92. O ano era 1934. O cantor e compositor Carlos Alberto Ferreira Braga, mais conhecido como “Braguinha” ou “João de Barro”, propôs ao seu amigo Noel Rosa em uma mesa do Café Papagaio a composição de uma música que lembrasse o ritmo das pastorinhas que desfilavam na Vila Isabel, na noite de Santo Reis. Pegaram papel e lápis e começaram o rascunho de uma música chamada “Linda Pequena”.
Braguinha não
ficou muito satisfeito com o resultado de “Linda Pequena” interpretada por João
Petra de Barros, pois a canção não virou sucesso popular.
Em 1937, depois
da morte de Noel Rosa, Braguinha resolveu mudar alguns detalhes na letra, em
uma verdadeira reciclagem musical: “moreninhas” virou “pastorinhas”, “pequena”
virou “pastora” e “pequena que tens a cor morena” por “morena da cor de
Madalena”.
O título também
foi trocado por “As Pastorinhas”. A nova marchinha foi gravada no final de 1937
por Silvio Caldas e alcançou grande sucesso, sendo a campeã do concurso de
músicas de carnaval do Rio de Janeiro, em 1938.
Braguinha era
estudante de arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes e adotou o
pseudônimo “João de Barro”, um pássaro arquiteto, para esconder o ofício de
compositor de seu rígido pai, que não gostava de ver o nome da família
circulando no ambiente da música popular, ainda muito mal visto na época.

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