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quinta-feira, setembro 24, 2026

Telecoteco do Balacobaco - Canto 94

 


94. Fevereiro de 1976. Mais enfeitado que jumento de cigano, Alberto Sarará entra no Bar do Oswaldo, no final da Rua Maués, procurando pelo parceiro Nelson Barreto, com quem havia combinado de irem juntos ao baile de carnaval do Beasa.

– O Nelson tomou umas cachaças ontem à noite e passou o dia com desarranjo intestinal. Acho que não vai dar pra ele ir pro baile não! – avisou Miguelito.

Crioulo parrudo, de quase dois metros, Alberto Sarará ficou mordido:

– Porra, bicho, mas vocês aqui da Cachoeirinha só vivem doentes! Nunca vi uma coisa dessas! Adoecem com tudo! Olhem pra mim, que fui criado no Bariri, na ilharga da Matinha, e nunca senti nada! Nunca fiquei gripado, nunca tive diarreia, nunca tive sarampo, nunca peguei nem frieira...

E prosseguiu a ladainha, para justificar seu vigor físico:

– É que vocês foram criados comendo barro e peixe podre aí do Igarapé do Quarenta. Só pode! Eu, não. Quando eu era guri, minha mãe colocava um prego na boca do fogão até ficar incandescente, depois colocava o prego no suco de jenipapo e dava pra eu beber, antes de dormir. Devo ser forte desse jeito porque desde pequeninho sempre tomava aquela infusão de ferro puro...

Folgado que só rolamento de carroça, o biriteiro Macarrão resolve entrar na conversa:

– Rapaz, eu bem que sempre desconfiei que esse pessoal do Bariri metido a macho toma é muito ferro desde criança... Vaprapurra, carniça!

Quase que sai porrada dentro do bar.

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