101. Um belo dia, o nosso maestro soberano
Tom Jobim estava dormindo de bruços no sofá da casa de Vinicius, uma cobertura
perto da Rua Faro, no Jardim Botânico. Testemunhas oculares e auditivas:
Vinicius de Moraes, Nelsinho Mota e Marcos de Vasconcellos.
Era um
comecinho de tarde, logo depois do almoço. Aí, chega um bando álacre de
menininhas, todas normalistas, para lamber o poeta.
Uma delas
identificou o maestro e perguntou, com unção:
– É ele? É ele?
E ajoelhou-se
para a devoção, para o encaminhamento, para o êxtase.
Sem abrir os
olhos, o maestro deu uma ajeitada nos fundilhos e soltou um pum no narizinho
dela. Daqueles brabos.
Vinicius,
Marcus e Nelsinho saíram correndo da sala.
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