82. Em meados da década de 40, mal saído da adolescência, Jaime Rebelo surgiu jogando na zaga central do time titular do Eldorado, que disputava o campeonato amador da primeira divisão. O clube pertencia ao seu pai, professor Francisco Rebelo de Souza, e outros irmãos de Jaime também jogavam no mesmo time, como Raimundinho Rebelo e Jessé, todos titulares, além de João e Jairo que atuavam no time de aspirantes.
O Eldorado
disputou os campeonatos de 1946 a 1952 e em 1950, Jaime Rebelo foi convocado
para atuar como titular da Seleção Amazonense que jogou duas vezes contra o
Pará, pelo Campeonato Brasileiro. Ele atuou ao lado do quarto-zagueiro Gatinho
e do goleiro Vicente. Com a extinção do time do Eldorado, Jaime deu um tempo
para se dedicar a outro ramo de atividade.
Fez concurso
para locutor comercial da Rádio Baré e foi aprovado juntamente com Dantas de
Mesquita. Trabalhou na veterana emissora até como ator de novelas, apresentador
dos programas na Maloca dos Barés e narrador esportivo, jogando seu futebol
apenas nas promoções entre jornalistas e radialistas que sempre eram realizados
no estádio General Osório.
Mas o São
Raimundo, clube que também foi fundado pelo seu pai, entrou para o campeonato
da primeira divisão em 1956 e Jaime foi chamado para vestir a sua camisa.
Titular do time da Colina, formando zaga com Zezé, uma dupla que garantia,
também, o bom desempenho do goleiro Carlos Genésio.
No São Raimundo,
Jaime ficou apenas duas temporadas até que decidiu, com a idade chegando e a
multiplicação de afazeres, cuidar apenas da emissora, mas ainda encontrava
algum tempo para treinar equipes inferiores do Nacional, onde jogavam dois de
seus filhos. Formou-se em direito, trabalhou como jornalista profissional e
passou a diretor artístico da Rádio Baré, cargo que ocupou até morrer.
Narrava e
comentava os jogos de futebol do Parque Amazonense ou do Estádio da Colina. A
cabine de rádio do estádio “Ismael Benigno”, construída no início da década de
60 com auxílio financeiro da FAF e da ACLEA, tinha o seu nome, numa homenagem
do clube ao seu antigo zagueiro, um pedido das duas entidades, acordo
desrespeitado na década de 90.
Jaime Rebelo
morreu repentinamente, em 3 de julho de 1977, vítima de um problema cardíaco,
numa época em que apresentava noticiários da TV Baré.
Seus filhos
mais velhos, Zé Eduardo e João Lúcio, o “Careca” (este já falecido), foram
ídolos da torcida nacionalina. Ambos nasceram no bairro da Vila Municipal e
moravam em frente ao campo do Nacional. Desde os infantis começaram a mostrar
qualidades. Foram titulares do Nacional durante a década de 70 e duas vezes
campeões da cidade.
No início dos
anos 80, Mestre Maranhão, presidente do GRES Barelândia, imbuído dos mais
relevantes propósitos, resolveu homenagear o saudoso radialista Jaime Rebelo. O
samba-enredo era quase uma marchinha de tão animado, mas derrapava feio em uma
das estrofes, que marcava a virada da bateria.
O puxador de
samba cantava: “Jaime Rebelo morreu...”, aí entrava um coro em contraponto
dizendo “oba!”, enquanto o puxador continuava: “...e de luto a rádio
emudeceu!”.
Apesar de
servir para pontear a virada, aquele “oba!” encaixado no meio da homenagem
deixou os familiares e amigos do morto meio constrangidos.

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