96. Agosto de 1976. O antropólogo e
escritor Nunes Pereira estava de passagem por Manaus e a moçada do Clube da
Madrugada o levou para uma cervejada no Bar Avenida, na Eduardo Ribeiro.
Era um começo
de tarde. Estavam lá, entre outros, Arthur Engrácio, Jorge Tufic, Anísio Mello,
Alencar e Silva, Guimarães de Paula, Farias de Carvalho, Antístenes Pinto, Luiz
Bacellar e Ernesto Penafort, todos inebriados com a presença do grande pajé da
literatura indigenista. Birita e tira-gosto dando no meio da canela. Conversas
sem ter fim.
No meio da
fuzarca, Nunes Pereira queixou-se pra Arthur Engrácio:
– Rapaz, estou
sentindo umas cólicas da moléstia... Tenho até a impressão de que já sujei a
cueca depois de soltar um “bufa”... Onde é que fica o banheiro?...
Engrácio
apontou o local e o antropólogo partiu apressadamente em direção a ele.
Depois de
quinze minutos, o antropólogo retornou do banheiro trazendo a cueca
samba-canção na mão e, em vez de sentar-se novamente à mesa, seguiu direto para
a porta do bar, por onde costumavam passar as normalistas do Instituto de
Educação e as senhoras e senhoritas de nossa melhor sociedade. Os escritores
ficaram intrigados.
Dali a alguns
minutos, Arthur Engrácio foi ver o que estava acontecendo.
Na porta do
bar, Nunes Pereira, com a cueca borrada aberta nas mãos, exibia ostensivamente
o surrealista troféu às mulheres que passavam e vendia seu peixe:
– Olhem aqui,
olhem aqui: vocês já viram a verônica do meu cu?...
As normalistas,
as senhoras e as senhoritas, evidentemente, fugiam escandalizadas como se
tivessem visto o demo em pessoa. Depois de algum tempo naquela brincadeira
sacana, Nunes Pereira voltou para a mesa do bar dando gostosas gargalhadas.
Quem viu a verônica garante que a mandala do antropólogo já andava meio puída.
Ô raça!

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