Setembro de 1980. Frank Cavalcante, Lourival Magalhães e Nei Parada Dura estavam indo para uma festa de aniversário do Dejanir Cavalcante, irmão do Frank e dono da Orobó Veículos, no Balneário Paxiúba, quando, próximo da Estrada do Aeroporto, avistaram uma preguiça atravessando a pista.
Nei Parada Dura, que tinha o estranho hábito de coçar a orelha direita com o braço esquerdo passando por trás da nuca semelhante aos macacos, se escalou para pegar o animal.
Foi amor à primeira vista. A preguiça se encantou com o novo dono e ele com ela.
Em uma das vendinhas de beira de estrada, Nei Parada Dura comprou uma penca de bananas-najá e começou a alimentar a preguiça.
– Essa aqui é a princesinha Caroline de Mônaco, o meu mais novo amor! – dizia Nei Parada Dura, com a preguiça sentada em seu colo. – Fala aqui com o tio Frank e diz como você é bonitinha!
Aí, segurando as patas do animal com uma das mãos, esticava as garras afiadas da preguiça em direção ao motorista, que só faltava perder a direção, assustado com o tamanho das unhas da princesa.
Quando eles chegaram no Paxiúba, uma surpresa: o vigia explicou que a festa de aniversário seria no dia seguinte, domingo, e não naquele sábado.
Eram quase 15h e não havia absolutamente nenhum tipo de comida no lugar.
Como os três já estavam com o estômago roncando, resolveram deliberar sobre o que fazer.
Prevaleceu a lógica, apesar dos protestos histéricos do Nei Parada Dura, e a preguiça foi para o sacrifício.
Eles comeram a princesinha Caroline de Mônaco assada na brasa.
Nei Parada Dura nunca mais se recuperou do trauma emocional.
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