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quarta-feira, setembro 23, 2026

Telecoteco do Balacobaco - Canto 89

 


89. Janeiro de 1986. Vice-campeã em 1985 com o enredo “Caprichoso e Garantido: Cultura Popular de Parintins”, a escola de samba Andanças de Ciganos dessa vez queria colocar a mão no título. O enredo daquele ano era “O Amazonas, Sua História e Suas Lendas”, de Duda e Alvadir Assunção.

Responsável pela confecção dos carros alegóricos, o engenheiro Chico Costa chamou um ajudante de ordem no barracão da escola e foi peremptório:

– Zé Bernaldo, pega essa trena e vai lá na Djalma Batista medir a largura da avenida, que o nosso último carro alegórico vai revolucionar o carnaval de Manaus...

O sujeito foi, tirou a trena do bolso, realizou a medição solicitada e retornou uma hora depois:

– Medi de ponta a ponta duas vezes. Tem 16 metros!

Chico Costa fez os cálculos:

– Deixando uma folga de dois metros para cada lado, dá para fazer um carro alegórico com 12 metros de largura e 20 metros de extensão. Mãos à obra, moçada!

Em um mês, o carro alegórico estava pronto. Era um colosso inimaginável. Todo o lendário amazônico (curupira, mapinguari, iara, boto tucuxi, juma, cobra grande, lagarta de fogo, onça pé-de-bola, etc.) estava presente no carro alegórico, em seu máximo esplendor, por meio de alegorias gigantescas executadas pessoalmente pelo mago Jair Mendes.

Foi preciso alugar duas carretas de três eixos para transportar o carro alegórico do barracão para o início da Av. Djalma Batista, numa operação de guerra que envolveu o Corpo de Bombeiros, Detran, Polícia Militar, Defesa Civil, Médicos Sem Fronteiras, Greenpeace e o Exército da Salvação Nacional.

Na entrada da avenida, uma surpresa: a colocação de arquibancadas dos dois lados da pista havia “encolhido” a passarela do samba em seis metros.

É que o ajudante de ordens do Chico Costa, o famoso Zé Bernaldo, havia medido a avenida de ponta a ponta, isto é, de uma sarjeta a outra, sem se dar conta desse pequeno detalhe das arquibancadas.

Para o gigantesco carro alegórico entrar na avenida seria necessário serrar dois metros de cada lado de sua base fixa.

Chico Costa refez os cálculos e explicou timidamente aos dirigentes da escola, que já queriam comer seu fígado:

– A base do carro foi feita de pau de ferro. Mesmo que a gente arrume uma serra elétrica de última geração, nós vamos levar duas horas para serrar esses 40 m² de cada lado do carro e até lá a escola já desfilou. Melhor deixar essa porra aqui mesmo...

E assim foi feito. O gigantesco carro foi abandonado na área de concentração, deixando o mago Jair Mendes à beira de um ataque de nervos. A escola amargou um decepcionante 4º lugar.

Demitido sumariamente, à base de pescoções, Zé Bernaldo nunca mais colocou os pés no barracão da escola.

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