94. Fevereiro de 1976. Mais enfeitado que
jumento de cigano, Alberto Sarará entra no Bar do Oswaldo, no final da Rua
Maués, procurando pelo parceiro Nelson Barreto, com quem havia combinado de
irem juntos ao baile de carnaval do Beasa.
– O Nelson
tomou umas cachaças ontem à noite e passou o dia com desarranjo intestinal.
Acho que não vai dar pra ele ir pro baile não! – avisou Miguelito.
Crioulo
parrudo, de quase dois metros, Alberto Sarará ficou mordido:
– Porra, bicho,
mas vocês aqui da Cachoeirinha só vivem doentes! Nunca vi uma coisa dessas!
Adoecem com tudo! Olhem pra mim, que fui criado no Bariri, na ilharga da
Matinha, e nunca senti nada! Nunca fiquei gripado, nunca tive diarreia, nunca
tive sarampo, nunca peguei nem frieira...
E prosseguiu a
ladainha, para justificar seu vigor físico:
– É que vocês
foram criados comendo barro e peixe podre aí do Igarapé do Quarenta. Só pode!
Eu, não. Quando eu era guri, minha mãe colocava um prego na boca do fogão até
ficar incandescente, depois colocava o prego no suco de jenipapo e dava pra eu
beber, antes de dormir. Devo ser forte desse jeito porque desde pequeninho
sempre tomava aquela infusão de ferro puro...
Folgado que só
rolamento de carroça, o biriteiro Macarrão resolve entrar na conversa:
– Rapaz, eu bem
que sempre desconfiei que esse pessoal do Bariri metido a macho toma é muito
ferro desde criança... Vaprapurra, carniça!
Quase que sai
porrada dentro do bar.

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