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sexta-feira, setembro 25, 2026

Telecoteco do Balacobaco - Canto 96

 

Nunes Pereira no alto Rio Negro

96. Agosto de 1976. O antropólogo e escritor Nunes Pereira estava de passagem por Manaus e a moçada do Clube da Madrugada o levou para uma cervejada no Bar Avenida, na Eduardo Ribeiro.

Era um começo de tarde. Estavam lá, entre outros, Arthur Engrácio, Jorge Tufic, Anísio Mello, Alencar e Silva, Guimarães de Paula, Farias de Carvalho, Antístenes Pinto, Luiz Bacellar e Ernesto Penafort, todos inebriados com a presença do grande pajé da literatura indigenista. Birita e tira-gosto dando no meio da canela. Conversas sem ter fim.

No meio da fuzarca, Nunes Pereira queixou-se pra Arthur Engrácio:

– Rapaz, estou sentindo umas cólicas da moléstia... Tenho até a impressão de que já sujei a cueca depois de soltar um “bufa”... Onde é que fica o banheiro?...

Engrácio apontou o local e o antropólogo partiu apressadamente em direção a ele.

Depois de quinze minutos, o antropólogo retornou do banheiro trazendo a cueca samba-canção na mão e, em vez de sentar-se novamente à mesa, seguiu direto para a porta do bar, por onde costumavam passar as normalistas do Instituto de Educação e as senhoras e senhoritas de nossa melhor sociedade. Os escritores ficaram intrigados.

Dali a alguns minutos, Arthur Engrácio foi ver o que estava acontecendo.

Na porta do bar, Nunes Pereira, com a cueca borrada aberta nas mãos, exibia ostensivamente o surrealista troféu às mulheres que passavam e vendia seu peixe:

– Olhem aqui, olhem aqui: vocês já viram a verônica do meu cu?...

As normalistas, as senhoras e as senhoritas, evidentemente, fugiam escandalizadas como se tivessem visto o demo em pessoa. Depois de algum tempo naquela brincadeira sacana, Nunes Pereira voltou para a mesa do bar dando gostosas gargalhadas. Quem viu a verônica garante que a mandala do antropólogo já andava meio puída. Ô raça!

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