinho de tarde, encaminhávamos-nos para o Franciscano, na Libero Badaró, para um chopinho (ele) e um frapê de coco (eu).

Enquanto eu explicava a meu progenitor as óbvias diferenças entre seriado da Columbia e da RKO (montagem, jogo de contrastes, fluxo da narrativa), íamos, distraídos, evitando pisar nos cadáveres dos estudantes mortos a bala pelo ditador de então, Obdúlio Vargas, se não me engano.

Seguindo pela Rua Direita, fugíamos ao assédio dos mendigos e retirantes nordestinos distribuindo socos e pontapés. Na Praça do Patriarca, fazíamos vista grossa aos carcamanos vendendo drogas e ouvidos de mercador aos turquinhos oferecendo suas mães, filhas e irmãs (“Fazem barba, cabelo e bigode, zim zenhor!”) em troca de alguns cobres. Não era incomum darmos com um preto fujão, em geral crítico literário, tentando escapar do tronco e das habituais 25 chibatadas. (A fina garoa da paulicéia desvairada de então molha-me a fronte enquanto rabisco, em Londres, estas lembranças de um tempo para sempre perdido.)

Estávamos sentados na mesa com Mário de Andrade, Francisco Mignone e uma senhora gorda cujo nome, no momento, não me ocorre. Estou vendo diante de mim a carona alegre e simpática de Mimi Sustenido, apelido dado por Otto Lara Rezende ao inesquecível musicólogo e beletrista precocemente desaparecido.

O papo girava em torno de músicas, ou gêneros musicais, com nomes terrivelmente assustadores para um menino de minha tenra idade e apurada sensibilidade: tamba-tajá, maguary, escubidu, gury-mirim, japyassu, almeida, prado – sentia-me como o Noah Beery Jr. em A Ilha Misteriosa: cercado por perigosos e barulhentos índios.

Além do mais, nunca me interessei por primitivismos em música. Eu acabara de sair da inevitável fase pela qual todo jovem passa, a do xaroposo Mahler, e, numa concessão ao gosto popular de então, procurava entender certos charts traçados para algumas orquestras norte-americanas tidas na época como “inovadoras”: Boyd Raeburn e Claude Thornhill são dois nomes que me vêm à mente.

Mimi Sustenido (esse Otto tinha e tem cada uma!) me perguntando naquele seu inimitável linguajar – que ouvido tinha! – popular:

– E tu, garboso infante, que almejas ser quando atingires a maturidade física e cronológica? Escritor, como o pai?

Num gesto muito brasileiro, cocei o saco do garçom que passava e respondi com minha poderosa voz de baixo profundo:

– Escrever tudo mundo escreve. Difícil é tomar notas. Pra isso tem que ter talento. Eu vou tomar notas.

Como se ilustrando meu sonho e vocação, tomei da rodela de chope e garatujei algumas palavras só a mim compreensíveis, instamaticando a ocasião. Um manto de silêncio cobriu a mesa. Dava-para se ouvir um Mattarazzo peidando na Avenida Paulista.

Até sua morte, Mário de Andrade inundou-me com longas, ternas e eruditas cartas. Nunca respondi; estava mais ocupado tomando notas. Em março de 1958, vendi tudo para as cinco noivas dos sete irmãos Campos por dois mil e quinhentos guarujás (creio que era esta a moeda corrente no país àquela época); de qualquer forma, as cédulas mostravam índios em conjunção carnal com animais de grande e pequeno porte (um dinheiro que, evidentemente, não podia dar certo; parem com essa história de culpar o FMI).

Com o correr dos anos – mais precisamente o revezamento dos anos; tudo a mesma coisa, uma gentinha feia desembestada pra cima e pra baixo com um pauzinho na mão – anotei adoidado. Tenho, aqui em casa, uns três armários repletos de anotações. Se alguém for pós-estrutura ou desconstruir minha obra ver-se-á em palpos de Osvaldo Aranha, conforme se dizia na ONU. A página em branco jamais me tentou, mas ai! um macinho vazio de Malboro, um canto do Times, um punho de camisa Viyella branca, um guardanapo da Bombay Brasserie!

Eu tinha um gatinho chamado Cetim, alegre e macio, gostava de mim. Nele, numa dessas tardes de outubro em Londres, chatas como um parágrafo de Autran Dourado, tomado de súbita inspiração (vodca, uma pedrinha de gelo, rodela de limão), escrevi as palavras mortais como um hebdomadário satírico-humorístico carioca: “Majestosos, de mãos dadas, íamos do Arpoador ao Posto Seis, eu e – cumá-era-o-nome-dela mesmo? –, pela Rainha Elizabeth, by appointment to Her Majesty the Queen.”

Cetim morreu, mas não tive a coragem de enterrar ou jogar na lata do lixo o bichano com a inspiração. Sim, claro, bastava eu passar a bobageira para outro lugar qualquer. Mas não é assim que se toma notas. Cetim, com minha mensagem, jaz morto e apodrece no armário. Pensando bem, acho que lá também tem uma falecida namorada – Ismênia? Clodovilda? – com um epigrama nas costas. Acho que, nela, empreguei outro método favorito: o da pontinha de cigarro aceso. Não sei, preciso checar.

Aí está, pois: eu tomo notas. Livro é coisa de pobre, de gente que lê Veja; que escreve para publicação brasileira; que foi, é ou vai ser contratada pela Globo. Sou um homem sério, conheço minhas fraquezas. Seria uma questão de tempo eu ceder à tentação e terminar, como um desses infelizes que sequestraram o embaixador do Araguaia (já repararam como a cada semana tem mais), publicado e resenhado. Com sorte, passaria despercebido.

Mas manjo minhas Eumênides, sei de minhas zebras e o mais provável seria um desses ex-laterais-esquerdos do Olaria, que estudaram na Universidade de Buffalo com o Affonso Rommanno de Santanna, acabar me arrasando – pior: louvando! – em palestra sobre Comunicação na sala de conferência de um hotel com um nome deprimente qualquer assim feito Maksoud-Plaza.

Num dia de 1968, peguei a moto de Joyce – silêncio, exílio e Almirante Canning – e me mandei. (1968 foi um grande ano para se deixar qualquer lugar.) Não queria, e não quero, saber mais do Bananão, tal como carinhosamente chamo esse troço em que vocês “vivem”.

A esta altura, o leitor esclarecido, aquele que comprou o livro da Marguerite Yourcenar e acha tchâm (é assim que se diz?) o Marcílio de Souza, terá notado uma ligeira discrepância e perguntado aos botões dourados do blazer cor-de-rosa do Telmo Martinho: “Mas se esse cara diz que não escreve o que é que eu estou fazendo no meio desta matéria?”

A resposta, gentil-leitor esclarecido, é simples: primeiro, você, como todos que o cercam, é um idiota; segundo só estou batendo estas linhas porque me ofereceram uma fortuna em dólares e não em conchas, tatuís, goiabas, marajós, guararapes, canudos, ou seja lá qual for a piada que, no momento, por aí, passa por “moeda corrente”; terceiro, apesar de nunca ter visto um exemplar da esplêndida revista Status, tenho a certeza de que estou sendo publicado ao lado de mulher pelada, artigo sobre aparelho de som e receita de bebida a ser servida em copo longo e com guarda-chuvinha de papel roxo. Só topo nessas condições.

Abri um dos armários. Apanhei o que coube na mão. Decifro e desenchavo com preguiça. Ainda há lauda que não acaba mais a encher. Ô Bananão chato!

quinta-feira, maio 28, 2015

O intrigante caso da tartaruga ninja da UEA


Antônio Peba

Tem um ditado muito comum nos beiradões amazônicos que diz o seguinte: “Jabuti em cima da árvore? Ou foi enchente ou foi mão de gente”. Os nossos cabocos costumam usar esse ditado diante de uma situação inusitada, que só pode acontecer pela interferência de outros fatores. Todo mundo sabe que um jabuti é incapaz de subir sozinho em uma árvore.

O caso do “jabuti” Levi Mateus Marinha Neto, nomeado no último dia 11 de maio para o cargo comissionado de “Coordenador UEA-4”, tem causado muito disse-me-disse entre os servidores e alunos da instituição. 

Uns argumentam que Levi Mateus só concluiu o 2º grau e que, portanto, não poderia ser nomeado para o segundo escalão da UEA. Até sua nomeação, ele era um simples motorista (e namorado) da Pró-Reitora de Interiorização Samara Menezes. Agora é um “Coordenador de Curso”. De que curso? Isso ninguém sabe, ninguém viu.

Outros dizem que ele é servidor da SEDUC e que, pela Lei Delegada nº 114, de 18 de maio de 2007, que dispõe sobre a estrutura organizacional da UEA, os cargos comissionados devem ser preenchidos prioritariamente pelos servidores da UEA. Segundo os que defendem esse entendimento, existem pelo menos 20 servidores efetivos da UEA com curso superior que foram preteridos em favor do “jabuti”.

A pergunta então é a seguinte: quem colocou o “jabuti” em cima da árvore? Ou estamos diante do primeiro caso de “jabuti voador” da História, uma verdadeira tartaruga ninja, que subiu na árvore sem a mão amiga de alguém? As opiniões se dividem. “O Levi tem uma madrinha poderosa”, dizem uns. “O Levi é amigo íntimo do vice-reitor Bessa”, dizem outros.

O certo é que enquanto essa quizomba não for esclarecida, a autonomia financeira da UEA vai ser um sonho cada vez mais distante. Monitorado diariamente pela mídia em busca de escândalos, o governador Zé Melo não vai ser besta de despejar verba à vontade onde há fortes indícios de compadrio, falta de ética e transparência zero. Pior para o reitor Cleinaldo Costa, que deve ter entrado de Pilatos nessa história. Mas quem pariu Mateus que o embale...

quarta-feira, maio 27, 2015

Risque o meu nome do seu WhatsApp


Xico Sá

Você amigo, você fofolete, acaba o casamento, o romance, a novela, o amancebamento, o caso, o rolo, mas continuam acompanhando a vida do(a) ex no Instagram, no Facebook, nas redes sociais mais intimistas. Um desastre. Podendo evitar, meu caro, minha princesa, evitem. Corra fora rapaz, corra, Lola, corra.

Aproveitem que os laços foram cortados no plano real e passem a régua também nas espumas da virtualidade. O mais é sofrimento à toa, reacender a fogueira do ciúme, masoquismo, perversão, sacanagem. Um risco que não vale mesmo a pena. Depois não digam que foi por falta de aviso.

Qualquer recado ou post, mesmo os mais inocentes ou sem propósito, vira um inferno na terra. Para completar, tem sempre alguém mais sacana ainda e entra no jogo, só por ruindade, dando linha na pipa da maldade. Prefira não, amigo, caia fora mesmo, Lola.

Não adianta nem tentar dizer que não liga, que é apenas virtual, que leva na buena, que acabou tudo bem e que é civilizadíssimo. Melhor evitar aperreios no juízo.

Você já prestou atenção, meu jovem, na fartura de tragédias amorosas que tiveram como espoleta da discórdia um simples comentário na Internet, uma foto sensual no Facebook, uma alteração no status do relacionamento? E tem outra: precisa ser muito tranquilo para não ficar fuçando a vida do(a) entidade chamada ex. Quem resiste ai levante o dedo. Melhor evitar o brinquedo assassino chamado ciúme, esse satanás de chifre.

Sim, tem que ser forte para cair fora, para bloqueá-lo(a), para dar um tempo inclusive na amizade forçada – não há civilização no fim do amor, a barbárie e a selvageria sempre prevalecem.
Não basta o sofrimento mais do que real da ressaca amorosa? Basta. Como recomendava a canção das antigas, risque o meu nome do seu caderno, pois não suporto o inferno, do nosso amor fracassado.

Ninguém segura essa onda. Claro que só uma minoria maluca chega à violência, ao inconcebível. A maioria, mesmo silenciosa, sofre horrores, se acaba, o velho pote até aqui de mágoa, como diria o xará Buarque, faça não, caia fora, faz bem para manter a sanidade.

Risque o meu nome do seu WhatsApp, diga ao Facebook que não estamos mais em um relacionamento sério... 

terça-feira, maio 26, 2015

Hasta que tu decidas regressar...


Aldir Blanc

Eu sou do tempo em que o sujeito aprendia a dançar com as primas um pouquinho mais velhas. Delícia. Claro que era coisa meio incestuosa. A família – implacável censora de qualquer atitude que sugerisse sexo – liberava o sarro com as primas. Prima, com ph e dois dês de Toddy.

Na galeria de primas inesquecíveis, Gregório Barrios ao fundo, destacava-se Dorinda. Protestante. Estrábica. O mais bonito em mulher com discreto estrabismo é que parece estar sempre à beira do orgasmo. Em Dorinda, a suave mistura entre recato e cara de vou-gozar me enlouquecia. E, além do mais, ela ostentava um pequeno buço. Eu ficava repetindo, antes de dormir: o buço da prima, o buço da Dorinda... De fato, buço é uma palavra que provoca tresloucadas associações.

Quando a austera Dorinda me ensinava a dançar, nas festinhas da Rua dos Artistas, os adultos quedavam perplexos – talvez pela voz autoritária de Dodô (começou a intimidade) caso eu errasse um passo mais elaborado, ou quiçá, quiçá, quiçá pelo escândalo de minha barraca armada em contato com aquela inflação de tafetá, organdi, babado inglês, um sutiã como dois aríetes, anágua, combinação, meias com o fio corrido, e..., e..., e...

Bom, calcinhas, queridas, nem pensar. Se naquela época passasse pela minha cabeça que, debaixo daquilo tudo, uma calcinha de renda expunha mais do que velava o cabeludo tesouro da Dodô, eu soltaria um berro tremendo e dispararia em direção ao banheiro pra uma sessão-nostalgia de “contigo en la distancia” pensando na Dodô, em sua cara de gozo e, lógico, em seu buço.

Ainda hoje, quando tomo uísque com guaraná, ouço a voz de Dodô murmurando: “São dois pra lá, dois pra cá” – embora, na verdade, ela gritasse comigo feito um instrutor do CPOR.

Dodô, minha nega, enquanto cruzas outros mares de loucura, guardo nosso 78 rotações favorito, “Angustia”, com Bienvenido Granda (que buço!) e “Sonora Matancera”, um lançamento da Mocambo, que juntos compramos na extinta Ótica Irany (Revelações, Cópias, Ampliações em 24 horas), lembra?
Tenho a impressão, Dodô, que esse disco vai ficar girando em minha vida hasta que tu decidas regressar...

segunda-feira, maio 25, 2015

Cerveja X Mulher: quem ganha essa disputa pelo coração masculino?


1. A cerveja está sempre molhada. A mulher precisa de estímulos para ficar molhada. (cerveja 1 x 0 mulher)

2. Cerveja quente é horrível. Mulher quente é maravilhosa. (cerveja 1 x 1 mulher)

3. Se você ficar com um pelo na boca ao beber cerveja, você fica com nojo. Se for fazendo sexo com uma mulher, você acha normal. (cerveja 1 x 2 mulher)

4. Quando você bebe muita cerveja, fica gozado (engraçado). Quando você come uma mulher, ela fica gozada (cheia de goma). (cerveja 2 x 2 mulher)

5. Cerveja é uma bebida fermentada que leva fungos na preparação e é deliciosa. Uma mulher fermentada e com fungos é simplesmente horrível. (cerveja 3 x 2 mulher)

6. Dez cervejas numa noite te deixam alegre. Dez mulheres numa noite te deixam realizado. (cerveja 3 x 3 mulher)

7. Se comprar e consumir muita cerveja, você fica barrigudo. Se comprar e consumir muita mulher, você fica pobre. (cerveja 4 x 3 mulher)

8. É normal e aceitável beber cerveja na arquibancada da Colina. Você vai se tornar uma lenda se comer uma mulher na arquibancada da Colina. (cerveja 4 x 4 mulher)

9. Se um policial sentir bafo de cerveja, você sopra no bafômetro e pode ser multado. Se ele sentir bafo de mulher, vai lhe dar parabéns e pedir autógrafo. (cerveja 4 x 5 mulher)

10. Cerveja pode fazer você achar que é Deus. Mulher pode fazer você sentir-se Deus. (cerveja 4 x 6 mulher)

11. Se você passar o dia inteiro pensando em cerveja, você é um alcoólatra. Se você passar o dia inteiro pensando em mulher, é um sujeito normal. (cerveja 4 x 7 mulher)

12. Abrir uma cerveja nova pode dar prazer. Abrir uma mulher nova dá muito mais prazer. (cerveja 4 x 8 mulher)

13. Você pode perfeitamente beber uma só marca de cerveja. Você jamais se contentará em comer sempre a mesma mulher. (cerveja 5 x 8 mulher)

14. Há impostos sobre a cerveja. Não há impostos sobre a mulher. (cerveja 5 x 9 mulher)

15. Você pode beber a cerveja, virar as costas e ir embora, sem causar ressentimentos. Se você comer a mulher, virar as costas e for embora, você é um canalha. (cerveja 6 x 9 mulher)

16. Cerveja de mais pode fazer você passar muito mal. Mulher de mais?! Mulher de mais?! Isso não existe! Mulher nunca é de mais! (cerveja 6 x 10 mulher)

17. Não importa a situação, pela cerveja você sempre paga. Pela mulher, nem sempre. (cerveja 6 X 11 mulher)

18. Na manhã seguinte a uma noitada de cerveja, você não quer nem ouvir falar em cerveja. Na manhã seguinte a uma noitada com mulher, você quer mais mulher. (cerveja 6 x 12 mulher)


Conclusão: UMA mulher equivale a DUAS cervejas!

sábado, maio 23, 2015

10 épocas muito piores que a nossa


Edson Aran

Negócio seguinte, meu caro gafanhoto: mesmo que você seja um dos 300 mil manauaras que possuem carro particular e que se quedaram completamente estressados por conta daquele monumental engarrafamento da última quinta-feira, mesmo que você tenha votado na Dilma e se arrependido amargamente, mesmo que você esteja preocupado com o avanço do Estado Islâmico no Oriente Médio, mesmo que você tenha levado um pé na bunda da namorada, não reclame do momento atual. Podia ser pior. Muito pior. Acha que estou blefando? Então, confira:

1 – A Idade das Trevas. Faltava água, luz e a única iluminação disponível era a das fogueiras da Inquisição.

2 – O Período Pleistoceno. O Período Obsceno era muito mais legal.

3 – O Brasil antes de 1500. Só tinha índio e mato, quer dizer, parecia Roraima.

4 – Os tempos bíblicos. Vira e mexe aparecia um anjo na porta dizendo que o grande Congamonga queria ter um messias com a sua mulher.

5 – A Era dos Dinossauros. Eles nunca aprenderam a usar o tanquinho de areia.

6 – A Guerra dos 100 Anos. Você nascia, crescia e se aposentava no campo de batalha.

7 – O Futuro de O Exterminador do Futuro. Os eletrodomésticos do mal tomam o controle e não dá pra puxar o plugue.

8 – O Big Bang. Explosão seguida de expansão? Isso é conversa de analista econômico.

9 – A Belle Époque. Muito gay. Imagine alguém perguntando: “Em que época nós estamos?”. “Ora, jovem mancebo, na Belle Époque, é claro!”. Uia.

10 – No Egito Antigo. Principalmente se seu emprego fosse servente de pedreiro na construção de pirâmides.    

quinta-feira, maio 21, 2015

Cuidados com a aparência pra não queimar o filme ou a rosca!


Cuidar da própria aparência não significa ser uma biba enrustida com medo de sair do armário, feito os fãs da banda Restart. Sim, gafanhoto, você é um macho de responsa, espada matador e heterossexual convicto, mas também não precisa andar por aí parecendo (e fedendo como) um “clochard” (“mendigo”). Só que tudo tem limites.

Hoje, nós vamos lhe dar algumas dicas de como manter uma boa aparência sem acabar virando um viadinho tipo Justin Bieber. Concentre-se, porque mesmo que sua intenção seja impressionar o mulherio, não é recomendável nunca, em hipótese alguma:

Usar Baby look (vulgo “mamãe tô fortinho” ou “mamãe quero ser gay”) – Além de desconfortável, você fica parecendo um imbecil que está usando a camiseta do irmão mais novo. Prefira roupas do tamanho certo e que sejam confortáveis.

Comprar roupas ou acessórios na cor rosa, lilás, púrpura, verde-abacate, amarelo-limão, etc. – Sim, gafanhoto, trata-se de um atestado de viadagem happy few. Pra você queimar a rosca será um pulo. Talvez até menos.

Depilar até a bunda (com cera quente, para quem já está cursando nível superior em viadagem) – Se você for o Tony Ramos, compre uma dessas máquinas de cortar cabelo por cerca de R$ 30 e apare o excesso de pelos.

Ter 300 perfumes em casa – Isso é burrice, pois você acabará não se identificando com nenhum deles. Além de torrar dinheiro com um monte de perfumes inúteis que ficarão parados no seu guarda-roupa, colecionar vidros de perfumes é coisa de viado.

Usar o cabelo do Neymar Jr. pra tentar chamar a atenção das piranhas – Aquilo é uó do borogodó, porra! Pra ter coragem de usar aquela merda só tendo a conta bancária do jogador...

Usar calças skinny ridículas – Seja macho, gafanhoto, e não um andrógino ridículo querendo liberar o rodiscley.

Usar cremes hidratantes da mãe ou da irmã (daqui a pouco você vai querer usar as calcinhas de renda também!) – A única exceção fica por conta de problemas reais de pele, tipo excesso de cravos e espinhas. Mas se a tua pele é normal, gafanhoto, não há necessidade de usar essas merdas.

Fazer unhas com direito a usar tinta base e tirar cutícula – O que houve com apenas cortar as unhas e tirar a sujeira? Não existe nada mais inútil que passar base e tirar cutícula. Isso é desnecessário para um macho, vá por mim. A não ser que você seja bicheiro, baitola ou traficante.

Cultivar barbas ralas ou desenhadas, no estilo de viados tipo George Michael – Use a barba do Bud Spencer ou então não use, porra!

Fazer peeling facial, anal, sovacal, escrotal, etc. – Não encare isso nem como exercício filosófico. A não ser que você seja nadador se preparando para as Olimpíadas.

Bancar o bambi do fitness – Na academia, evite passar gel no cabelo e usar tênis 40 molas, correntinha de prata estilo Ferrari Black, boné John-John e camiseta John Deere pra “malhar“ ouvindo “Tonight’s Gonna Be Our Good Night” ou David Guetta no iPod. Qual a necessidade de usar gel, tênis 40 molas e boné John-John na academia senão pra parecer um bambi moderninho e impressionar as piranhas? Absorção de impacto na esteira ergométrica? Qualquer tênis Rainha furreca faz isso. Proteger a cabeça de sol e chuva? Qualquer boné de 1,99 faz isso. A única recomendação pra malhar na academia é fechar a bunda e treinar sério. Mas se você tem cabelo estilo ninho de pombo então é melhor mesmo usar um pouco de gel.

Excesso de ternos – Muitos moderninhos gostam de usar um terno de dia, outro de noite, outro pra casamento de dia, outro pra casamento de noite, outro pra velório de dia, outro pra velório de noite, outro pra cerimônias de dia, outro pra cerimônias de noite, outro pra dar a bunda de dia, outro pra dar a bunda de noite, etc. Você tem um único corpo, gafanhoto, então pra que 300 ternos?...

Pedir da namorada opiniões sobre sua roupa – Implicitamente, você está dizendo que é um cuzão sem opinião própria, incapaz de escolher suas próprias roupas. Pior: está afirmando que sua autoestima depende da opinião dela. Resumindo: está a um passo de virar um corno convencido.

Imitar um gangsta rapper e se vestir feito um marginal que quer dar a bunda pro Eminem, Dr. Dre e 50cent numa quebrada do South Bronx – Sinto muito, gafanhoto, mas isso aqui dispensa comentários. Vá ouvir reggae ou rock, carálio!

quarta-feira, maio 20, 2015

Por que os cachorros são melhores do que as mulheres?


Os cachorros não choram.

Os cachorros adoram quando você traz seus amigos pra casa.

Os cachorros não se importam se você usa o shampoo deles.

Os cachorros acham que você canta bem.

Quanto mais tarde você chega em casa, mais excitados estão os cachorros pra te ver.

Os cachorros não vão se importar se você chama-los pelo nome de outro cachorro.

Os cachorros vão lhe perdoar se você brincar com outros cachorros.

Os cachorros não compram nada.

A disposição dos cachorros permanece a mesma durante o mês inteiro.

Os cachorros nunca param para discutir o relacionamento.

Os parentes do cachorro nunca o visitam.

Quando um cachorro envelhece e começa a incomodar, você pode chuta-lo pra bem longe.

Os cachorros não odeiam seus corpos.

Os cachorros nunca gritam.

Os cachorros concordam que você deve gritar para impor seu ponto de vista.

Os cachorros não querem conversar sobre os outros cachorros que você já teve.

Os cachorros não deixam os artigos de revista guiarem suas vidas.

Você nunca tem que esperar pelo cachorro: ele está sempre pronto para sair durante 24 h por dia.

Os cachorros acham divertido quando você está puto.

Os cachorros não falam ao telefone nem deixam a comida queimar no fogo porque estavam conectados no Whatsapp.

Os cachorros não reclamam que seu dono está meio fora de forma.

Cachorros, apesar do faro apurado, não ficam perguntando: “Que cheiro é esse?”

Os cachorros não reclamam quando você dirige em alta velocidade.

Os cachorros não se metem a discutir futebol na frente dos seus amigos.

Os cachorros não perdem tempo nas redes sociais.

Os cachorros são fiéis ao seu dono.

terça-feira, maio 19, 2015

Mais algumas coisas que você tem que saber sobre as mulheres


1. Mulheres não veem problemas nos carecas, o que não quer dizer que é dos carecas que elas gostam mais. Ainda mais se você for um careca “liso”.

2. Para elas, a careca de um homem pode ser explicada pela genética ou pelo destino. Barriga mole de chope, entretanto, não tem desculpa.

3. Se for usar brinco, por favor, algo minúsculo, só notado por quem chegar bem perto. Mulher odeia o estilo pirata.

4. Se quiser ter tatuagem, faça uma só. Mais do que isso, você pode ser confundido com um ex-presidiário.

5. Mulheres adorariam que seus amigos gays fossem héteros. Não ligue pra isso.

6. Até Sharon Stone tem celulite.

7. Luzes e tinta no cabelo são permitidas apenas para exemplares do sexo feminino.

8. Nunca peça para que elas escolham para onde vocês devem ir no primeiro encontro. Elas gostam de ser levadas. Sempre.

9. Elas vão em dupla ao banheiro para falar bem dos homens e mal das mulheres. Não esquente com isso.

10. Por mais que a mulher o ame, ela detesta ver você e seus amigos jogando pelada.

11. Mulheres adoram telefone. É uma boa forma de tagarelar alegremente sem necessidade de se arrumar para sair.

12. Mulheres odeiam homens que dirigem devagar, não bebem e não têm time de futebol.

13. Mulheres odeiam ser chefiadas por mulheres.

14. Mulheres costumam se derreter quando percebem que um homem precisa de um colinho.

15. Mulheres adoram ser acariciadas entre os cabelos, sentindo seus dedos tocarem o couro cabeludo.

16. Mulheres esperam ser consoladas quando choram.

17. Mulheres acham que, se tomam a iniciativa, a gente não tem o direito de dizer “não!”.

18. Elas amam “discutir a relação”, porque é a partir disso que descobrem as fraquezas e os defeitos dos homens que estão ao seu lado. Fique esperto.

19. Elas odeiam restaurantes-rodízio, por quilo, self-service ou aqueles do tipo “coma o quanto aguentar”.

20. Se elas perguntam: “Estou gorda?”, a resposta única, óbvia e esperada é: “Claro que não!”. Nem pense em dizer outra coisa! Never, nunca, jamais.

21. Elas vão adorar seu carro se ele tiver um espelho no pára-sol do banco do carona.

22. Crianças mentem sobre o dever de casa, homens sobre o desempenho sexual e mulheres sobre a baixa quantidade de sapatos em seu guarda-roupa. Não dê ouvidos.

23. Mulheres fingem orgasmo. Quase sempre. Não ligue pra isso.

24. É inadmissível ser um desastre na cozinha. Nem que sua especialidade seja spaghetti ao alho e óleo.

25. A maioria das mulheres odeia caras marombados Excesso de músculos cheira a falta de masculinidade.